LIPOPERÓXIDOS COMO MARCADORES PROGNÓSTICOS EM PACIENTES PEDIÁTRICOS COM LEUCEMIA LINFOCÍTICA AGUDA B SUBMETIDOS A QUIMIOTERAPIA DE INDUÇÃO
A Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) é a neoplasia mais comum na infância, com um terço das neoplasias malignas nessa faixa.[1] A variante Leucemia Linfoblástica Aguda tipo B (LLA-B), responsável por 85% dos casos, ainda tem fisiopatologia pouco compreendida.[2]. O estresse oxidativo estimula a proliferação celular e favorece a evasão da morte induzida por quimioterapia.[3] A lipoperoxidação, causada por radicais livres, é uma importante via de estresse oxidativo e pode contribuir para o câncer, embora seu papel na LLA ainda não esteja claro. Analisar níveis de lipoperóxidos em pacientes pediátricos com LLA-B em quimioterapia de indução e sua relação com parâmetros clínicos. Estudo aprovado pelo Comitê de Ética (24498213.0.0000.5231) incluiu 317 amostras de sangue periférico de 40 pacientes portadores de LLA-B, 0 a 20 anos, de ambos os sexos, tratados em um hospital público de câncer pediátrico no norte do Paraná. Utilizou-se tert- butil hidroperóxido para induzir peroxidação em plasma, quantificada por quimioluminescência em luminômetro. Análises no GraphPad Prism 9.0. Testes de Mann-Whitney e t de Student, p ≤ 0,05. Curva ROC avaliou o potencial discriminatório dos lipoperóxidos. Pacientes < 10 anos apresentaram maiores níveis de lipoperóxidos (mediana 1,51 × 10⁶ RLU) que ≥ 10 anos (mediana 8,63 × 10 5 , p = 0,056). Valores altos foram observados em casos com recidiva (p = 0,0528), óbito (p = 0,0554), internação (p = 0,0316) e plaquetas > 50.000 mm 3 (p = 0,0405). A curva ROC demonstrou boa discriminação para pacientes em tratamento (p = 0,0168), com sensibilidade de 92,31% e especificidade de 71,43%. Este estudo demonstrou que os níveis de peroxidação lipídica variam conforme fatores prognósticos, distinguindo pacientes em quimioterapia daqueles sem tratamento. Esse achado inédito amplia o conhecimento sobre o papel do estresse oxidativo na LLA-B. Assim, pacientes pediátricos < 10 anos apresentaram maior estresse oxidativo, devido ao estado hipermetabólico da doença e a produção aumentada de Espécies Reativas de Oxigênio (EROs),[5,6] que promovem progressão tumoral e reduzem defesas antioxidantes.[7] A quimioterapia, por sua vez, aumenta a geração EROs via mitocondrial, causando danos a biomoléculas, toxicidade sistêmica e redução da eficácia terapêutica,[8-10] o que pode explicar o aumento de lipoperóxidos observado. Pacientes em alta hospitalar apresentaram menor peroxidação, indicando melhora metabólica e resposta favorável ao tratamento.[6] Indivíduos com plaquetas ≥ 50.000 mm 3 , apesar de favorável, apresentam níveis elevados de lipoperoxidação que podem afetar a coagulação e o desfecho. A partir da análise da ROC, com a sensibilidade (92,31%), a especificidade (71,43%) e a razão de verossimilhança positiva de 3,231, foi capaz de discriminar pacientes em terapia daqueles sem tratamento. Assim, os lipoperóxidos representam possíveis biomarcadores do monitoramento terapêutico e prognóstico da LLA B pediátrica.
Authors
- Carolina Panis (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0104-4369)
- Ana Maria Teixeira Pires (ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4666-1122)
- L. F. C. Rezende (ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2569-9797)
- Daniel Rech (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2654-4562)
- Rosa Milagros Santos (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5714-4836)
- B Yukie Koizumi
- Lorena Stéfani dos Santos Souza
- Rafael Gomes Paz (ORCID: https://orcid.org/0009-0003-3666-2399)
- Ricardo Nogueira Vincensi
- E Cesar Oyama
Institutions
- Universidade Estadual do Oeste do Paraná (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105421
- Primary Topic
- Childhood Cancer Survivors' Quality of Life
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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