PROJEÇÃO DE MORTALIDADE POR LINFOMA DE HODGKIN EM IDOSOS NO BRASIL: UMA ANÁLISE ECOLÓGICA

Linfoma de Hodgkin (LH) é uma neoplasia que, apesar dos avanços terapêuticos, apresenta impacto significativo na mortalidade de idosos. A vigilância epidemiológica é essencial para o planejamento de políticas públicas, sobretudo frente ao envelhecimento populacional no Brasil. A literatura é bem estabelecida em relação à evolução natural e aos tratamentos da doença, no entanto carece de projeções regionais de mortalidade, as quais podem direcionar investimentos em estratégias de prevenção e tratamento. Estimar as projeções de mortalidade por LH em idosos entre 2024 e 2030, segundo regiões demográficas, com base em dados históricos do DATASUS. Estudo ecológico descritivo com dados secundários de óbitos por LH em idosos (≥60 anos), extraídos do Sistema de Indicadores de Mortalidade do Departamento de informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Foram utilizadas séries temporais de 1996 a 2023 para modelagem e previsão da mortalidade até 2030, estratificadas por região (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Brasil). Aplicou-se o método de Suavização Exponencial (ETS - Error, Trend, Seasonal) com intervalos de confiança (IC) de 95% para as projeções. A projeção nacional do aumento de óbitos por LH em idosos é de, aproximadamente, 18%, sendo de 4.746 casos em 2023 para 5.604 (IC: 4.116,05; 7.092,94) em 2030. É previsto em algumas regiões, como a Sudeste e a Nordeste, os maiores números absolutos em 2030, sendo 2.696 (IC: 2.571,64; 2.820,64) e 1.367 (IC: 1.023,93; 1.711,6) óbitos, respectivamente. Na região Sul haverá 638 (498,87; 779,11) casos, seguido do Centro-Oeste e da região Norte, sendo 333 (IC: 301,05; 365,81) e 317 (IC: 273,73; 360,71) óbitos previstos, respectivamente. Os achados apontam uma tendência de crescimento linear de diagnóstico de LH em idosos em todas as regiões, com destaque para o Sudeste. A amplitude dos intervalos de confiança cresce ao longo do tempo, refletindo incertezas inerentes à modelagem e a possível insuficiência. Ainda, é perceptível que houve o aumento das mortes projetadas em todas as regiões, principalmente no Sudeste, refletindo maior contingente populacional idoso e possivelmente mais diagnósticos. O crescimento no Nordeste também é evidente, apresentando, tanto quanto no Sudeste, a necessidade de maior atenção onco-hematológica e medidas de prevenção de LH. A estabilidade relativa no Norte e Centro-Oeste pode mascarar subnotificações, tornando fundamentais estratégias regionais individualizadas. É importante destacar que há um viés de projeção no que diz respeito ao desenvolvimento de novas drogas para o tratamento de LH, uma vez que drogas, como pembrolizumabe e nivolumabe, têm grande impacto na sobrevida, porém, não estão disponíveis a todos os pacientes acometidos por LH. A projeção de mortalidade por LH em idosos até 2030 revela tendência crescente em todas as regiões brasileiras, especialmente Sudeste e Nordeste. Os dados evidenciam a importância de políticas públicas voltadas ao diagnóstico adequado, bem como da incorporação dos novos tratamentos no arsenal terapêutico fornecido pelo SUS.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104688
Primary Topic
Women's cancer prevention and management
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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article

PROJEÇÃO DE MORTALIDADE POR LINFOMA DE HODGKIN EM IDOSOS NO BRASIL: UMA ANÁLISE ECOLÓGICA

AO Almeida, VS Boff, GR Bosi
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Women's cancer prevention and management
article

PROJEÇÃO DE MORTALIDADE POR LINFOMA DE HODGKIN EM IDOSOS NO BRASIL: UMA ANÁLISE ECOLÓGICA

AO Almeida, VS Boff, GR Bosi
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Abstract

Linfoma de Hodgkin (LH) é uma neoplasia que, apesar dos avanços terapêuticos, apresenta impacto significativo na mortalidade de idosos. A vigilância epidemiológica é essencial para o planejamento de políticas públicas, sobretudo frente ao envelhecimento populacional no Brasil. A literatura é bem estabelecida em relação à evolução natural e aos tratamentos da doença, no entanto carece de projeções regionais de mortalidade, as quais podem direcionar investimentos em estratégias de prevenção e tratamento. Estimar as projeções de mortalidade por LH em idosos entre 2024 e 2030, segundo regiões demográficas, com base em dados históricos do DATASUS. Estudo ecológico descritivo com dados secundários de óbitos por LH em idosos (≥60 anos), extraídos do Sistema de Indicadores de Mortalidade do Departamento de informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Foram utilizadas séries temporais de 1996 a 2023 para modelagem e previsão da mortalidade até 2030, estratificadas por região (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Brasil). Aplicou-se o método de Suavização Exponencial (ETS - Error, Trend, Seasonal) com intervalos de confiança (IC) de 95% para as projeções. A projeção nacional do aumento de óbitos por LH em idosos é de, aproximadamente, 18%, sendo de 4.746 casos em 2023 para 5.604 (IC: 4.116,05; 7.092,94) em 2030. É previsto em algumas regiões, como a Sudeste e a Nordeste, os maiores números absolutos em 2030, sendo 2.696 (IC: 2.571,64; 2.820,64) e 1.367 (IC: 1.023,93; 1.711,6) óbitos, respectivamente. Na região Sul haverá 638 (498,87; 779,11) casos, seguido do Centro-Oeste e da região Norte, sendo 333 (IC: 301,05; 365,81) e 317 (IC: 273,73; 360,71) óbitos previstos, respectivamente. Os achados apontam uma tendência de crescimento linear de diagnóstico de LH em idosos em todas as regiões, com destaque para o Sudeste. A amplitude dos intervalos de confiança cresce ao longo do tempo, refletindo incertezas inerentes à modelagem e a possível insuficiência. Ainda, é perceptível que houve o aumento das mortes projetadas em todas as regiões, principalmente no Sudeste, refletindo maior contingente populacional idoso e possivelmente mais diagnósticos. O crescimento no Nordeste também é evidente, apresentando, tanto quanto no Sudeste, a necessidade de maior atenção onco-hematológica e medidas de prevenção de LH. A estabilidade relativa no Norte e Centro-Oeste pode mascarar subnotificações, tornando fundamentais estratégias regionais individualizadas. É importante destacar que há um viés de projeção no que diz respeito ao desenvolvimento de novas drogas para o tratamento de LH, uma vez que drogas, como pembrolizumabe e nivolumabe, têm grande impacto na sobrevida, porém, não estão disponíveis a todos os pacientes acometidos por LH. A projeção de mortalidade por LH em idosos até 2030 revela tendência crescente em todas as regiões brasileiras, especialmente Sudeste e Nordeste. Os dados evidenciam a importância de políticas públicas voltadas ao diagnóstico adequado, bem como da incorporação dos novos tratamentos no arsenal terapêutico fornecido pelo SUS.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade de Caxias do Sul (BR)
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Women's cancer prevention and management
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