PERFIL DE DOADORES DESCARTADOS SUBJETIVAMENTE E AUTOEXCLUÍDOS EM UM BANCO DE SANGUE DE SP

A doação de sangue ocorre de forma voluntária e no Brasil corresponde a 1,6% da população. Efetivamente, o número torna-se ainda menor já que aproximadamente 15% dos candidatos não concluem a doação, devido a diretrizes relacionadas aos critérios básicos para aceitabilidade, com as quais alguns candidatos não se enquadram. Além disso, na fase inicial da doação, de forma confidencial, alguns serviços adotam estratégias para assegurar a confiabilidade e minimizar os riscos, como nos casos do voto de autoexclusão e do descarte subjetivo, onde, ao identificar potenciais riscos, o próprio doador ou os profissionais do serviço excluem o doador de maneira confidencial. Visando contribuir para a redução do descarte de doações e aumentar a efetividade do descarte subjetivo, foi avaliado o perfil epidemiológico dos doadores classificados como autoexclusão (AE) e descarte subjetivo (DS), assim como o descarte sorológico em cada grupo. Foram coletados, entre 02/2023 a 04/2025, dados de 29.429 doadores em um banco de sangue da cidade de São Paulo. Das informações obtidas sobre os doadores que se autoexcluíram ou foram descartados subjetivamente, foram avaliados: sexo, idade, se eram doadores de repetição ou de primeira vez no serviço, se convocados para reposição ou voluntários, e, no caso de reagentes nos testes sorológicos, qual o marcador sorológico associado. Dos 29.492 doadores, 49,5% eram do sexo masculino, com idade média de 41 anos, e 50,5% do sexo feminino, com idade média de 42 anos O descarte sorológico geral foi de 3,11%. Foram descartados subjetivamente (DS) 1,3% dos doadores, sendo 66,5% masculinos e 33,5% femininos, e, ao todo, 5,3% foram reagentes sorologicamente. Do perfil de doadores reagentes no DS: 75% eram do sexo masculino e 25% do sexo feminino, com faixa etária predominante maiores de 50 anos. Desses, 95% eram doadores de primeira vez no serviço, sendo 50% convocados para reposição e 50% doações voluntárias. Neste grupo, os marcadores sorológicos de maior incidência foram Sífilis (45%) e Hepatite B (35%). Já em relação aos doadores que se autoexcluíram, estes corresponderam a 1,9%, dos quais 64% eram masculinos e 36% femininos, sendo 3,3% reagentes sorologicamente. Do perfil de doadores reagentes AE: 62% eram do sexo masculino e 38% do sexo feminino, com a faixa etária predominante variando entre 30 a 49 anos. Desses, 90,5% eram doadores de primeira vez no serviço, sendo 76,2% convocados para reposição. Neste grupo, os marcadores sorológicos de maior incidência foram Sífilis (52,4%) e Hepatite B (0,84%). O serviço apresenta taxas semelhantes de doadores do sexo feminino e masculino, entretanto, observou-se maior incidência de doadores do sexo masculino nos doadores com descarte subjetivo e autoexclusão, assim como nos doadores com sorologia reagente. Os doadores classificados como descarte subjetivo apresentaram maior positividade sorológica, o que mostra uma triagem efetiva para redução do risco de transmissão. Não foi observado maior descarte sorológico nos doadores de autoexclusão. Por outro lado, doadores convocados apresentaram maior incidência de autoexclusão, demonstrando a importância da conscientização do doador quanto ao risco de transmissão de doença por transfusão durante uma convocação. Conhecendo o perfil desses doadores é possível desenvolver estratégias que promovam a divulgação de informações claras com foco nos doadores convocados para reposição a fim de reduzir as doações não efetivas.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105765
Primary Topic
Blood donation and transfusion practices
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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article

PERFIL DE DOADORES DESCARTADOS SUBJETIVAMENTE E AUTOEXCLUÍDOS EM UM BANCO DE SANGUE DE SP

FRM Latini, FL Lino, CB Costa, H.G.O Cavalcanti et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood donation and transfusion practices
article

PERFIL DE DOADORES DESCARTADOS SUBJETIVAMENTE E AUTOEXCLUÍDOS EM UM BANCO DE SANGUE DE SP

FRM Latini, FL Lino, CB Costa, H.G.O Cavalcanti, Gláucia Fernandes, CP Arnoni, AJP Cortez, JTS Tokunaga
article en

Abstract

A doação de sangue ocorre de forma voluntária e no Brasil corresponde a 1,6% da população. Efetivamente, o número torna-se ainda menor já que aproximadamente 15% dos candidatos não concluem a doação, devido a diretrizes relacionadas aos critérios básicos para aceitabilidade, com as quais alguns candidatos não se enquadram. Além disso, na fase inicial da doação, de forma confidencial, alguns serviços adotam estratégias para assegurar a confiabilidade e minimizar os riscos, como nos casos do voto de autoexclusão e do descarte subjetivo, onde, ao identificar potenciais riscos, o próprio doador ou os profissionais do serviço excluem o doador de maneira confidencial. Visando contribuir para a redução do descarte de doações e aumentar a efetividade do descarte subjetivo, foi avaliado o perfil epidemiológico dos doadores classificados como autoexclusão (AE) e descarte subjetivo (DS), assim como o descarte sorológico em cada grupo. Foram coletados, entre 02/2023 a 04/2025, dados de 29.429 doadores em um banco de sangue da cidade de São Paulo. Das informações obtidas sobre os doadores que se autoexcluíram ou foram descartados subjetivamente, foram avaliados: sexo, idade, se eram doadores de repetição ou de primeira vez no serviço, se convocados para reposição ou voluntários, e, no caso de reagentes nos testes sorológicos, qual o marcador sorológico associado. Dos 29.492 doadores, 49,5% eram do sexo masculino, com idade média de 41 anos, e 50,5% do sexo feminino, com idade média de 42 anos O descarte sorológico geral foi de 3,11%. Foram descartados subjetivamente (DS) 1,3% dos doadores, sendo 66,5% masculinos e 33,5% femininos, e, ao todo, 5,3% foram reagentes sorologicamente. Do perfil de doadores reagentes no DS: 75% eram do sexo masculino e 25% do sexo feminino, com faixa etária predominante maiores de 50 anos. Desses, 95% eram doadores de primeira vez no serviço, sendo 50% convocados para reposição e 50% doações voluntárias. Neste grupo, os marcadores sorológicos de maior incidência foram Sífilis (45%) e Hepatite B (35%). Já em relação aos doadores que se autoexcluíram, estes corresponderam a 1,9%, dos quais 64% eram masculinos e 36% femininos, sendo 3,3% reagentes sorologicamente. Do perfil de doadores reagentes AE: 62% eram do sexo masculino e 38% do sexo feminino, com a faixa etária predominante variando entre 30 a 49 anos. Desses, 90,5% eram doadores de primeira vez no serviço, sendo 76,2% convocados para reposição. Neste grupo, os marcadores sorológicos de maior incidência foram Sífilis (52,4%) e Hepatite B (0,84%). O serviço apresenta taxas semelhantes de doadores do sexo feminino e masculino, entretanto, observou-se maior incidência de doadores do sexo masculino nos doadores com descarte subjetivo e autoexclusão, assim como nos doadores com sorologia reagente. Os doadores classificados como descarte subjetivo apresentaram maior positividade sorológica, o que mostra uma triagem efetiva para redução do risco de transmissão. Não foi observado maior descarte sorológico nos doadores de autoexclusão. Por outro lado, doadores convocados apresentaram maior incidência de autoexclusão, demonstrando a importância da conscientização do doador quanto ao risco de transmissão de doença por transfusão durante uma convocação. Conhecendo o perfil desses doadores é possível desenvolver estratégias que promovam a divulgação de informações claras com foco nos doadores convocados para reposição a fim de reduzir as doações não efetivas.

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