NEFROPATIA IMUNE RELACIONADA A INIBIDOR DE PD1 NO TRATAMENTO DO LINFOMA DE HODGKIN

O tratamento do LH recaído e refratário após transplante autólogo de medula óssea é um desafio. A única opção curativa é o transplante alogênico de medula óssea, mas os pacientes podem ser tratados com inibidor de PD1 e cerca de 40% dos pacientes que atingem remissão completa apresentarão controle de doença a longo prazo. Os inibidores de PD1 atuam bloqueando a interação entre a proteína PDL-1 (programmed death-ligand 1) e o receptor PD-1 em células T, permitindo que o sistema imunológico reconheça e ataque as células tumorais. Apesar de geralmente serem melhor tolerados do que a quimioterapia tradicional, podem causar efeitos adversos relacionados à ativação exagerada do sistema imune e qualquer órgão pode ser acometido. Paciente, 30 anos, com diagnóstico de LH esclerose nodular em 2015 submetido a 6 ciclos de ABVD com resposta completa. Primeira recaída em 2017, submetido a 3 ciclos de ICE, com resposta completa e consolidação com TCTH autólogo. Segunda recaída em março de 2020 submetido a 4 ciclos de brentuximab com resposta parcial, sem doadores aparentados para ser submetido a TCTH alogênico de medula óssea. Progressão em outubro de 2023 sendo iniciado tratamento com pembrolizumab em 24/02/2024. Evoluiu com insuficiência renal aguda grau 4 após 3º ciclo, necessitando internação em 25/04/2024. Biopsia renal demonstrando glomerulonefrite associada ao pembrolizumab, sendo tratado com pulso de metilprednisolona e suspensão do pembrolizumab, com melhora da função renal com retorno a grau 2. Paciente teve alta hospitalar e foi realizado desmame lento de corticoíde em 6 semanas mantendo boa resposta renal. O PET CT após os 3 ciclos evidenciou resposta parcial, mas com a suspensão da terapia houve progressão de doença com obstrução renal tumoral, piora da função renal e indicação de hemodiálise. Foi reintroduzido o pembrolizumabe em 08/05/2025 e paciente segue em tratamento com boa resposta clínica. O acometimento renal relacionado ao pembrolizumabe é raro, acontece em 2-5% casos e de início variável, geralmente após 12 a 48 semanas de tratamento. Geralmente se manifesta com nefrite intersticial aguda, sendo menos comum a glomerulonefrite (doença por IgA, GESF e nefropatia membranosa) que foi o caso do nosso paciente. Os pacientes podem ser assintomáticos ou apresentar hematúria e proteinúria leves, e a disfunção renal pode ser grave e progressiva com necessidade de hemodiálise. O diagnóstico diferencial se dá com drogas nefrotóxicas, progressão de doença e infecção sendo essencial o diagnóstico rápido e tratamento adequado com redução de dose ou suspensão da terapia e instituição de corticoterapia conforme o caso acima.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104686
Primary Topic
Systemic Sclerosis and Related Diseases
Type
article
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NEFROPATIA IMUNE RELACIONADA A INIBIDOR DE PD1 NO TRATAMENTO DO LINFOMA DE HODGKIN

FM Nucci, R. I. A. A. Baptista, Rogério Santiago Araújo, Caio Marques da Silva et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Systemic Sclerosis and Related Diseases
article

NEFROPATIA IMUNE RELACIONADA A INIBIDOR DE PD1 NO TRATAMENTO DO LINFOMA DE HODGKIN

FM Nucci, R. I. A. A. Baptista, Rogério Santiago Araújo, Caio Marques da Silva, M. Florencia Martini, GM de Sales Sardinha, AC de Azevedo Araújo Lima
article en

Abstract

O tratamento do LH recaído e refratário após transplante autólogo de medula óssea é um desafio. A única opção curativa é o transplante alogênico de medula óssea, mas os pacientes podem ser tratados com inibidor de PD1 e cerca de 40% dos pacientes que atingem remissão completa apresentarão controle de doença a longo prazo. Os inibidores de PD1 atuam bloqueando a interação entre a proteína PDL-1 (programmed death-ligand 1) e o receptor PD-1 em células T, permitindo que o sistema imunológico reconheça e ataque as células tumorais. Apesar de geralmente serem melhor tolerados do que a quimioterapia tradicional, podem causar efeitos adversos relacionados à ativação exagerada do sistema imune e qualquer órgão pode ser acometido. Paciente, 30 anos, com diagnóstico de LH esclerose nodular em 2015 submetido a 6 ciclos de ABVD com resposta completa. Primeira recaída em 2017, submetido a 3 ciclos de ICE, com resposta completa e consolidação com TCTH autólogo. Segunda recaída em março de 2020 submetido a 4 ciclos de brentuximab com resposta parcial, sem doadores aparentados para ser submetido a TCTH alogênico de medula óssea. Progressão em outubro de 2023 sendo iniciado tratamento com pembrolizumab em 24/02/2024. Evoluiu com insuficiência renal aguda grau 4 após 3º ciclo, necessitando internação em 25/04/2024. Biopsia renal demonstrando glomerulonefrite associada ao pembrolizumab, sendo tratado com pulso de metilprednisolona e suspensão do pembrolizumab, com melhora da função renal com retorno a grau 2. Paciente teve alta hospitalar e foi realizado desmame lento de corticoíde em 6 semanas mantendo boa resposta renal. O PET CT após os 3 ciclos evidenciou resposta parcial, mas com a suspensão da terapia houve progressão de doença com obstrução renal tumoral, piora da função renal e indicação de hemodiálise. Foi reintroduzido o pembrolizumabe em 08/05/2025 e paciente segue em tratamento com boa resposta clínica. O acometimento renal relacionado ao pembrolizumabe é raro, acontece em 2-5% casos e de início variável, geralmente após 12 a 48 semanas de tratamento. Geralmente se manifesta com nefrite intersticial aguda, sendo menos comum a glomerulonefrite (doença por IgA, GESF e nefropatia membranosa) que foi o caso do nosso paciente. Os pacientes podem ser assintomáticos ou apresentar hematúria e proteinúria leves, e a disfunção renal pode ser grave e progressiva com necessidade de hemodiálise. O diagnóstico diferencial se dá com drogas nefrotóxicas, progressão de doença e infecção sendo essencial o diagnóstico rápido e tratamento adequado com redução de dose ou suspensão da terapia e instituição de corticoterapia conforme o caso acima.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Systemic Sclerosis and Related Diseases
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