ALTERAÇÕES GENÉTICAS, IMPACTO PROGNÓSTICO E ABORDAGENS TERAPÊUTICAS NA PROGRESSÃO DA LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA PARA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA: REVISÃO NARRATIVA
A Leucemia Mieloide Aguda (LMA) representa uma das neoplasias hematológicas mais complexas e agressivas, caracterizada pela proliferação descontrolada de células progenitoras mieloides na medula óssea, podendo ser advinda de uma desregulação hematopoiética primária ou a partir da evolução de uma outra neoplasia hematológica, como a leucemia mieloide crônica (LMC). Esta doença possui uma patogênese molecular heterogênea, onde mutações genéticas desempenham papéis fundamentais no desenvolvimento, determinação do prognóstico e resposta terapêutica. O entendimento dessas alterações genéticas tem revolucionado a abordagem diagnóstica e terapêutica da LMA, permitindo a estratificação de risco mais precisa e o desenvolvimento de tratamentos personalizados. Identificar e descrever, com base na literatura cientifica, os principais genes envolvidos na evolução de leucemia mieloide crônica para leucemia mieloide aguda. Foi realizada uma revisão exploratória da literatura. Os critérios de inclusão englobaram artigos publicados em inglês e português entre 2016 e 2025, que abordassem genes envolvidos na progressão de LMC para LMA. Foram excluídos estudos repetidos, incompletos e fora do escopo da revisão. Alterações genéticas em FLT3, particularmente as mutações de duplicação interna em tandem (FLT3-ITD), constituem um marcador robusto de mau prognóstico, frequentemente associado a maior taxa de recidiva, menor sobrevida global e rápida progressão da doença. Essas mutações promovem sinalização constitutiva via RAS/MAPK e PI3K/AKT, favorecendo proliferação celular descontrolada e resistência terapêutica. O advento dos inibidores de tirosina quinase de segunda e terceira geração tem modificado este cenário, com evidências de melhora significativa nas taxas de resposta, sobretudo quando combinados à quimioterapia convencional. As alterações no gene NPM1 conferem um fenótipo clínico e biológico peculiar. Quando presentes isoladamente, associam-se a melhor prognóstico e maior taxa de resposta à quimioterapia padrão; todavia, essa vantagem prognóstica é revertida quando há coocorrência com FLT3-ITD, resultando em evolução mais agressiva e pior sobrevida. Essa interação evidencia a relevância da estratificação de risco integrada, contemplando o perfil mutacional completo para guiar decisões terapêuticas personalizadas. Mutações no TP53 representam achados desfavoráveis, caracterizando um subtipo de LMA biologicamente agressivo, altamente resistente à quimioterapia convencional. O comprometimento da via p53 confere evasão apoptótica e instabilidade genômica acentuada. Estratégias emergentes incluem combinações de venetoclax com agentes hipometilantes, além do desenvolvimento de imunoterapias específicas, como anticorpos biespecíficos e terapias com células CAR-T direcionadas a antígenos mieloides. No contexto específico da progressão da LMC para LMA, destacam-se as mutações secundárias como eventos-chave na transformação leucêmica. Genes como RUNX1 (envolvido na regulação da hematopoese), ASXL1 (modulação epigenética) e TET2 (metilação do DNA) atuam como drivers dessa evolução clonal, frequentemente emergindo durante a fase acelerada ou blástica. Esses achados reforçam a importância do monitoramento molecular longitudinal em pacientes com LMC, permitindo a detecção precoce de alterações de alto risco e a intervenção terapêutica antecipada para prevenir ou retardar a transformação para LMA.
Authors
- Adelina Pellicer Martínez
- Diana Gorostiza Laborda
- JF Paes
- Eric Dutra (ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6764-9195)
Institutions
- Faculdade Metropolitana de Manaus
- Universidade Federal do Amazonas (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104470
- Primary Topic
- Chronic Myeloid Leukemia Treatments
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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