ESTUDO COMPARATIVO DOS PROTOCOLOS GBTLI E BFM EM UM CENTRO BRASILEIRO DE TRATAMENTO DE LEUCEMIA LINFOIDE AGUDA

A Leucemia Linfoblástica aguda (LLA) é a neoplasia maligna mais comum da infância, caracterizada por grande heterogeneidade clínica e prognóstica. Avanços nos protocolos terapêuticos, como GBTLI e BFM, resultaram em melhores taxas de sobrevida global, porém a recidiva precoce e os eventos infecciosos graves ainda constituem desafios significativos. Estudos internacionais destacam a relevância de fatores clínicos, laboratoriais e moleculares no desfecho, mas faltam análises nacionais comparando sistematicamente diferentes protocolos sob o contexto real brasileiro. Este estudo visa comparar os desfechos clínicos e laboratoriais de pacientes pediátricos com LLA tratados pelos protocolos GBTLI e BFM, identificando fatores associados à recidiva, mortalidade, necessidade de internação em unidade de terapia intensiva e transplante de medula óssea. Realizou-se estudo retrospectivo observacional, incluindo 163 pacientes pediátricos com LLA tratados em centro de referência entre 2010 e 2024. Variáveis demográficas, clínicas e laboratoriais foram coletadas de prontuários eletrônicos. A análise estatística incluiu testes de Mann-Whitney, Qui-Quadrado, correlação de Spearman, curvas de Kaplan-Meier e teste de log-rank para sobrevida global. O nível de significância adotado foi p < 0,05. Dos 163 pacientes, 70 receberam GBTLI e 92 receberam BFM. Os grupos apresentaram distribuição semelhante de sexo e idade. Foi evidenciado que as necessidades de internação em unidade de terapia intensiva e de realização de transplante de medula óssea não marcaram diferença considerável entre os protocolos, com (p= 0,38) e (p=0,67), respectivamente. Porém, o grupo GBTLI apresentou incidência de recidiva consideravelmente maior (n = 35 vs . n =15 no BFM), resultando em p<0,001. Tais recidivas verificadas no GBTLI ocorreram em média após 32,5 meses, em comparação com a média do BFM de 23,6 meses, p = 0,042. O estudo também apontou maior incidência de óbitos com o uso do protocolo GBTLI: 34 óbitos em 68 pacientes, ou 50%; em comparação ao BFM: 32 óbitos em 90 pacientes, ou 35,6%, gerando um valor de p=0,06. Vale ressaltar, que os pacientes GBTLI que vieram a óbito tiveram média de sobrevida de 32,9 meses (erro padrão = 5,1), enquanto os óbitos registrados pelo grupo BFM ocorreram em uma média de 8,6 meses (erro padrão = 1,7). O protocolo GBTLI foi associado a um maior tempo até a recidiva e maior média de sobrevida em se tratando dos óbitos, porém os achados reforçam a importância do protocolo BFM para menor taxa de recidiva e mortalidade global independentemente das características clínicas iniciais. É fundamental considerar que, à luz dos resultados observados, há uma possível associação entre o protocolo de tratamento e a mortalidade dos pacientes, justificando investigações adicionais com amostras ampliadas ou análises multivariadas. Em contextos clínicos, onde cada vida importa, tendências como esta não devem ser desconsideradas e merecem atenção cuidadosa na tomada de decisão terapêutica e no planejamento de futuras pesquisas. Limitações do estudo incluem o delineamento retrospectivo e possíveis vieses institucionais. Estes resultados destacam a necessidade de estratégias para redução de recidiva e mortalidade infecciosa. Estudos prospectivos multicêntricos e com análises multivariadas são recomendados para aprofundar a compreensão dos fatores prognósticos no contexto brasileiro.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105107
Primary Topic
Acute Lymphoblastic Leukemia research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
JAN
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MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

ESTUDO COMPARATIVO DOS PROTOCOLOS GBTLI E BFM EM UM CENTRO BRASILEIRO DE TRATAMENTO DE LEUCEMIA LINFOIDE AGUDA

CEC Oliveira, Luiz Alberto Machado, FC Trigo, L. A. D. Machado et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Lymphoblastic Leukemia research
article

ESTUDO COMPARATIVO DOS PROTOCOLOS GBTLI E BFM EM UM CENTRO BRASILEIRO DE TRATAMENTO DE LEUCEMIA LINFOIDE AGUDA

CEC Oliveira, Luiz Alberto Machado, FC Trigo, L. A. D. Machado, FL Tunouti
article en

Abstract

A Leucemia Linfoblástica aguda (LLA) é a neoplasia maligna mais comum da infância, caracterizada por grande heterogeneidade clínica e prognóstica. Avanços nos protocolos terapêuticos, como GBTLI e BFM, resultaram em melhores taxas de sobrevida global, porém a recidiva precoce e os eventos infecciosos graves ainda constituem desafios significativos. Estudos internacionais destacam a relevância de fatores clínicos, laboratoriais e moleculares no desfecho, mas faltam análises nacionais comparando sistematicamente diferentes protocolos sob o contexto real brasileiro. Este estudo visa comparar os desfechos clínicos e laboratoriais de pacientes pediátricos com LLA tratados pelos protocolos GBTLI e BFM, identificando fatores associados à recidiva, mortalidade, necessidade de internação em unidade de terapia intensiva e transplante de medula óssea. Realizou-se estudo retrospectivo observacional, incluindo 163 pacientes pediátricos com LLA tratados em centro de referência entre 2010 e 2024. Variáveis demográficas, clínicas e laboratoriais foram coletadas de prontuários eletrônicos. A análise estatística incluiu testes de Mann-Whitney, Qui-Quadrado, correlação de Spearman, curvas de Kaplan-Meier e teste de log-rank para sobrevida global. O nível de significância adotado foi p < 0,05. Dos 163 pacientes, 70 receberam GBTLI e 92 receberam BFM. Os grupos apresentaram distribuição semelhante de sexo e idade. Foi evidenciado que as necessidades de internação em unidade de terapia intensiva e de realização de transplante de medula óssea não marcaram diferença considerável entre os protocolos, com (p= 0,38) e (p=0,67), respectivamente. Porém, o grupo GBTLI apresentou incidência de recidiva consideravelmente maior (n = 35 vs . n =15 no BFM), resultando em p<0,001. Tais recidivas verificadas no GBTLI ocorreram em média após 32,5 meses, em comparação com a média do BFM de 23,6 meses, p = 0,042. O estudo também apontou maior incidência de óbitos com o uso do protocolo GBTLI: 34 óbitos em 68 pacientes, ou 50%; em comparação ao BFM: 32 óbitos em 90 pacientes, ou 35,6%, gerando um valor de p=0,06. Vale ressaltar, que os pacientes GBTLI que vieram a óbito tiveram média de sobrevida de 32,9 meses (erro padrão = 5,1), enquanto os óbitos registrados pelo grupo BFM ocorreram em uma média de 8,6 meses (erro padrão = 1,7). O protocolo GBTLI foi associado a um maior tempo até a recidiva e maior média de sobrevida em se tratando dos óbitos, porém os achados reforçam a importância do protocolo BFM para menor taxa de recidiva e mortalidade global independentemente das características clínicas iniciais. É fundamental considerar que, à luz dos resultados observados, há uma possível associação entre o protocolo de tratamento e a mortalidade dos pacientes, justificando investigações adicionais com amostras ampliadas ou análises multivariadas. Em contextos clínicos, onde cada vida importa, tendências como esta não devem ser desconsideradas e merecem atenção cuidadosa na tomada de decisão terapêutica e no planejamento de futuras pesquisas. Limitações do estudo incluem o delineamento retrospectivo e possíveis vieses institucionais. Estes resultados destacam a necessidade de estratégias para redução de recidiva e mortalidade infecciosa. Estudos prospectivos multicêntricos e com análises multivariadas são recomendados para aprofundar a compreensão dos fatores prognósticos no contexto brasileiro.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual de Londrina (BR), Pontifícia Universidade Católica do Paraná (BR)
Openalex Percentile: Top 58%
Acute Lymphoblastic Leukemia research
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