AUMENTO DOS NEUTRÓfiLOS DE BAIXA DENSIDADE (LDNS) EM MULHERES COM ENDOMETRIOSE

A endometriose é uma doença inflamatória crônica e dependente de estrogênio, que afeta de 5% a 10% das mulheres em idade reprodutiva. Sua fisiopatologia é complexa e multifatorial, envolvendo alterações hormonais, imunológicas e inflamatórias. Dentre os componentes do sistema imune, os neutrófilos de baixa densidade (LDNs) vêm sendo apontados como potenciais mediadores inflamatórios em diversas condições autoimunes e inflamatórias crônicas. No contexto da endometriose, o papel dos LDNs ainda é pouco elucidado, embora sua ação pró-inflamatória possa contribuir para a manutenção do microambiente inflamatório peritoneal característico da doença. Quantificar os LDNs em pacientes com endometriose e compará-los aos valores obtidos em mulheres sem a doença. Trata-se de um estudo transversal, realizado com amostras de sangue periférico de 40 mulheres atendidas no laboratório de análises clínicas da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), sendo 16 diagnosticadas com endometriose e 24 sem a doença (grupo controle). As amostras foram processadas por gradiente de densidade utilizando Ficoll-Paque Plus para separação dos leucócitos, seguida de diluição em líquido de Türk e contagem dos LDNs em câmara de Neubauer. Foram incluídas apenas participantes com resultado negativo para proteína C reativa (PCR), a fim de excluir condições inflamatórias agudas no momento da coleta. As contagens de LDNs foram expressas em número de células por campo e os dados comparados estatisticamente entre os grupos. As análises revelaram uma contagem significativamente maior de neutrófilos de baixa densidade (LDNs) em pacientes com endometriose quando comparadas ao grupo controle. A média de LDNs por campo no grupo com endometriose foi de 36,56 (±18,15), enquanto no grupo controle foi de 22,27 (± 7,36). Foi aplicado o teste de Mann-Whitney U, que indicou diferença estatisticamente significativa entre os grupos (p = 0,001). Os dados obtidos demonstram aumento significativo na contagem de LDNs em mulheres com endometriose, sugerindo uma possível associação dessa subpopulação celular com a resposta inflamatória crônica observada na doença. Esses achados reforçam o potencial papel dos LDNs na fisiopatologia da endometriose, possivelmente contribuindo para o ambiente inflamatório característico da doença e indicam a necessidade de estudos adicionais para esclarecer seus mecanismos de atuação e implicações clínicas.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104262
Primary Topic
Endometriosis Research and Treatment
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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article

AUMENTO DOS NEUTRÓfiLOS DE BAIXA DENSIDADE (LDNS) EM MULHERES COM ENDOMETRIOSE

L. Arenas, Joilson O. Martins, Elyse Moritz, Anna Júlia Costa Lima et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Endometriosis Research and Treatment
article

AUMENTO DOS NEUTRÓfiLOS DE BAIXA DENSIDADE (LDNS) EM MULHERES COM ENDOMETRIOSE

L. Arenas, Joilson O. Martins, Elyse Moritz, Anna Júlia Costa Lima, PS Hackl, SL Veronezi
article en

Abstract

A endometriose é uma doença inflamatória crônica e dependente de estrogênio, que afeta de 5% a 10% das mulheres em idade reprodutiva. Sua fisiopatologia é complexa e multifatorial, envolvendo alterações hormonais, imunológicas e inflamatórias. Dentre os componentes do sistema imune, os neutrófilos de baixa densidade (LDNs) vêm sendo apontados como potenciais mediadores inflamatórios em diversas condições autoimunes e inflamatórias crônicas. No contexto da endometriose, o papel dos LDNs ainda é pouco elucidado, embora sua ação pró-inflamatória possa contribuir para a manutenção do microambiente inflamatório peritoneal característico da doença. Quantificar os LDNs em pacientes com endometriose e compará-los aos valores obtidos em mulheres sem a doença. Trata-se de um estudo transversal, realizado com amostras de sangue periférico de 40 mulheres atendidas no laboratório de análises clínicas da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), sendo 16 diagnosticadas com endometriose e 24 sem a doença (grupo controle). As amostras foram processadas por gradiente de densidade utilizando Ficoll-Paque Plus para separação dos leucócitos, seguida de diluição em líquido de Türk e contagem dos LDNs em câmara de Neubauer. Foram incluídas apenas participantes com resultado negativo para proteína C reativa (PCR), a fim de excluir condições inflamatórias agudas no momento da coleta. As contagens de LDNs foram expressas em número de células por campo e os dados comparados estatisticamente entre os grupos. As análises revelaram uma contagem significativamente maior de neutrófilos de baixa densidade (LDNs) em pacientes com endometriose quando comparadas ao grupo controle. A média de LDNs por campo no grupo com endometriose foi de 36,56 (±18,15), enquanto no grupo controle foi de 22,27 (± 7,36). Foi aplicado o teste de Mann-Whitney U, que indicou diferença estatisticamente significativa entre os grupos (p = 0,001). Os dados obtidos demonstram aumento significativo na contagem de LDNs em mulheres com endometriose, sugerindo uma possível associação dessa subpopulação celular com a resposta inflamatória crônica observada na doença. Esses achados reforçam o potencial papel dos LDNs na fisiopatologia da endometriose, possivelmente contribuindo para o ambiente inflamatório característico da doença e indicam a necessidade de estudos adicionais para esclarecer seus mecanismos de atuação e implicações clínicas.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Municipal de São Caetano do Sul (BR), Universidade Federal de São Paulo (BR)
Openalex Percentile: Top 59%
Endometriosis Research and Treatment
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