GRAU DE ESCOLARIDADE DE CUIDADORES DE CRIANÇAS COM LEUCEMIA: PERFIL E IMPLICAÇÕES NO CUIDADO

A leucemia é um grupo de neoplasias malignas das células hematopoéticas, caracterizada pela proliferação anormal de leucócitos na medula óssea e, frequentemente, no sangue periférico, comprometendo a hematopoiese. No contexto pediátrico, seu manejo exige atenção especial, pois limitações físicas, cognitivas e emocionais tornam as crianças mais dependentes de apoio externo para adesão ao tratamento e manutenção da qualidade de vida. Cuidadores – geralmente pais ou responsáveis legais – têm papel central, mediando a relação com a equipe de saúde, garantindo a terapêutica, monitorando complicações e oferecendo suporte emocional, fatores que influenciam diretamente o prognóstico. Este estudo analisa a relação entre o nível de escolaridade dos cuidadores de crianças com leucemia e o impacto na qualidade do cuidado, identificando como a formação influencia a capacidade de lidar com as demandas do tratamento. Foi realizada revisão sistemática nas bases PubMed e SciELO, com os descritores Educational Status, Caregivers e Leukemia, combinados de diferentes formas. Incluíram-se artigos publicados entre 2020 e 2025, excetuando revisões. Obtiveram-se 617.856 artigos; aplicando os critérios (presença de ao menos dois dos seguintes: cuidadores de pacientes com leucemia, escolaridade dos cuidadores e pacientes pediátricos) e exclusão de duplicados, selecionaram-se 10 estudos. Dos 10 artigos, 2 eram qualitativos descritivos e exploratórios, 6 ensaios clínicos randomizados, 1 não randomizado e 1 observacional. A escolaridade variou: em alguns, 53,8% a 77,2% tinham ensino superior; em outros, predominou o ensino médio (40%–57,6%) ou fundamental incompleto (até 25%). Um estudo internacional reportou alto nível educacional em todos; dois não informaram escolaridade e um não abordou o tema. Quanto à renda, observou-se relação direta com escolaridade: um estudo mostrou 61,3% renda moderada, 23,8% alta e 12,5% baixa; em outro, prevaleceram rendas intermediárias/altas. Em países latinos, predominaram baixa renda e escolaridade; no Brasil, 60% tinham renda de 1–2 salários mínimos, 25% de 2–4 e 15% acima de 4, sendo que maior escolaridade associou-se a rendas até 20 salários, embora 63,3% não possuíssem vínculo empregatício. A relação entre escolaridade/renda e cuidado foi pouco descrita. Um estudo apontou maior ansiedade (54,1%–55,6%) e depressão (41,9%–43,1%) entre cuidadores com menor escolaridade; outro relacionou baixo nível educacional a dificuldades de adesão terapêutica, especialmente no uso correto de medicamentos orais. Mais de dois filhos, idade >30 anos e predominância materna no cuidado foram barreiras; acesso a serviços privados associou-se a melhor prognóstico. Idade <30 anos esteve ligada a melhor adesão, e práticas culturais/religiosas surgiram como suporte emocional. Conclui-se que a escolaridade influencia diretamente a compreensão do tratamento, adesão e manejo de complicações. Níveis mais altos, geralmente com maior renda, associam-se a melhores prognósticos; níveis baixos vinculam-se a dificuldades terapêuticas e maior vulnerabilidade emocional. Idade, número de filhos e acesso a serviços de saúde também modulam o cuidado, reforçando a importância de considerar determinantes sociais no planejamento oncopediátrico e a necessidade de pesquisas mais aprofundadas para subsidiar políticas públicas eficazes.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105406
Primary Topic
Childhood Cancer Survivors' Quality of Life
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
|||
ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

GRAU DE ESCOLARIDADE DE CUIDADORES DE CRIANÇAS COM LEUCEMIA: PERFIL E IMPLICAÇÕES NO CUIDADO

C. R. V. Da Silva, M. F. Fonseca, TCC Fonseca, GUILHERME SOLDATI FERREIRA et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Childhood Cancer Survivors' Quality of Life
article

GRAU DE ESCOLARIDADE DE CUIDADORES DE CRIANÇAS COM LEUCEMIA: PERFIL E IMPLICAÇÕES NO CUIDADO

C. R. V. Da Silva, M. F. Fonseca, TCC Fonseca, GUILHERME SOLDATI FERREIRA, LOL Spinelli, IS Calegari
article en

Abstract

A leucemia é um grupo de neoplasias malignas das células hematopoéticas, caracterizada pela proliferação anormal de leucócitos na medula óssea e, frequentemente, no sangue periférico, comprometendo a hematopoiese. No contexto pediátrico, seu manejo exige atenção especial, pois limitações físicas, cognitivas e emocionais tornam as crianças mais dependentes de apoio externo para adesão ao tratamento e manutenção da qualidade de vida. Cuidadores – geralmente pais ou responsáveis legais – têm papel central, mediando a relação com a equipe de saúde, garantindo a terapêutica, monitorando complicações e oferecendo suporte emocional, fatores que influenciam diretamente o prognóstico. Este estudo analisa a relação entre o nível de escolaridade dos cuidadores de crianças com leucemia e o impacto na qualidade do cuidado, identificando como a formação influencia a capacidade de lidar com as demandas do tratamento. Foi realizada revisão sistemática nas bases PubMed e SciELO, com os descritores Educational Status, Caregivers e Leukemia, combinados de diferentes formas. Incluíram-se artigos publicados entre 2020 e 2025, excetuando revisões. Obtiveram-se 617.856 artigos; aplicando os critérios (presença de ao menos dois dos seguintes: cuidadores de pacientes com leucemia, escolaridade dos cuidadores e pacientes pediátricos) e exclusão de duplicados, selecionaram-se 10 estudos. Dos 10 artigos, 2 eram qualitativos descritivos e exploratórios, 6 ensaios clínicos randomizados, 1 não randomizado e 1 observacional. A escolaridade variou: em alguns, 53,8% a 77,2% tinham ensino superior; em outros, predominou o ensino médio (40%–57,6%) ou fundamental incompleto (até 25%). Um estudo internacional reportou alto nível educacional em todos; dois não informaram escolaridade e um não abordou o tema. Quanto à renda, observou-se relação direta com escolaridade: um estudo mostrou 61,3% renda moderada, 23,8% alta e 12,5% baixa; em outro, prevaleceram rendas intermediárias/altas. Em países latinos, predominaram baixa renda e escolaridade; no Brasil, 60% tinham renda de 1–2 salários mínimos, 25% de 2–4 e 15% acima de 4, sendo que maior escolaridade associou-se a rendas até 20 salários, embora 63,3% não possuíssem vínculo empregatício. A relação entre escolaridade/renda e cuidado foi pouco descrita. Um estudo apontou maior ansiedade (54,1%–55,6%) e depressão (41,9%–43,1%) entre cuidadores com menor escolaridade; outro relacionou baixo nível educacional a dificuldades de adesão terapêutica, especialmente no uso correto de medicamentos orais. Mais de dois filhos, idade >30 anos e predominância materna no cuidado foram barreiras; acesso a serviços privados associou-se a melhor prognóstico. Idade <30 anos esteve ligada a melhor adesão, e práticas culturais/religiosas surgiram como suporte emocional. Conclui-se que a escolaridade influencia diretamente a compreensão do tratamento, adesão e manejo de complicações. Níveis mais altos, geralmente com maior renda, associam-se a melhores prognósticos; níveis baixos vinculam-se a dificuldades terapêuticas e maior vulnerabilidade emocional. Idade, número de filhos e acesso a serviços de saúde também modulam o cuidado, reforçando a importância de considerar determinantes sociais no planejamento oncopediátrico e a necessidade de pesquisas mais aprofundadas para subsidiar políticas públicas eficazes.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual de Santa Cruz (BR)
Openalex Percentile: Top 56%
Childhood Cancer Survivors' Quality of Life
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