PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS REAÇÕES TRANSFUSIONAIS EM 2024: UMA PERSPECTIVA ATUALIZADA

As transfusões sanguíneas são essenciais no suporte a pacientes em diversas condições clínicas. Apesar dos avanços em biossegurança, as reações transfusionais ainda representam um risco. O estudo do perfil epidemiológico desses eventos é fundamental para aprimorar a hemovigilância e promover melhorias na segurança transfusional. Analisar o perfil epidemiológico das reações transfusionais notificadas em 2024, nos hospitais atendidos pelo banco de sangue do grupo GSH em Brasília (DF). Estudo retrospectivo e descritivo dos prontuários dos pacientes que apresentaram reação transfusional, nos hospitais atendidos pelo banco de sangue do grupo GSH em Brasília – DF, de janeiro a dezembro de 2024. As variáveis analisadas foram sexo, idade, diagnóstico, tipo de hemocomponente e classificação da reação. Foram notificadas 74 reações transfusionais nas seis agências transfusionais participantes. Do total 62% ocorreram em pacientes do sexo feminino e 36% do masculino. A faixa etária mais acometida foi de 60 a 79 anos (39%), seguida por 40 a 59 anos (24%), ≥ 80 anos (21%), 20 a 39 anos (8%) e < 20 anos (6,7%). Quanto aos hemocomponentes, as plaquetas foram responsáveis por 65% dos casos, seguidas pelas hemácias (30%), plasma e crioprecipitado (5%). Quanto ao tipo de reação, as alérgicas foram as mais prevalentes (48,6%), seguidas pelas febris não hemolíticas (41,9%). Reações menos frequentes incluíram sobrecarga volêmica (5,4%), dispneia associada à transfusão (1,4%) e outras (2,7%). Os principais diagnósticos foram doenças hematológicas e onco-hematológicas, com destaque para leucemia mieloide aguda (13,5%), plaquetopenia (12,2%), leucemia linfóide aguda (5,4%), pós transplante de medula óssea (5,4%) e síndrome mielodisplásica (4,1%). Também foram relatados casos de dengue (5,4%) e diagnósticos isolados de neoplasias sólidas (próstata, faringe, mama, reto e suprarrenal), distúrbios hemorrágicos, doenças infecciosas, complicações cardiovasculares, e condições clínicas diversas. Os achados são compatíveis com a literatura e refletem o perfil da população hospitalar que mais demanda transfusões no DF, predominantemente mulheres, adultos e idosos com múltiplas comorbidades. Dentre os hemocomponentes, as plaquetas já são reconhecidas como os hemocomponentes de maior risco, associada a maior carga antigênica e ao acúmulo de citocinas durante o armazenamento. As reações alérgicas são as mais comuns, seguidas das febris não hemolíticas, assim como os dados encontrados na literatura em serviços com 100% de desleucocitação. Em geral são leves e melhoram após as condutas profiláticas adotadas. A diversidade de diagnósticos reflete a complexidade dos pacientes submetidos a terapia transfusional, com destaque para os casos de neoplasias hematológicas, que representaram a maioria dos eventos adversos notificados, possivelmente em decorrência da necessidade de múltiplas e recorrentes transfusões sanguíneas. O estudo permitiu identificar os perfis de maior risco para reações transfusionais, reforçando a importância de medidas preventivas, capacitação das equipes e notificação sistemática. Esses dados são fundamentais para o aprimoramento da segurança transfusional e da assistência aos pacientes.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.106036
Primary Topic
Blood transfusion and management
Type
article
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PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS REAÇÕES TRANSFUSIONAIS EM 2024: UMA PERSPECTIVA ATUALIZADA

L. Dias, Manelson Pinheiro Moraes, Izabel Cristina Rodrigues da Silva, Eduardo Silva et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood transfusion and management
article

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS REAÇÕES TRANSFUSIONAIS EM 2024: UMA PERSPECTIVA ATUALIZADA

L. Dias, Manelson Pinheiro Moraes, Izabel Cristina Rodrigues da Silva, Eduardo Silva, ALISSON CLAY RIOS DA SILVA
article en

Abstract

As transfusões sanguíneas são essenciais no suporte a pacientes em diversas condições clínicas. Apesar dos avanços em biossegurança, as reações transfusionais ainda representam um risco. O estudo do perfil epidemiológico desses eventos é fundamental para aprimorar a hemovigilância e promover melhorias na segurança transfusional. Analisar o perfil epidemiológico das reações transfusionais notificadas em 2024, nos hospitais atendidos pelo banco de sangue do grupo GSH em Brasília (DF). Estudo retrospectivo e descritivo dos prontuários dos pacientes que apresentaram reação transfusional, nos hospitais atendidos pelo banco de sangue do grupo GSH em Brasília – DF, de janeiro a dezembro de 2024. As variáveis analisadas foram sexo, idade, diagnóstico, tipo de hemocomponente e classificação da reação. Foram notificadas 74 reações transfusionais nas seis agências transfusionais participantes. Do total 62% ocorreram em pacientes do sexo feminino e 36% do masculino. A faixa etária mais acometida foi de 60 a 79 anos (39%), seguida por 40 a 59 anos (24%), ≥ 80 anos (21%), 20 a 39 anos (8%) e < 20 anos (6,7%). Quanto aos hemocomponentes, as plaquetas foram responsáveis por 65% dos casos, seguidas pelas hemácias (30%), plasma e crioprecipitado (5%). Quanto ao tipo de reação, as alérgicas foram as mais prevalentes (48,6%), seguidas pelas febris não hemolíticas (41,9%). Reações menos frequentes incluíram sobrecarga volêmica (5,4%), dispneia associada à transfusão (1,4%) e outras (2,7%). Os principais diagnósticos foram doenças hematológicas e onco-hematológicas, com destaque para leucemia mieloide aguda (13,5%), plaquetopenia (12,2%), leucemia linfóide aguda (5,4%), pós transplante de medula óssea (5,4%) e síndrome mielodisplásica (4,1%). Também foram relatados casos de dengue (5,4%) e diagnósticos isolados de neoplasias sólidas (próstata, faringe, mama, reto e suprarrenal), distúrbios hemorrágicos, doenças infecciosas, complicações cardiovasculares, e condições clínicas diversas. Os achados são compatíveis com a literatura e refletem o perfil da população hospitalar que mais demanda transfusões no DF, predominantemente mulheres, adultos e idosos com múltiplas comorbidades. Dentre os hemocomponentes, as plaquetas já são reconhecidas como os hemocomponentes de maior risco, associada a maior carga antigênica e ao acúmulo de citocinas durante o armazenamento. As reações alérgicas são as mais comuns, seguidas das febris não hemolíticas, assim como os dados encontrados na literatura em serviços com 100% de desleucocitação. Em geral são leves e melhoram após as condutas profiláticas adotadas. A diversidade de diagnósticos reflete a complexidade dos pacientes submetidos a terapia transfusional, com destaque para os casos de neoplasias hematológicas, que representaram a maioria dos eventos adversos notificados, possivelmente em decorrência da necessidade de múltiplas e recorrentes transfusões sanguíneas. O estudo permitiu identificar os perfis de maior risco para reações transfusionais, reforçando a importância de medidas preventivas, capacitação das equipes e notificação sistemática. Esses dados são fundamentais para o aprimoramento da segurança transfusional e da assistência aos pacientes.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Blood transfusion and management
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