CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E DESFECHOS TERAPÊUTICOS DOS PACIENTES COM LINFOMA PRIMÁRIO EXTRANODAL TRATADOS EM UM CENTRO DE REFERÊNCIA NO BRASIL

Linfomas primários extranodais (LPE) são linfomas não-Hodgkin (LNH) cujo envolvimento inicial e predominante ocorre fora dos linfonodos, afetando diversos órgãos e tecidos. Os subtipos mais frequentes são o linfoma de grandes células B (LGCB) e linfomas MALT (tecido linfoide associado à mucosa). Têm etiologia, prognóstico, comportamento clínico e perfis moleculares distintos dos LNH nodais. Dada a heterogeneidade clínica, influência geográfica e escassez de dados populacionais locais, é essencial investigar as características dos LPE no Brasil. O objetivo deste trabalho é caracterizar o perfil clínico e os desfechos terapêuticos dos pacientes com LPE tratados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP-USP). Trata-se de uma coorte retrospectiva. Os dados clínicos, laboratoriais e epidemiológicos foram extraídos dos prontuários de todos pacientes consecutivos, ≥ 18 anos, com diagnóstico novo de LPE (conforme critérios da OMS), tratados no HCFMRP-USP de 2018-2024. Pacientes com acometimento extranodal secundário, recidiva extranodal, ou tratamento anterior foram excluídos. O estudo foi aprovado pelo CEP local. Dos 472 pacientes com LNH acompanhados no período, 89 (18,8%) eram LPE. A mediana de idade foi 65,5 anos (22-89) e 47,2% eram mulheres. Os principais sítios de acometimento e desfechos terapeuticos observados foram: Estômago (22,5%): O LGCB foi o mais comum (50%), com 50% dos casos positivos para H. pylori na biópsia. Todos foram tratados com imunoquimioterapia, com resposta completa (RC) em 100% dos casos. Adicionalmente, 45% eram linfoma MALT, dos quais 66,7% eram H. pylori positivo na biópsia. A antibioticoterapia exclusiva foi o tratamento mais aplicado nos subtipos MALT (44,4%), com RC de 100%; Olhos (14,6%): linfoma MALT foi o mais frequente neste local (85%). Imunoterapia, imunoquimioterapia e radioterapia foram adotadas em igual proporção (30% cada) com RC observada em 33,3%, 66,7% e 100% dos casos, respectivamente; Intestinos (11,2%): LGCB foi o subtipo mais comum (70%) acometendo os intestinos, seguido do linfoma folicular (20%). Todos foram tratados com imunoquimioterapia (RC em 60%). Ossos (9%): LGCB foi o mais observado (87%). Imunoquimioterapia foi a modalidade mais utilizada (75%), com RC de 66,7%; Pele (7,9%): os subtipos histológicos encontrados foram MALT (4 casos), centrofolicular (2 casos), LGCB e plasmablástico (1 caso cada). Distintos tratamento foram empregados (locais ou sistêmicos). Nosso estudo demonstrou que o LPE corresponde a cerca de 20% dos LNH, em consonância com a literatura. O estômago é o principal sítio acometido, com alta prevalência de H. pylori (66,7% nos MALT e 50% nos LGCB). O LGCB foi o tipo mais frequente em estômago, intestinos e ossos, onde comumente se exige tratamento sistêmico, enquanto que o linfoma MALT foi mais comum em olhos e pele, com comportamento mais indolente e possibilidade de abordagem local. A imunoquimioterapia foi a estratégia mais utilizada de maneira geral, com RC entre 60% e 100% dos casos. Os resultados confirmam a heterogeneidade clínica e biológica dos LPE, com predomínio do acometimento gástrico e alta positividade para H. pylori nos linfomas MALT. A imunoquimioterapia é eficaz, com taxas elevadas de RC. Esses dados reforçam a importância de traçar o perfil dos LPE e fornecem subsídios para otimizar os resultados do tratamento desta neoplasia no Brasil. A presente pesquisa foi realizada com bolsa CNPq-PIBIC n° 2024-1215

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104707
Primary Topic
Lymphoma Diagnosis and Treatment
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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article

CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E DESFECHOS TERAPÊUTICOS DOS PACIENTES COM LINFOMA PRIMÁRIO EXTRANODAL TRATADOS EM UM CENTRO DE REFERÊNCIA NO BRASIL

GM Altizani, CD Donadel, DV Clé, PH Peliciari
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Lymphoma Diagnosis and Treatment
article

CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E DESFECHOS TERAPÊUTICOS DOS PACIENTES COM LINFOMA PRIMÁRIO EXTRANODAL TRATADOS EM UM CENTRO DE REFERÊNCIA NO BRASIL

GM Altizani, CD Donadel, DV Clé, PH Peliciari
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Abstract

Linfomas primários extranodais (LPE) são linfomas não-Hodgkin (LNH) cujo envolvimento inicial e predominante ocorre fora dos linfonodos, afetando diversos órgãos e tecidos. Os subtipos mais frequentes são o linfoma de grandes células B (LGCB) e linfomas MALT (tecido linfoide associado à mucosa). Têm etiologia, prognóstico, comportamento clínico e perfis moleculares distintos dos LNH nodais. Dada a heterogeneidade clínica, influência geográfica e escassez de dados populacionais locais, é essencial investigar as características dos LPE no Brasil. O objetivo deste trabalho é caracterizar o perfil clínico e os desfechos terapêuticos dos pacientes com LPE tratados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP-USP). Trata-se de uma coorte retrospectiva. Os dados clínicos, laboratoriais e epidemiológicos foram extraídos dos prontuários de todos pacientes consecutivos, ≥ 18 anos, com diagnóstico novo de LPE (conforme critérios da OMS), tratados no HCFMRP-USP de 2018-2024. Pacientes com acometimento extranodal secundário, recidiva extranodal, ou tratamento anterior foram excluídos. O estudo foi aprovado pelo CEP local. Dos 472 pacientes com LNH acompanhados no período, 89 (18,8%) eram LPE. A mediana de idade foi 65,5 anos (22-89) e 47,2% eram mulheres. Os principais sítios de acometimento e desfechos terapeuticos observados foram: Estômago (22,5%): O LGCB foi o mais comum (50%), com 50% dos casos positivos para H. pylori na biópsia. Todos foram tratados com imunoquimioterapia, com resposta completa (RC) em 100% dos casos. Adicionalmente, 45% eram linfoma MALT, dos quais 66,7% eram H. pylori positivo na biópsia. A antibioticoterapia exclusiva foi o tratamento mais aplicado nos subtipos MALT (44,4%), com RC de 100%; Olhos (14,6%): linfoma MALT foi o mais frequente neste local (85%). Imunoterapia, imunoquimioterapia e radioterapia foram adotadas em igual proporção (30% cada) com RC observada em 33,3%, 66,7% e 100% dos casos, respectivamente; Intestinos (11,2%): LGCB foi o subtipo mais comum (70%) acometendo os intestinos, seguido do linfoma folicular (20%). Todos foram tratados com imunoquimioterapia (RC em 60%). Ossos (9%): LGCB foi o mais observado (87%). Imunoquimioterapia foi a modalidade mais utilizada (75%), com RC de 66,7%; Pele (7,9%): os subtipos histológicos encontrados foram MALT (4 casos), centrofolicular (2 casos), LGCB e plasmablástico (1 caso cada). Distintos tratamento foram empregados (locais ou sistêmicos). Nosso estudo demonstrou que o LPE corresponde a cerca de 20% dos LNH, em consonância com a literatura. O estômago é o principal sítio acometido, com alta prevalência de H. pylori (66,7% nos MALT e 50% nos LGCB). O LGCB foi o tipo mais frequente em estômago, intestinos e ossos, onde comumente se exige tratamento sistêmico, enquanto que o linfoma MALT foi mais comum em olhos e pele, com comportamento mais indolente e possibilidade de abordagem local. A imunoquimioterapia foi a estratégia mais utilizada de maneira geral, com RC entre 60% e 100% dos casos. Os resultados confirmam a heterogeneidade clínica e biológica dos LPE, com predomínio do acometimento gástrico e alta positividade para H. pylori nos linfomas MALT. A imunoquimioterapia é eficaz, com taxas elevadas de RC. Esses dados reforçam a importância de traçar o perfil dos LPE e fornecem subsídios para otimizar os resultados do tratamento desta neoplasia no Brasil. A presente pesquisa foi realizada com bolsa CNPq-PIBIC n° 2024-1215

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade de Ribeirão Preto (BR), Universidade de São Paulo (BR)
Openalex Percentile: Top 56%
Lymphoma Diagnosis and Treatment
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