AVALIAÇÃO DO TESTE DE GERAÇÃO DE TROMBINA EM PACIENTES COM FEBRE AMARELA

A Febre Amarela (FA) é uma doença infecciosa aguda, que pode cursar com uma diátese hemorrágica grave, cujo mecanismo ainda não é bem esclarecido. Compreender as bases desse distúrbio pode auxiliar no diagnóstico e tratamento dos casos graves. Avaliar a hemostasia em pacientes hospitalizados com FA, através do Teste de Geração de Trombina (TGT). Estudo transversal que avaliou os parâmetros de TGT (Potencial Endógeno de Trombina [PET], pico de trombina e lag phase ) em adultos com FA moderada (internados em enfermaria) e graves (internados em Centro de Tratamento Intensivo [CTI]) do Hospital Eduardo de Meneses (Belo Horizonte/MG). Os pacientes foram incluídos entre dezembro/2017 e abril/2018. O plasma dos pacientes foi coletado no momento da internação, centrifugado duplamente e congelado a -80°C. O TGT de cada amostra foi analisado em duplicata, com e sem a adição de Trombomodulina (TM). Os resultados foram comparados aos parâmetros de 40 controles sem FA e entre os grupos de FA. As comparações foram consideradas significativas quando p < 0,05. Foram incluídos 42 pacientes, dos quais 26 foram classificados como FA moderada e 16 como grave. A maioria era do sexo masculino (83,4%), mediana de idade de 46 anos (Intervalo Interquartil [IQR] 38–52). Os pacientes foram admitidos com uma mediana de 3 dias de início de febre (IQR 2–7), mediana de AST 358 IU/l (IQR 126‒2426), tempo de trombina em segundos, mediana de 21, (IQR 19‒27) e de creatinina 1 mg/dL, (IQR 0,7‒1,5). Em comparação com controles normais, pacientes com FA moderada na presença de TM apresentaram maior lag time (p<0,001) e menor PET (p<0,001) sem diferença no pico (p=0,498). Na ausência de TM, os resultados foram similares (maior lag time [p<0,001], menor PET [p=0,009] e sem diferença no pico [p=0,599]) em comparação com controles, respectivamente. Na comparação pareada, a presença de TM não alterou o lag time (p = 0,603), mas reduziu o PET (p = 0,038) e o pico de trombina (p = 0,048). Na FA grave, na presença de TM, os pacientes apresentaram maior lag time (p = 0,024) e menor PET (p < 0,001) e pico menor (p < 0,001) que os controles. Na ausência de TM, o PET (p = 0,002) e pico (p = 0,004) foram menores que nos controles, porém sem diferença no lag time (p = 0,08). Na análise pareada, a presença de TM reduziu o lag time (p = 0,005), o PET (p = 0,015) e o pico de trombina (p = 0,006). No TGT com adição de TM, pacientes com FA grave apresentaram PET (295,92 vs. 601,25; p = 0,015) e pico de trombina (45,36 vs. 150,40; p < 0,001) menores em comparação com FA moderada, respectivamente, porém sem diferença no lag time (10,63 vs. 9,08; p = 0,835), respectivamente. No TGT sem adição de TM, pacientes com FA grave apresentaram PET (344,81 vs. 616,37; p = 0,027) e pico de trombina (40,88 vs. 171,31; p = 0,004) menores em comparação com FA moderada, respectivamente, sem diferença no lag time (10,25 vs. 8,50; p = 0,838). Esse estudo demonstra haver uma disfunção hemostática nas fases iniciais e de propagação da coagulação na FA moderada. Na FA grave ocorre uma redução pronunciada da ativação da coagulação e menor geração total e máxima de trombina, corroborando com a grave diátese hemorrágica nesses casos. Houve redução do PET e pico de trombina tanto na presença quanto na ausência de TM na reação. Como esperado, a adição de TM reduziu os parâmetros de pico de trombina e PET. Esse é o primeiro estudo a avaliar o TGT em pacientes com FA.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104917
Primary Topic
Leptospirosis research and findings
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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ALL TIME
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article

AVALIAÇÃO DO TESTE DE GERAÇÃO DE TROMBINA EM PACIENTES COM FEBRE AMARELA

LL Jardim, Bernadete Santos, S. M. Rezende
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Leptospirosis research and findings
article

AVALIAÇÃO DO TESTE DE GERAÇÃO DE TROMBINA EM PACIENTES COM FEBRE AMARELA

LL Jardim, Bernadete Santos, S. M. Rezende
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Abstract

A Febre Amarela (FA) é uma doença infecciosa aguda, que pode cursar com uma diátese hemorrágica grave, cujo mecanismo ainda não é bem esclarecido. Compreender as bases desse distúrbio pode auxiliar no diagnóstico e tratamento dos casos graves. Avaliar a hemostasia em pacientes hospitalizados com FA, através do Teste de Geração de Trombina (TGT). Estudo transversal que avaliou os parâmetros de TGT (Potencial Endógeno de Trombina [PET], pico de trombina e lag phase ) em adultos com FA moderada (internados em enfermaria) e graves (internados em Centro de Tratamento Intensivo [CTI]) do Hospital Eduardo de Meneses (Belo Horizonte/MG). Os pacientes foram incluídos entre dezembro/2017 e abril/2018. O plasma dos pacientes foi coletado no momento da internação, centrifugado duplamente e congelado a -80°C. O TGT de cada amostra foi analisado em duplicata, com e sem a adição de Trombomodulina (TM). Os resultados foram comparados aos parâmetros de 40 controles sem FA e entre os grupos de FA. As comparações foram consideradas significativas quando p < 0,05. Foram incluídos 42 pacientes, dos quais 26 foram classificados como FA moderada e 16 como grave. A maioria era do sexo masculino (83,4%), mediana de idade de 46 anos (Intervalo Interquartil [IQR] 38–52). Os pacientes foram admitidos com uma mediana de 3 dias de início de febre (IQR 2–7), mediana de AST 358 IU/l (IQR 126‒2426), tempo de trombina em segundos, mediana de 21, (IQR 19‒27) e de creatinina 1 mg/dL, (IQR 0,7‒1,5). Em comparação com controles normais, pacientes com FA moderada na presença de TM apresentaram maior lag time (p<0,001) e menor PET (p<0,001) sem diferença no pico (p=0,498). Na ausência de TM, os resultados foram similares (maior lag time [p<0,001], menor PET [p=0,009] e sem diferença no pico [p=0,599]) em comparação com controles, respectivamente. Na comparação pareada, a presença de TM não alterou o lag time (p = 0,603), mas reduziu o PET (p = 0,038) e o pico de trombina (p = 0,048). Na FA grave, na presença de TM, os pacientes apresentaram maior lag time (p = 0,024) e menor PET (p < 0,001) e pico menor (p < 0,001) que os controles. Na ausência de TM, o PET (p = 0,002) e pico (p = 0,004) foram menores que nos controles, porém sem diferença no lag time (p = 0,08). Na análise pareada, a presença de TM reduziu o lag time (p = 0,005), o PET (p = 0,015) e o pico de trombina (p = 0,006). No TGT com adição de TM, pacientes com FA grave apresentaram PET (295,92 vs. 601,25; p = 0,015) e pico de trombina (45,36 vs. 150,40; p < 0,001) menores em comparação com FA moderada, respectivamente, porém sem diferença no lag time (10,63 vs. 9,08; p = 0,835), respectivamente. No TGT sem adição de TM, pacientes com FA grave apresentaram PET (344,81 vs. 616,37; p = 0,027) e pico de trombina (40,88 vs. 171,31; p = 0,004) menores em comparação com FA moderada, respectivamente, sem diferença no lag time (10,25 vs. 8,50; p = 0,838). Esse estudo demonstra haver uma disfunção hemostática nas fases iniciais e de propagação da coagulação na FA moderada. Na FA grave ocorre uma redução pronunciada da ativação da coagulação e menor geração total e máxima de trombina, corroborando com a grave diátese hemorrágica nesses casos. Houve redução do PET e pico de trombina tanto na presença quanto na ausência de TM na reação. Como esperado, a adição de TM reduziu os parâmetros de pico de trombina e PET. Esse é o primeiro estudo a avaliar o TGT em pacientes com FA.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal de Minas Gerais (BR)
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Leptospirosis research and findings
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