ADMINISTRAÇÃO DE HEMOCOMPONENTES NO PERÍODO NOTURNO: UMA ANÁLISE DE RISCO EM AMBIENTES COM BAIXA VIGILÂNCIA CLÍNICA

A transfusão de sangue, embora importante e cada vez mais segura, ainda apresenta riscos ao paciente. Segundo a Portaria da Consolidação n° 05/2017 do Ministério da Saúde, preferencialmente, as transfusões devem ocorrer no período diurno. Esta recomendação baseia-se na probabilidade de eventos adversos associados a baixa vigilância no período da noite em setores fora das unidades fechadas e emergências. A transfusão noturna também pode afetar o ciclo circadiano do paciente impactando negativamente na sua recuperação. Avaliar o perfil dos pacientes que receberam transfusões no período noturno (entre 19h e 07h) em enfermarias e/ou quartos nos anos de 2019 a 2024 em três Hospitais Privados do Rio de Janeiro e criar estratégias e protocolos para garantir mais segurança aos atendimentos. Estudo retrospectivo e observacional realizado por meio de análise dos registros de transfusões noturnas em setores de baixa vigilância e nos prontuários dos pacientes internados nos Hospitais Casa de Portugal, Casa Evangélico e Casa de Câncer no Rio de Janeiro – RJ. No período de 2019 a 2024, foram registrados 314 hemocomponentes transfundidos durante o período noturno nos hospitais envolvidos no estudo. Desse total, apenas 98 hemocomponentes (31,2%) apresentavam justificativa compatível de iniciar a transfusão em período já avançado, como por exemplo a instabilidade clínica dos pacientes. Dentre os principais motivos das solicitações tardias destacam-se atrasos na liberação do resultado do laboratório, falha e atraso em comunicar sobre a transfusão ao banco de sangue por parte da equipe assistencial e falta do hemocomponente solicitado em estoque. As reações transfusionais podem ocorrer durante a infusão da bolsa ou após a finalização dela. Por isso, a transfusão noturna em setores de baixa vigilância é um agravante para essa situação já que a maioria dos pacientes nesses setores não possui monitoramento constante dos sinais vitais e a capacidade de assistência médica e de enfermagem também é reduzida nesses horários. Mais da metade (68,8%) das transfusões realizadas a noite poderiam ter sido iniciadas no período diurno, evitando qualquer falha no monitoramento ou atraso na assistência. Apenas 31,2% das transfusões foram baseadas na instabilidade clínica dos pacientes, sendo alguns transferidos para unidades fechadas. Para evitar este excesso de transfusões noturnas sem indicação, algumas estratégias podem ser adotadas como a capacitação e treinamento das equipes médicas e de enfermagem visando a implementação de protocolos claros e padronizados, a utilização de sistemas eletrônicos de solicitação de transfusão que permitam a sinalização rápida e controlada de pedidos, com alertas ou validações automáticas para o período noturno, evitando assim atrasos no atendimento e a discussão de casos com o hemoterapeuta do hospital. Reconhecer os fatores de risco para reações relacionadas a transfusões e avaliar o quadro clínico de cada paciente, programando a solicitação para um momento mais oportuno, podem garantir não apenas uma transfusão mais segura como mais bem aproveitada. Portanto, como boa prática transfusional, a equipe médica deve avaliar a necessidade e urgência de seguir com uma transfusão noturna ou aguardar o dia subsequente.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105972
Primary Topic
Blood transfusion and management
Type
article
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ADMINISTRAÇÃO DE HEMOCOMPONENTES NO PERÍODO NOTURNO: UMA ANÁLISE DE RISCO EM AMBIENTES COM BAIXA VIGILÂNCIA CLÍNICA

KB Fonseca, Kalynne Kellem Barros dos Santos, ALA Magno, BNM do Couto
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood transfusion and management
article

ADMINISTRAÇÃO DE HEMOCOMPONENTES NO PERÍODO NOTURNO: UMA ANÁLISE DE RISCO EM AMBIENTES COM BAIXA VIGILÂNCIA CLÍNICA

KB Fonseca, Kalynne Kellem Barros dos Santos, ALA Magno, BNM do Couto
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Abstract

A transfusão de sangue, embora importante e cada vez mais segura, ainda apresenta riscos ao paciente. Segundo a Portaria da Consolidação n° 05/2017 do Ministério da Saúde, preferencialmente, as transfusões devem ocorrer no período diurno. Esta recomendação baseia-se na probabilidade de eventos adversos associados a baixa vigilância no período da noite em setores fora das unidades fechadas e emergências. A transfusão noturna também pode afetar o ciclo circadiano do paciente impactando negativamente na sua recuperação. Avaliar o perfil dos pacientes que receberam transfusões no período noturno (entre 19h e 07h) em enfermarias e/ou quartos nos anos de 2019 a 2024 em três Hospitais Privados do Rio de Janeiro e criar estratégias e protocolos para garantir mais segurança aos atendimentos. Estudo retrospectivo e observacional realizado por meio de análise dos registros de transfusões noturnas em setores de baixa vigilância e nos prontuários dos pacientes internados nos Hospitais Casa de Portugal, Casa Evangélico e Casa de Câncer no Rio de Janeiro – RJ. No período de 2019 a 2024, foram registrados 314 hemocomponentes transfundidos durante o período noturno nos hospitais envolvidos no estudo. Desse total, apenas 98 hemocomponentes (31,2%) apresentavam justificativa compatível de iniciar a transfusão em período já avançado, como por exemplo a instabilidade clínica dos pacientes. Dentre os principais motivos das solicitações tardias destacam-se atrasos na liberação do resultado do laboratório, falha e atraso em comunicar sobre a transfusão ao banco de sangue por parte da equipe assistencial e falta do hemocomponente solicitado em estoque. As reações transfusionais podem ocorrer durante a infusão da bolsa ou após a finalização dela. Por isso, a transfusão noturna em setores de baixa vigilância é um agravante para essa situação já que a maioria dos pacientes nesses setores não possui monitoramento constante dos sinais vitais e a capacidade de assistência médica e de enfermagem também é reduzida nesses horários. Mais da metade (68,8%) das transfusões realizadas a noite poderiam ter sido iniciadas no período diurno, evitando qualquer falha no monitoramento ou atraso na assistência. Apenas 31,2% das transfusões foram baseadas na instabilidade clínica dos pacientes, sendo alguns transferidos para unidades fechadas. Para evitar este excesso de transfusões noturnas sem indicação, algumas estratégias podem ser adotadas como a capacitação e treinamento das equipes médicas e de enfermagem visando a implementação de protocolos claros e padronizados, a utilização de sistemas eletrônicos de solicitação de transfusão que permitam a sinalização rápida e controlada de pedidos, com alertas ou validações automáticas para o período noturno, evitando assim atrasos no atendimento e a discussão de casos com o hemoterapeuta do hospital. Reconhecer os fatores de risco para reações relacionadas a transfusões e avaliar o quadro clínico de cada paciente, programando a solicitação para um momento mais oportuno, podem garantir não apenas uma transfusão mais segura como mais bem aproveitada. Portanto, como boa prática transfusional, a equipe médica deve avaliar a necessidade e urgência de seguir com uma transfusão noturna ou aguardar o dia subsequente.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Grupo Hospitalar Conceição (BR)
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Blood transfusion and management
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