LEUCEMIA NEUTROFÍLICA CRÔNICA (LNC) E O PAPEL DO NGS: RELATO DE CASO EM PACIENTE IDOSO COM LEUCOCITOSE EXTREMA

A Leucemia Neutrofílica Crônica (LNC) é uma neoplasia mieloproliferativa rara, caracterizada por neutrofilia persistente, ausência da translocação BCR::ABL1 e presença frequente de mutações em CSF3R (T618I). A identificação dessas alterações moleculares, especialmente por sequenciamento de nova geração (NGS), é essencial para confirmação diagnóstica e estratificação prognóstica. Paciente A.A.C, masculino,74 anos,ex-tabagista,com DPOC em uso de oxigênio domiciliar, HAS, hipotireoidismo pós-tireoidectomia por carcinoma papilífero,HPB e zóster oftálmico. Foi internado no Hospital 9 de Julho em maio de 2025 por dispneia progressiva, tosse produtiva e episódio autolimitado de enterorragia. Ao exame físico,apresentava taquipnéia, hipoxemia e esplenomegalia, inicialmente tratado como exacerbação de DPOC. Após primeiro hemograma evidenciando leucocitose de 127910/uL (promielócito 3%,mielócito 2%,metamielócito 3%,bastonetes 8%,segmentados 83%,linfócitos 1%). Tendo em vista o quadro,foi solicitado mielograma,que mostrou retardo maturativo da série granulocítica sem displasias. Biópsia de medula óssea, que revelou hipercelularidade intensa com proliferação granulocítica,megacariocítica e ausência de fibrose. O cariótipo 46,XY. Já o painel NGS identificou mutações em CSF3R (T618I), ASXL1,TET2,SRSF2 e BCR::ABL1 foi negativo. Foi iniciado tratamento com hidroxiureia e eritropoetina semanal. Evoluindo com melhora, último exame com leucócitos totais de 8060/uL e diminuição de sintomas. Assim, possibilitando a alta hospitalar e seguimento ambulatorial. O diagnóstico da LNC,uma neoplasia mieloproliferativa rara,é de exclusão e baseia-se nos critérios da Organização Mundial da Saúde (WHO). Estes incluem neutrofilia persistente (>25 x 10^9/L). Sendo assim, devemos afastar outras doenças mieloproliferativas como LMC e LMC atípica. Tendo isso como base,devemos descartar a LMC por meio da pesquisa da mutação BCR::ABL1, que deve ser negativa. Além disso, é necessário excluir LMC atípica, o que é feito através do hemograma, que tem como característica neutrofilia, sem desvio à esquerda e tem como composição 80% ou mais de neutrófilos e bastonetes. A investigação é complementada pela avaliação morfológica, na qual é vista hipercelularidade com predomínio de neutrófilos sem atipias. Já em relação ao NGS, a mutação do CSF3R é altamente sugestiva e outras mutações são analisadas para estratificação de risco. Após todas essas etapas, como feito no caso descrito, podemos afastar outras moléstias e diagnosticar a LNC. Sobre o tratamento, o único tratamento curativo é o transplante alogênico de medula óssea (TMO), porém não é indicado em pacientes policomórbidos e com idade avançada. Além disso, quando o paciente está sintomático podemos fazer tratamento citorredutor com hidroxiureia ou ruxolitinib. Tendo em vista o caso descrito, foi optado por tratamento citorredutor com hidroxiureia, pois o paciente não teria status para TMO. A resposta observada foi diminuição de leucócitos e melhora sintomas, demonstra a eficácia da terapia citorredutora neste contexto. O relato destaca a importância do uso de NGS na confirmação do diagnóstico e na estratificação de risco da LNC.Dessa forma,auxilia na escolha do tratamento, que deve ser individualizado para controle clínico e melhora da qualidade de vida do paciente.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104437
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

LEUCEMIA NEUTROFÍLICA CRÔNICA (LNC) E O PAPEL DO NGS: RELATO DE CASO EM PACIENTE IDOSO COM LEUCOCITOSE EXTREMA

Luíz Carlos de Abreu, Ginepro Felipe, Elvia Rosa, Osvando José de Morais et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

LEUCEMIA NEUTROFÍLICA CRÔNICA (LNC) E O PAPEL DO NGS: RELATO DE CASO EM PACIENTE IDOSO COM LEUCOCITOSE EXTREMA

Luíz Carlos de Abreu, Ginepro Felipe, Elvia Rosa, Osvando José de Morais, CA Rodrigues, V.C. Molla, Ricardo Antônio Francisco Machado, RS Szor, EML Burlamaqui, CDd Liz
article en

Abstract

A Leucemia Neutrofílica Crônica (LNC) é uma neoplasia mieloproliferativa rara, caracterizada por neutrofilia persistente, ausência da translocação BCR::ABL1 e presença frequente de mutações em CSF3R (T618I). A identificação dessas alterações moleculares, especialmente por sequenciamento de nova geração (NGS), é essencial para confirmação diagnóstica e estratificação prognóstica. Paciente A.A.C, masculino,74 anos,ex-tabagista,com DPOC em uso de oxigênio domiciliar, HAS, hipotireoidismo pós-tireoidectomia por carcinoma papilífero,HPB e zóster oftálmico. Foi internado no Hospital 9 de Julho em maio de 2025 por dispneia progressiva, tosse produtiva e episódio autolimitado de enterorragia. Ao exame físico,apresentava taquipnéia, hipoxemia e esplenomegalia, inicialmente tratado como exacerbação de DPOC. Após primeiro hemograma evidenciando leucocitose de 127910/uL (promielócito 3%,mielócito 2%,metamielócito 3%,bastonetes 8%,segmentados 83%,linfócitos 1%). Tendo em vista o quadro,foi solicitado mielograma,que mostrou retardo maturativo da série granulocítica sem displasias. Biópsia de medula óssea, que revelou hipercelularidade intensa com proliferação granulocítica,megacariocítica e ausência de fibrose. O cariótipo 46,XY. Já o painel NGS identificou mutações em CSF3R (T618I), ASXL1,TET2,SRSF2 e BCR::ABL1 foi negativo. Foi iniciado tratamento com hidroxiureia e eritropoetina semanal. Evoluindo com melhora, último exame com leucócitos totais de 8060/uL e diminuição de sintomas. Assim, possibilitando a alta hospitalar e seguimento ambulatorial. O diagnóstico da LNC,uma neoplasia mieloproliferativa rara,é de exclusão e baseia-se nos critérios da Organização Mundial da Saúde (WHO). Estes incluem neutrofilia persistente (>25 x 10^9/L). Sendo assim, devemos afastar outras doenças mieloproliferativas como LMC e LMC atípica. Tendo isso como base,devemos descartar a LMC por meio da pesquisa da mutação BCR::ABL1, que deve ser negativa. Além disso, é necessário excluir LMC atípica, o que é feito através do hemograma, que tem como característica neutrofilia, sem desvio à esquerda e tem como composição 80% ou mais de neutrófilos e bastonetes. A investigação é complementada pela avaliação morfológica, na qual é vista hipercelularidade com predomínio de neutrófilos sem atipias. Já em relação ao NGS, a mutação do CSF3R é altamente sugestiva e outras mutações são analisadas para estratificação de risco. Após todas essas etapas, como feito no caso descrito, podemos afastar outras moléstias e diagnosticar a LNC. Sobre o tratamento, o único tratamento curativo é o transplante alogênico de medula óssea (TMO), porém não é indicado em pacientes policomórbidos e com idade avançada. Além disso, quando o paciente está sintomático podemos fazer tratamento citorredutor com hidroxiureia ou ruxolitinib. Tendo em vista o caso descrito, foi optado por tratamento citorredutor com hidroxiureia, pois o paciente não teria status para TMO. A resposta observada foi diminuição de leucócitos e melhora sintomas, demonstra a eficácia da terapia citorredutora neste contexto. O relato destaca a importância do uso de NGS na confirmação do diagnóstico e na estratificação de risco da LNC.Dessa forma,auxilia na escolha do tratamento, que deve ser individualizado para controle clínico e melhora da qualidade de vida do paciente.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Acute Myeloid Leukemia Research
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