LEUCEMIA PROMIELOCÍTICA AGUDA COM MANIFESTAÇÃO CUTÂNEA SINDROME DE SWEET

O objetivo principal deste relato é detalhar uma manifestaçao cutânea atípica durante quimioterapia de indução em pacientes com LPA de risco intermediário. Paciente do sexo feminino, 45 anos, história de câncer de mama tratada com RT e uso de Tomoxifeno admitida no serviço de hematologia com quadro de pancitopenia, equimoses espontâneas em coxas, sangramento gengival, hematoquezia e emagrecimento de 5 kg em 15 dias. O exame físico inicial demonstrou palidez cutâneo- mucosa, febre e hipotensão. Hemograma com anemia (Hb 7,4 g/dL), leucopenia (760 leucócitos/µL) com presença de 7% de peomielócitos e plaquetopenia (56.000/µL). A investigação medular confirmou o diagnóstico de LPA, com mielograma e biópsia evidenciando hipercelularidade (89,1%) e proliferação de promielócitos atípicos. A imunofenotipagem identificou fenótipos compatíveis (CD13++, CD33++, CD117+, cMPO++), cariótipo 46,XX,t(15;17)(q24;q21)[14]/46,XX[2] e a pesquisa molecular confirmou a translocação PML-RARA, enquanto outros marcadores como BCR-ABL, FLT3 e NPM1 foram negativos. A paciente iniciou à indução quimioterápica com ATRA (45 mg/m 2 ) e daunorrubicina (110 mg em dias alternados totalizando 4 doses), com pausa temporária do ATRA por 3 dias devido ao aparecimento de placas eritematosas de aspecto vesicular em pele que evoluíram para nódulos dolorosos eritematosos em membro superiores, região cervical e pé direito associado a febre e intensa dor local. A biópsia identificou infiltrado neutrofílico intenso, sendo achado sugestivo de Síndrome de Sweet e afastado outras causas como infeções de partes moles e vasculite. Tratada com prednisona 40 mg/dia por 6 dias, com melhora clínica e cutânea significativa e cessação da febre. Ainda no cenário de indução a paciente evoluiu com trombose venosa superficial em veia cefalica de membro superior direito, necessitando uso de anticoagulaçao. Atualmente, a paciente encontra-se estável, afebril, com regressão das lesões cutâneas, após termino da indução. O caso ilustra o desafio diagnóstico de uma manifestação cutânea atípica em contexto de uma indução quimioterápica de leucemia promielocítica aguda, com uso de drogas que podem cursar com farmacodermia, imunossupressão e infecções além de eventos imunológicos e trombóticos associados. A Síndrome de Sweet é uma doença inflamatória rara, caracterizada pelo surgimento abrupto de lesões cutâneas dolorosas (placas ou nódulos eritematosos, edematosos, com aspecto "pseudo vesicular") associadas a febre, leucocitose e infiltrado neutrófilico denso na pele. Foi descrita pela primeira vez em 1964 por Robert Sweet, sendo considerada uma reação de hipersensibilidade a estímulos variados, como infecções, neoplasias ou medicamentos. As principais manifestações inclui lesões cutâneas de aspecto a placas vermelhas ou púrpuras, bem demarcadas, frequentemente em face, pescoço, membros superiores e tronco (simulando infecções ou vasculite), febre (50-80% dos casos), dor local e artralgia. Pode acometer também mucosas levando a manifestações conjuntivais e orais. Confirmam o diagnóstico critérios clínicos e histopatólogicos e a exclusão de outras causas (infecções, vasculite, pioderma gangrenoso).

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104438
Primary Topic
Chemotherapy-related skin toxicity
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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OCT
article

LEUCEMIA PROMIELOCÍTICA AGUDA COM MANIFESTAÇÃO CUTÂNEA SINDROME DE SWEET

Lucas Coutinho Reis, Josilene Aires Moreira, PA Henriques Pedretti, Margarida Liz Martins et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Chemotherapy-related skin toxicity
article

LEUCEMIA PROMIELOCÍTICA AGUDA COM MANIFESTAÇÃO CUTÂNEA SINDROME DE SWEET

Lucas Coutinho Reis, Josilene Aires Moreira, PA Henriques Pedretti, Margarida Liz Martins, Talita Rossi Botim, Patrícia Abreu, Anna Caroline Avila da Rocha, Fernando Mesquita, PS Ribeiro Mafra
article en

Abstract

O objetivo principal deste relato é detalhar uma manifestaçao cutânea atípica durante quimioterapia de indução em pacientes com LPA de risco intermediário. Paciente do sexo feminino, 45 anos, história de câncer de mama tratada com RT e uso de Tomoxifeno admitida no serviço de hematologia com quadro de pancitopenia, equimoses espontâneas em coxas, sangramento gengival, hematoquezia e emagrecimento de 5 kg em 15 dias. O exame físico inicial demonstrou palidez cutâneo- mucosa, febre e hipotensão. Hemograma com anemia (Hb 7,4 g/dL), leucopenia (760 leucócitos/µL) com presença de 7% de peomielócitos e plaquetopenia (56.000/µL). A investigação medular confirmou o diagnóstico de LPA, com mielograma e biópsia evidenciando hipercelularidade (89,1%) e proliferação de promielócitos atípicos. A imunofenotipagem identificou fenótipos compatíveis (CD13++, CD33++, CD117+, cMPO++), cariótipo 46,XX,t(15;17)(q24;q21)[14]/46,XX[2] e a pesquisa molecular confirmou a translocação PML-RARA, enquanto outros marcadores como BCR-ABL, FLT3 e NPM1 foram negativos. A paciente iniciou à indução quimioterápica com ATRA (45 mg/m 2 ) e daunorrubicina (110 mg em dias alternados totalizando 4 doses), com pausa temporária do ATRA por 3 dias devido ao aparecimento de placas eritematosas de aspecto vesicular em pele que evoluíram para nódulos dolorosos eritematosos em membro superiores, região cervical e pé direito associado a febre e intensa dor local. A biópsia identificou infiltrado neutrofílico intenso, sendo achado sugestivo de Síndrome de Sweet e afastado outras causas como infeções de partes moles e vasculite. Tratada com prednisona 40 mg/dia por 6 dias, com melhora clínica e cutânea significativa e cessação da febre. Ainda no cenário de indução a paciente evoluiu com trombose venosa superficial em veia cefalica de membro superior direito, necessitando uso de anticoagulaçao. Atualmente, a paciente encontra-se estável, afebril, com regressão das lesões cutâneas, após termino da indução. O caso ilustra o desafio diagnóstico de uma manifestação cutânea atípica em contexto de uma indução quimioterápica de leucemia promielocítica aguda, com uso de drogas que podem cursar com farmacodermia, imunossupressão e infecções além de eventos imunológicos e trombóticos associados. A Síndrome de Sweet é uma doença inflamatória rara, caracterizada pelo surgimento abrupto de lesões cutâneas dolorosas (placas ou nódulos eritematosos, edematosos, com aspecto "pseudo vesicular") associadas a febre, leucocitose e infiltrado neutrófilico denso na pele. Foi descrita pela primeira vez em 1964 por Robert Sweet, sendo considerada uma reação de hipersensibilidade a estímulos variados, como infecções, neoplasias ou medicamentos. As principais manifestações inclui lesões cutâneas de aspecto a placas vermelhas ou púrpuras, bem demarcadas, frequentemente em face, pescoço, membros superiores e tronco (simulando infecções ou vasculite), febre (50-80% dos casos), dor local e artralgia. Pode acometer também mucosas levando a manifestações conjuntivais e orais. Confirmam o diagnóstico critérios clínicos e histopatólogicos e a exclusão de outras causas (infecções, vasculite, pioderma gangrenoso).

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (BR), Hospital Universitário - Universidade Federal de Juiz de Fora (BR)
Openalex Percentile: Top 48%
Chemotherapy-related skin toxicity
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