LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA (LLA) EARLY-T – ENTIDADE COM PROGNÓSTICO AINDA RESERVADO

A LLA early-T consiste em um subtipo de LLA de linhagem T (perfazendo 12-15% do total destas), que se caracteriza pela expressão imunofenotípica de pelo menos 1 marcador de linhagem mieloide/ célula tronco, além de um prognóstico no geral mais reservado do que as outras LLAs T. Paciente do sexo feminino, 28 anos, interna em julho/24 na UTI do Hospital Nossa Senhora da Conceição, transferida de UPA regional, já em ventilação mecânica e uso de droga vasoativa por choque circulatório. Ao laboratório inicial, anemia extremamente severa (Hb: 1,4), plaquetopenia e hiperleucocitose com predomínio de blastos. Realizado aspirado de medula, sendo confirmado LLA – com imunofenótipo T precoce (early-T) - positividade forte para CD7, CD3 (citoplasmático) e HLADR. Cariótipo descreve 46,XX,del(6),t(10;11), achado que pode inferir rearranjo entre os genes TET1 no cromossomo 10 com o gene KMT2A(MLL) no cromossomo 11 - considerado de alto risco. Iniciado, ainda com paciente em ventilação mecânica, pré-fase do protocolo GRAALL (protocolo padrão da instituição para tratamento de LLA em adultos jovens). Evolui com melhora progressiva das disfunções orgânicas - recuperação de função renal, estabilidade hemodinâmica, extubação bem sucedida. Ao fim da pré- fase, paciente sem blastos em sangue periférico. Ao fim da indução, paciente em remissão completa com DRM (doença residual mínima) negativa. Interna para 1ª consolidação GRAALL e, 2 dias após internação, cursa com reaparecimento de blastos em sangue periférico. Realizado aspirado de medula, confirmando recaída de leucemia aguda, porém com imunofenótipo diferente do inicial: positividade forte para CD13, CD33, CD117, e mantendo positividade para CD7 – indagando-se inclusive se tratar de clone leucêmico distinto do original (imunofenótipo sobreponível ao de LMA com mínima diferenciação). Considerando tratar-se de LLA early-T, manejada como recaída de doença. Procedido protocolo de resgate com ida-FLAG; evolui com neutropenia febril após 5 dias do início do protocolo, com necessidade de admissão em leito de UTI e evoluindo com óbito, 7 dias após início do protocolo de resgate. É conhecido, na LLA early-T, a ocorrência de imunofenótipo com positividade para marcadores de linhagem mieloide (como o caso em questão) ou mesmo de células tronco, demonstrando a natureza imatura desta entidade. Apesar de ser considerada entidade distinta, o tratamento consiste em esquemas quimioterápicos utilizados para tratamento dos outros subtipos de LLAs, com indicação bem estabelecida de transplante de células-tronco hematopoéticas alogênico na primeira remissão completa (seu diagnóstico já classifica a LLA como de alto risco). Além disso, o presente relato visa demonstrar a fundamental importância da citometria de fluxo, tanto para correta identificação imunofenotípica do clone leucêmico ao diagnóstico quanto para futuras comparações em potenciais recaídas.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104574
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA (LLA) EARLY-T – ENTIDADE COM PROGNÓSTICO AINDA RESERVADO

BM Ribeiro, LR Soares, LCG Trindade, ME Zanella Capra et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA (LLA) EARLY-T – ENTIDADE COM PROGNÓSTICO AINDA RESERVADO

BM Ribeiro, LR Soares, LCG Trindade, ME Zanella Capra, FL Moreno, Rone Antônio Alves de Abreu, B. Hack, AC Fenili, TB Soares, MO Ughini, CL Ribeiro
article en

Abstract

A LLA early-T consiste em um subtipo de LLA de linhagem T (perfazendo 12-15% do total destas), que se caracteriza pela expressão imunofenotípica de pelo menos 1 marcador de linhagem mieloide/ célula tronco, além de um prognóstico no geral mais reservado do que as outras LLAs T. Paciente do sexo feminino, 28 anos, interna em julho/24 na UTI do Hospital Nossa Senhora da Conceição, transferida de UPA regional, já em ventilação mecânica e uso de droga vasoativa por choque circulatório. Ao laboratório inicial, anemia extremamente severa (Hb: 1,4), plaquetopenia e hiperleucocitose com predomínio de blastos. Realizado aspirado de medula, sendo confirmado LLA – com imunofenótipo T precoce (early-T) - positividade forte para CD7, CD3 (citoplasmático) e HLADR. Cariótipo descreve 46,XX,del(6),t(10;11), achado que pode inferir rearranjo entre os genes TET1 no cromossomo 10 com o gene KMT2A(MLL) no cromossomo 11 - considerado de alto risco. Iniciado, ainda com paciente em ventilação mecânica, pré-fase do protocolo GRAALL (protocolo padrão da instituição para tratamento de LLA em adultos jovens). Evolui com melhora progressiva das disfunções orgânicas - recuperação de função renal, estabilidade hemodinâmica, extubação bem sucedida. Ao fim da pré- fase, paciente sem blastos em sangue periférico. Ao fim da indução, paciente em remissão completa com DRM (doença residual mínima) negativa. Interna para 1ª consolidação GRAALL e, 2 dias após internação, cursa com reaparecimento de blastos em sangue periférico. Realizado aspirado de medula, confirmando recaída de leucemia aguda, porém com imunofenótipo diferente do inicial: positividade forte para CD13, CD33, CD117, e mantendo positividade para CD7 – indagando-se inclusive se tratar de clone leucêmico distinto do original (imunofenótipo sobreponível ao de LMA com mínima diferenciação). Considerando tratar-se de LLA early-T, manejada como recaída de doença. Procedido protocolo de resgate com ida-FLAG; evolui com neutropenia febril após 5 dias do início do protocolo, com necessidade de admissão em leito de UTI e evoluindo com óbito, 7 dias após início do protocolo de resgate. É conhecido, na LLA early-T, a ocorrência de imunofenótipo com positividade para marcadores de linhagem mieloide (como o caso em questão) ou mesmo de células tronco, demonstrando a natureza imatura desta entidade. Apesar de ser considerada entidade distinta, o tratamento consiste em esquemas quimioterápicos utilizados para tratamento dos outros subtipos de LLAs, com indicação bem estabelecida de transplante de células-tronco hematopoéticas alogênico na primeira remissão completa (seu diagnóstico já classifica a LLA como de alto risco). Além disso, o presente relato visa demonstrar a fundamental importância da citometria de fluxo, tanto para correta identificação imunofenotípica do clone leucêmico ao diagnóstico quanto para futuras comparações em potenciais recaídas.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Hospital Nossa Senhora da Conceição (BR)
Openalex Percentile: Top 59%
Acute Myeloid Leukemia Research
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