HEMOBRÁS E A GESTÃO DO PLASMA BRASILEIRO: AVANÇOS E DESAFIOS

A Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), estatal vinculada ao Ministério da Saúde (MS), é responsável pelo fornecimento nacional de medicamentos hemoderivados e/ou obtidos por engenharia genética, destinados aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Criada pela Lei Federal n° 10.972/2004, reiniciou em 2011 a qualificação dos serviços de hemoterapia, com foco na coleta de plasma excedente e sua exportação para fracionamento. Entre 2017 e 2020, a gestão do plasma esteve sob responsabilidade do MS, sendo retomada pela Hemobrás por meio da Portaria MS n° 1.710/2020. Desde então, a empresa tem ampliado a qualificação da hemorrede e aumentado a captação de plasma na busca pela produção nacional de hemoderivados e redução da dependência externa. Apresentar o panorama atual da gestão do plasma brasileiro sob responsabilidade da Hemobrás, com ênfase nos avanços relacionados à qualificação da hemorrede e ao aumento do volume de plasma captado. Estudo descritivo baseado na análise de dados monitorados pelo Serviço de Relacionamento com a Hemorrede (SRH) da Hemobrás, referentes ao número de serviços auditados, qualificados e fornecedores ativos, bem como aos volumes de plasma coletados e exportados no período de 2022 a julho de 2025. Segundo a ANVISA, o Brasil possui 2.097 serviços de hemoterapia, dos quais 443 realizam coleta de sangue total (HC, HR, NH, UCT e UC). A estratégia de auditoria priorizou unidades com maior capacidade produtiva e disponibilidade de plasma excedente. Em 2022, com 25 serviços qualificados e 15 fornecedores, foram recolhidos e exportados mais de 50 mil litros de plasma. Em 2023, com 48 serviços qualificados e 46 fornecedores, esse volume ultrapassou 146 mil litros. Já em 2024, com 63 serviços qualificados e 59 fornecedores, o volume chegou a, aproximadamente, 200 mil litros recolhidos. Até julho de 2025, 115 serviços foram auditados em todo o país: 28 hemocentros coordenadores em 22 estados, 82 serviços de menor complexidade e 5 Centrais de Triagem Laboratorial de Doadores (CTLDs). Atualmente, dos 71 serviços qualificados como potenciais fornecedores, 61 (85%) já fornecem plasma à Hemobrás. A retomada das auditorias e a priorização de unidades com maior capacidade produtiva foram determinantes para o aumento expressivo do volume de plasma captado e exportado. Esse avanço fortalece a base nacional de matéria-prima para a produção de hemoderivados, contribuindo para a autossuficiência do país e a sustentabilidade do SUS. Contudo, desafios persistem, como o aumento da capacidade produtiva em etapas críticas (congelamento e armazenamento), a ampliação da captação em regiões de difícil acesso, a padronização dos processos de qualificação da hemorrede e a integração de serviços privados como parceiros e fornecedores. Superar essas barreiras é essencial para garantir a consolidação e expansão do programa nacional de hemoderivados. Nesse cenário, a Hemobrás reafirma seu papel estruturante no Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados (SINASAN). BRASIL. Lei n° 10.972, de 2 de dezembro de 2004. Dispõe sobre a criação da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia - HEMOBRÁS, e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 3 dez. 2004. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n° 1.710, de 8 de julho de 2020. Dispõe sobre a gestão do plasma excedente para fracionamento industrial. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 9 jul. 2020.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105898
Primary Topic
Blood donation and transfusion practices
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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article

HEMOBRÁS E A GESTÃO DO PLASMA BRASILEIRO: AVANÇOS E DESAFIOS

MPR Lima, LdA Dantas, AdO Quadros, RCA Aguiar et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood donation and transfusion practices
article

HEMOBRÁS E A GESTÃO DO PLASMA BRASILEIRO: AVANÇOS E DESAFIOS

MPR Lima, LdA Dantas, AdO Quadros, RCA Aguiar, ES Silva, FB Monteiro, SM Oliveira, GA Nascimento, R.P. Bastos
article en

Abstract

A Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), estatal vinculada ao Ministério da Saúde (MS), é responsável pelo fornecimento nacional de medicamentos hemoderivados e/ou obtidos por engenharia genética, destinados aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Criada pela Lei Federal n° 10.972/2004, reiniciou em 2011 a qualificação dos serviços de hemoterapia, com foco na coleta de plasma excedente e sua exportação para fracionamento. Entre 2017 e 2020, a gestão do plasma esteve sob responsabilidade do MS, sendo retomada pela Hemobrás por meio da Portaria MS n° 1.710/2020. Desde então, a empresa tem ampliado a qualificação da hemorrede e aumentado a captação de plasma na busca pela produção nacional de hemoderivados e redução da dependência externa. Apresentar o panorama atual da gestão do plasma brasileiro sob responsabilidade da Hemobrás, com ênfase nos avanços relacionados à qualificação da hemorrede e ao aumento do volume de plasma captado. Estudo descritivo baseado na análise de dados monitorados pelo Serviço de Relacionamento com a Hemorrede (SRH) da Hemobrás, referentes ao número de serviços auditados, qualificados e fornecedores ativos, bem como aos volumes de plasma coletados e exportados no período de 2022 a julho de 2025. Segundo a ANVISA, o Brasil possui 2.097 serviços de hemoterapia, dos quais 443 realizam coleta de sangue total (HC, HR, NH, UCT e UC). A estratégia de auditoria priorizou unidades com maior capacidade produtiva e disponibilidade de plasma excedente. Em 2022, com 25 serviços qualificados e 15 fornecedores, foram recolhidos e exportados mais de 50 mil litros de plasma. Em 2023, com 48 serviços qualificados e 46 fornecedores, esse volume ultrapassou 146 mil litros. Já em 2024, com 63 serviços qualificados e 59 fornecedores, o volume chegou a, aproximadamente, 200 mil litros recolhidos. Até julho de 2025, 115 serviços foram auditados em todo o país: 28 hemocentros coordenadores em 22 estados, 82 serviços de menor complexidade e 5 Centrais de Triagem Laboratorial de Doadores (CTLDs). Atualmente, dos 71 serviços qualificados como potenciais fornecedores, 61 (85%) já fornecem plasma à Hemobrás. A retomada das auditorias e a priorização de unidades com maior capacidade produtiva foram determinantes para o aumento expressivo do volume de plasma captado e exportado. Esse avanço fortalece a base nacional de matéria-prima para a produção de hemoderivados, contribuindo para a autossuficiência do país e a sustentabilidade do SUS. Contudo, desafios persistem, como o aumento da capacidade produtiva em etapas críticas (congelamento e armazenamento), a ampliação da captação em regiões de difícil acesso, a padronização dos processos de qualificação da hemorrede e a integração de serviços privados como parceiros e fornecedores. Superar essas barreiras é essencial para garantir a consolidação e expansão do programa nacional de hemoderivados. Nesse cenário, a Hemobrás reafirma seu papel estruturante no Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados (SINASAN). BRASIL. Lei n° 10.972, de 2 de dezembro de 2004. Dispõe sobre a criação da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia - HEMOBRÁS, e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 3 dez. 2004. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n° 1.710, de 8 de julho de 2020. Dispõe sobre a gestão do plasma excedente para fracionamento industrial. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 9 jul. 2020.

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