ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS, CLÍNICOS E BIOLÓGICOS DE PACIENTE COM LLC EM HOSPITAL DE REFERÊNCIA DE BELÉM-PA

A Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) é uma neoplasia linfoproliferativa de células B maduras CD5+, geralmente assintomática em seus estágios iniciais, mas com evolução clínica heterogênea. Afeta predominantemente homens brancos com mais de 60 anos, sendo comumente identificada em exames laboratoriais de rotina. O diagnóstico baseia-se na citometria de fluxo, e o estadiamento segue os sistemas de Rai e Binet. Alterações genéticas, como mutações em TP53 e cariótipos complexos, estão associadas a pior prognóstico. Analisar o perfil clínico, laboratorial, citogenético e de imunofenotipagem de pacientes com LLC em um hospital de referência em Belém-PA. Estudo transversal com 46 pacientes diagnosticados com Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) entre 2017 e 2019. As informações foram obtidas por meio da revisão de prontuários médicos, abrangendo dados demográficos, clínicos, hematológicos, citogenéticos e imunofenotípicos. As variáveis foram analisadas por frequências absolutas e relativas, e as associações clínicas e laboratoriais com marcadores citológicos e imunofenotípicos foram avaliadas por testes de qui-quadrado. A maioria dos pacientes tinha mais de 60 anos (média de 61,2), com discreto predomínio masculino e maior frequência da etnia parda, proveniente do interior do estado, e poucos apresentavam histórico familiar ou pessoal de câncer. O sinal clínico mais frequente foi esplenomegalia. Laboratorialmente, 50% tinham anemia, 23,9% plaquetopenia e cerca de ⅓ apresentava linfocitose >50.000/mm 3 . A citometria de fluxo confirmou o padrão clássico de LLC (CD5, CD19, CD23 e CD200). Em relação às alterações genéticas, a deleção 13q foi a mais comum. 26 não apresentaram anomalias cromossômicas. Diferente da literatura internacional, os pacientes já apresentavam sintomas ao diagnóstico, como sintomas B, esplenomegalia, astenia e linfadenopatia. A linfocitose foi a principal alteração laboratorial associada a mau prognóstico. A expressão de CD38 foi associado à presença de linfadenopatia, e CD79b, relacionado à menor mortalidade e à ausência de linfadenopatia (p < 0,036). Em relação às alterações genéticas, a deleção 13q foi a mais comum, associada a melhor prognóstico. A ausência da del17p se associou à menor mortalidade, como esperado. Curiosamente, a presença da deleção TP53 também foi associada à menor mortalidade, o que contradiz a literatura e pode refletir limitações do estudo, como a ausência de testagem completa para mutações em TP53. A trissomia do cromossomo 12 foi significativamente associada à maior necessidade de tratamento específico (p < 0,02), embora seu impacto terapêutico direto ainda não esteja totalmente estabelecido. Pacientes sem del13q e delTP53 não apresentaram hepatoesplenomegalia, embora houvesse significância estatística entre essas deleções e plaquetopenia. 45,6% apresentavam comorbidades, o que pode influenciar negativamente o prognóstico. Este estudo destaca a relevância da análise integrada de parâmetros clínicos, hematológicos, imunofenotípicos e genéticos na LLC. Os achados contribuem para uma melhor compreensão da doença em populações da região Norte, onde há escassez de dados, podendo auxiliar no direcionamento terapêutico e no prognóstico individualizado.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104352
Primary Topic
Chronic Lymphocytic Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS, CLÍNICOS E BIOLÓGICOS DE PACIENTE COM LLC EM HOSPITAL DE REFERÊNCIA DE BELÉM-PA

Patrícia Danielle Lima de Lima, Clécio José Da Silva, Rute Santos, Luís Lopes et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Chronic Lymphocytic Leukemia Research
article

ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS, CLÍNICOS E BIOLÓGICOS DE PACIENTE COM LLC EM HOSPITAL DE REFERÊNCIA DE BELÉM-PA

Patrícia Danielle Lima de Lima, Clécio José Da Silva, Rute Santos, Luís Lopes, Nicely Soares Gomes, MFR Dezan
article en

Abstract

A Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) é uma neoplasia linfoproliferativa de células B maduras CD5+, geralmente assintomática em seus estágios iniciais, mas com evolução clínica heterogênea. Afeta predominantemente homens brancos com mais de 60 anos, sendo comumente identificada em exames laboratoriais de rotina. O diagnóstico baseia-se na citometria de fluxo, e o estadiamento segue os sistemas de Rai e Binet. Alterações genéticas, como mutações em TP53 e cariótipos complexos, estão associadas a pior prognóstico. Analisar o perfil clínico, laboratorial, citogenético e de imunofenotipagem de pacientes com LLC em um hospital de referência em Belém-PA. Estudo transversal com 46 pacientes diagnosticados com Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) entre 2017 e 2019. As informações foram obtidas por meio da revisão de prontuários médicos, abrangendo dados demográficos, clínicos, hematológicos, citogenéticos e imunofenotípicos. As variáveis foram analisadas por frequências absolutas e relativas, e as associações clínicas e laboratoriais com marcadores citológicos e imunofenotípicos foram avaliadas por testes de qui-quadrado. A maioria dos pacientes tinha mais de 60 anos (média de 61,2), com discreto predomínio masculino e maior frequência da etnia parda, proveniente do interior do estado, e poucos apresentavam histórico familiar ou pessoal de câncer. O sinal clínico mais frequente foi esplenomegalia. Laboratorialmente, 50% tinham anemia, 23,9% plaquetopenia e cerca de ⅓ apresentava linfocitose >50.000/mm 3 . A citometria de fluxo confirmou o padrão clássico de LLC (CD5, CD19, CD23 e CD200). Em relação às alterações genéticas, a deleção 13q foi a mais comum. 26 não apresentaram anomalias cromossômicas. Diferente da literatura internacional, os pacientes já apresentavam sintomas ao diagnóstico, como sintomas B, esplenomegalia, astenia e linfadenopatia. A linfocitose foi a principal alteração laboratorial associada a mau prognóstico. A expressão de CD38 foi associado à presença de linfadenopatia, e CD79b, relacionado à menor mortalidade e à ausência de linfadenopatia (p < 0,036). Em relação às alterações genéticas, a deleção 13q foi a mais comum, associada a melhor prognóstico. A ausência da del17p se associou à menor mortalidade, como esperado. Curiosamente, a presença da deleção TP53 também foi associada à menor mortalidade, o que contradiz a literatura e pode refletir limitações do estudo, como a ausência de testagem completa para mutações em TP53. A trissomia do cromossomo 12 foi significativamente associada à maior necessidade de tratamento específico (p < 0,02), embora seu impacto terapêutico direto ainda não esteja totalmente estabelecido. Pacientes sem del13q e delTP53 não apresentaram hepatoesplenomegalia, embora houvesse significância estatística entre essas deleções e plaquetopenia. 45,6% apresentavam comorbidades, o que pode influenciar negativamente o prognóstico. Este estudo destaca a relevância da análise integrada de parâmetros clínicos, hematológicos, imunofenotípicos e genéticos na LLC. Os achados contribuem para uma melhor compreensão da doença em populações da região Norte, onde há escassez de dados, podendo auxiliar no direcionamento terapêutico e no prognóstico individualizado.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade de São Paulo (BR), Universidade do Estado do Pará (BR), Clinics Hospital of Ribeirão Preto (BR)
Openalex Percentile: Top 56%
Chronic Lymphocytic Leukemia Research
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