NOVAS FRONTEIRAS NO TRATAMENTO DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA: TERAPIAS ALVO E IMUNOTERAPIA

O tratamento da leucemia mieloide aguda (LMA) tem sido estudado e novos alvos terapêuticos e medicamentosos estão sendo identificados para haver melhorias na sobrevida dos pacientes. Com o avanço na compreensão da fisiopatologia da LMA, as novas terapias buscam reduzir hospitalizações e o custo do tratamento. Entretanto, as terapias tradicionais, como quimioterapia e transplante de células-tronco hematopoiéticas, mostram-se limitadas devido à toxicidade e taxas de recidivas da doença. Assim, os novos alvos terapêuticos dessa patologia baseiam-se nas condições clínicas do paciente, nas características da LMA e nos estudos que vêm sendo realizados, levando em consideração que, algumas perspectivas medicamentosas, como novos conjugados anticorpo-fármaco, células natural killer e células T receptoras de antígeno quimérico projetadas estão sob investigação e podem auxiliar a compor as lacunas e desafios no tratamento da LMA. O objetivo deste trabalho é explorar os progressos terapêuticos no tratamento da LMA, com ênfase em terapias alvo e imunoterapias, evidenciando seus benefícios clínicos. Foi realizada uma revisão narrativa da literatura por meio das bases de dados PubMed, Scopus e Cochrane Library, com foco em terapias-alvo e imunoterapias aplicadas ao tratamento da LMA. A busca incluiu artigos publicados nos últimos 5 anos, utilizando os descritores “acute myeloid leukemia”, “targeted therapy”, “immunotherapy”, “FLT3 inhibitors”, “IDH inhibitors” e “checkpoint inhibitors”. Foram analisados 22 estudos recentes sobre terapias alvo e imunoterapias aplicadas à LMA. Foram selecionados ensaios clínicos randomizados e estudos de coorte que abordassem a eficácia, segurança e desfechos clínicos dessas abordagens terapêuticas. A análise foi conduzida com destaque para os avanços recentes e perspectivas futuras no tratamento da LMA. Vacinas peptídicas, como OCV-501, demonstraram segurança e indução de resposta imune em subgrupos de pacientes, mas sem diferença significativa na sobrevida livre de doença ou global em comparação ao placebo. Já os inibidores de FLT3 (Gilteritinib e Crenolanib) apresentaram aumento significativo de sobrevida mediana, visto que pacientes tratados com Gilteritinib viveram em média 9.3 meses após o início do tratamento, enquanto aqueles em quimioterapia convencional viveram em média 5-6 meses. Os agentes contra IDH1/2 (Ivosidenibe e Enasidenibe) mostraram taxas de resposta global entre 40-42% e sobrevida mediana próxima a 9 meses. Destacam-se também as combinações de Venetoclax com Azacitidina ou Citarabina de baixa dose, que mostraram taxas de remissão completa superiores a 60% e ganhos significativos de sobrevida, sobretudo em idosos ou inaptos à quimioterapia intensiva. Imunoterapias emergentes como anti-CD47 (Magrolimabe) e anti-TIM-3 (Sabatolimabe) mostraram atividade clínica, principalmente em casos de mutações TP53. Por fim, terapias celulares como CAR-T e BiTEs demonstraram potencial antileucêmico, embora com toxicidade hematológica relevante. As terapias-alvo e imunoterapias representam avanços promissores no tratamento da LMA, oferecendo maior sobrevida e melhores taxas de resposta, sobretudo em pacientes inelegíveis à quimioterapia intensiva. Nesse sentido, a existência de combinações terapêuticas com taxas de remissão acima de 60% reforça a relevância da personalização terapêutica e a necessidade de expandir pesquisas na área, a fim de reduzir os entraves persistentes relacionados à toxicidade e resistência.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104620
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
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article

NOVAS FRONTEIRAS NO TRATAMENTO DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA: TERAPIAS ALVO E IMUNOTERAPIA

Mirian S. Araujo, Geiva Maria Araújo Silva Leite, Milene Gil, Luciana Hazin Alencar et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

NOVAS FRONTEIRAS NO TRATAMENTO DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA: TERAPIAS ALVO E IMUNOTERAPIA

Mirian S. Araujo, Geiva Maria Araújo Silva Leite, Milene Gil, Luciana Hazin Alencar, João Pereira da Silva Neto, MARILENY BOECHAT FRAUCHES BRANDÃO, LUCAS DE MORAIS FRANCO, MARIAH VALENTE DA SILVA BRIZZI, DD Gomes do Nascimento, G Kendy Kizima
article en

Abstract

O tratamento da leucemia mieloide aguda (LMA) tem sido estudado e novos alvos terapêuticos e medicamentosos estão sendo identificados para haver melhorias na sobrevida dos pacientes. Com o avanço na compreensão da fisiopatologia da LMA, as novas terapias buscam reduzir hospitalizações e o custo do tratamento. Entretanto, as terapias tradicionais, como quimioterapia e transplante de células-tronco hematopoiéticas, mostram-se limitadas devido à toxicidade e taxas de recidivas da doença. Assim, os novos alvos terapêuticos dessa patologia baseiam-se nas condições clínicas do paciente, nas características da LMA e nos estudos que vêm sendo realizados, levando em consideração que, algumas perspectivas medicamentosas, como novos conjugados anticorpo-fármaco, células natural killer e células T receptoras de antígeno quimérico projetadas estão sob investigação e podem auxiliar a compor as lacunas e desafios no tratamento da LMA. O objetivo deste trabalho é explorar os progressos terapêuticos no tratamento da LMA, com ênfase em terapias alvo e imunoterapias, evidenciando seus benefícios clínicos. Foi realizada uma revisão narrativa da literatura por meio das bases de dados PubMed, Scopus e Cochrane Library, com foco em terapias-alvo e imunoterapias aplicadas ao tratamento da LMA. A busca incluiu artigos publicados nos últimos 5 anos, utilizando os descritores “acute myeloid leukemia”, “targeted therapy”, “immunotherapy”, “FLT3 inhibitors”, “IDH inhibitors” e “checkpoint inhibitors”. Foram analisados 22 estudos recentes sobre terapias alvo e imunoterapias aplicadas à LMA. Foram selecionados ensaios clínicos randomizados e estudos de coorte que abordassem a eficácia, segurança e desfechos clínicos dessas abordagens terapêuticas. A análise foi conduzida com destaque para os avanços recentes e perspectivas futuras no tratamento da LMA. Vacinas peptídicas, como OCV-501, demonstraram segurança e indução de resposta imune em subgrupos de pacientes, mas sem diferença significativa na sobrevida livre de doença ou global em comparação ao placebo. Já os inibidores de FLT3 (Gilteritinib e Crenolanib) apresentaram aumento significativo de sobrevida mediana, visto que pacientes tratados com Gilteritinib viveram em média 9.3 meses após o início do tratamento, enquanto aqueles em quimioterapia convencional viveram em média 5-6 meses. Os agentes contra IDH1/2 (Ivosidenibe e Enasidenibe) mostraram taxas de resposta global entre 40-42% e sobrevida mediana próxima a 9 meses. Destacam-se também as combinações de Venetoclax com Azacitidina ou Citarabina de baixa dose, que mostraram taxas de remissão completa superiores a 60% e ganhos significativos de sobrevida, sobretudo em idosos ou inaptos à quimioterapia intensiva. Imunoterapias emergentes como anti-CD47 (Magrolimabe) e anti-TIM-3 (Sabatolimabe) mostraram atividade clínica, principalmente em casos de mutações TP53. Por fim, terapias celulares como CAR-T e BiTEs demonstraram potencial antileucêmico, embora com toxicidade hematológica relevante. As terapias-alvo e imunoterapias representam avanços promissores no tratamento da LMA, oferecendo maior sobrevida e melhores taxas de resposta, sobretudo em pacientes inelegíveis à quimioterapia intensiva. Nesse sentido, a existência de combinações terapêuticas com taxas de remissão acima de 60% reforça a relevância da personalização terapêutica e a necessidade de expandir pesquisas na área, a fim de reduzir os entraves persistentes relacionados à toxicidade e resistência.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual de Londrina (BR), Universidade Nove de Julho (BR), University Center of Brasília (BR), Universidade de Pernambuco (BR), Universidade São Francisco (BR)
Openalex Percentile: Top 59%
Acute Myeloid Leukemia Research
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