VÍRUS LINFOTRÓPICO DE CÉLULAS T HUMANAS E ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

Os Vírus Linfotrópicos de células T Humanas tipos 1 e 2 (HTLV-1/2) são deltaretrovirus de infecção vitalícia, associados a alterações neurológicas e leucemias agressivas. As manifestações hematológicas associadas, porém, permanecem pouco reconhecidas, dificultando o diagnóstico precoce e o manejo clínico. Analisar a associação entre a infecção pelo Vírus Linfotrópico de Células T Humanas (HTLV) e as principais alterações hematológicas, bem como descrever suas implicações clínicas. Realizou-se revisão integrativa nas bases PubMed, Scopus e BVS (2020–2025), em português e inglês, utilizando os descritores DeCS/MeSH “Vírus 1 Linfotrópico T Humano” ( Human T- Lymphotropic Virus 1 Infection ), “Infecções por HTLV-I” (HTLV-I Infection), “Vírus Linfotrópico T Humano Tipo 2” ( Human T-Lymphotropic Virus 2 ), “HTLV-II” (HTLV-2) e “Doenças Hematológicas” ( Hematologic Diseases ), combinados com os operadores booleanos "AND" e "OR". Foram identificados 229 artigos. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão e retirada das duplicatas, 11 foram selecionados para análise final. O HTLV-1 foi o subtipo mais prevalente, associado à Leucemia/Linfoma de células T do Adulto (ATLL), anemia, eosinofilia, linfócitos atípicos e neutropenia. A forma aguda da ATLL relacionou-se à hipercalcemia, imunossupressão e infecções oportunistas. Mutações somáticas foram detectadas anos antes do diagnóstico clínico em alguns casos. O subtipo linfoma predominou em áreas endêmicas com melhor sobrevida se comparada à forma aguda. Pacientes com mielopatia associada ao HTLV-1/Paraparesia Espástica Tropical apresentaram alta mortalidade e risco de progressão para ATLL. Carga proviral elevada esteve ligada à disfunção linfócitos citotóxicos e uma exaustão imune. Coinfecção por hepatite C e casos com leucemia mieloide aguda indicaram pior sobrevida. A maioria era assintomática, com transmissão principalmente sexual, vertical ou transfusional. Esses achados reforçam a associação entre o HTLV-1 e alterações hematológicas, destacando a ATLL, neoplasia agressiva que pode cursar com anemia, linfocitose atípica, neutropenia e hipercalcemia. Tais alterações agravam o prognóstico, associando-se à imunossupressão, infecções oportunistas e baixa resposta à quimioterapia. Mutações em genes como PLCG1, NOTCH1 e TP53, mesmo em assintomáticos, sugerem potencial para detecção precoce de casos de alto risco. A ativação das vias NF-κB e PI3K-AKT, além da ativação de genes pró-tumorais, favorecem a proliferação de linfócitos T infectados. Eosinofilia, linfopenia e neutropenia também são frequentes, afetando a imunidade e a resposta a tratamentos. Ademais, a carga proviral elevada está associada à exaustão linfocitária e à progressão silenciosa da doença. Coinfecções, como hepatite C, pioram o prognóstico, especialmente com HTLV-2. A ausência de triagem gestacional favorece a transmissão vertical, reforçando a necessidade de vigilância clínica e laboratorial, mesmo em pacientes assintomáticos. Desse modo, a infecção pelo HTLV associa-se a alterações hematológicas graves, comprometendo a imunidade e a hematopoese, mesmo em indivíduos assintomáticos. A triagem precoce, vigilância molecular e abordagem clínica integrada são essenciais devido à gravidade clínica e risco de coinfecções.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105469
Primary Topic
T-cell and Retrovirus Studies
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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VÍRUS LINFOTRÓPICO DE CÉLULAS T HUMANAS E ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

Bruno Rissatto Pereira, M. G. P. de M. Ribeiro, Paola Dal Monte, Manuel E. dos Santos et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
T-cell and Retrovirus Studies
article

VÍRUS LINFOTRÓPICO DE CÉLULAS T HUMANAS E ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

Bruno Rissatto Pereira, M. G. P. de M. Ribeiro, Paola Dal Monte, Manuel E. dos Santos, K. C. A. S. Borges, I.C Reca, Reinan dos Santos Sousa, Keith M. Kerr, SBS Sabino
article en

Abstract

Os Vírus Linfotrópicos de células T Humanas tipos 1 e 2 (HTLV-1/2) são deltaretrovirus de infecção vitalícia, associados a alterações neurológicas e leucemias agressivas. As manifestações hematológicas associadas, porém, permanecem pouco reconhecidas, dificultando o diagnóstico precoce e o manejo clínico. Analisar a associação entre a infecção pelo Vírus Linfotrópico de Células T Humanas (HTLV) e as principais alterações hematológicas, bem como descrever suas implicações clínicas. Realizou-se revisão integrativa nas bases PubMed, Scopus e BVS (2020–2025), em português e inglês, utilizando os descritores DeCS/MeSH “Vírus 1 Linfotrópico T Humano” ( Human T- Lymphotropic Virus 1 Infection ), “Infecções por HTLV-I” (HTLV-I Infection), “Vírus Linfotrópico T Humano Tipo 2” ( Human T-Lymphotropic Virus 2 ), “HTLV-II” (HTLV-2) e “Doenças Hematológicas” ( Hematologic Diseases ), combinados com os operadores booleanos "AND" e "OR". Foram identificados 229 artigos. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão e retirada das duplicatas, 11 foram selecionados para análise final. O HTLV-1 foi o subtipo mais prevalente, associado à Leucemia/Linfoma de células T do Adulto (ATLL), anemia, eosinofilia, linfócitos atípicos e neutropenia. A forma aguda da ATLL relacionou-se à hipercalcemia, imunossupressão e infecções oportunistas. Mutações somáticas foram detectadas anos antes do diagnóstico clínico em alguns casos. O subtipo linfoma predominou em áreas endêmicas com melhor sobrevida se comparada à forma aguda. Pacientes com mielopatia associada ao HTLV-1/Paraparesia Espástica Tropical apresentaram alta mortalidade e risco de progressão para ATLL. Carga proviral elevada esteve ligada à disfunção linfócitos citotóxicos e uma exaustão imune. Coinfecção por hepatite C e casos com leucemia mieloide aguda indicaram pior sobrevida. A maioria era assintomática, com transmissão principalmente sexual, vertical ou transfusional. Esses achados reforçam a associação entre o HTLV-1 e alterações hematológicas, destacando a ATLL, neoplasia agressiva que pode cursar com anemia, linfocitose atípica, neutropenia e hipercalcemia. Tais alterações agravam o prognóstico, associando-se à imunossupressão, infecções oportunistas e baixa resposta à quimioterapia. Mutações em genes como PLCG1, NOTCH1 e TP53, mesmo em assintomáticos, sugerem potencial para detecção precoce de casos de alto risco. A ativação das vias NF-κB e PI3K-AKT, além da ativação de genes pró-tumorais, favorecem a proliferação de linfócitos T infectados. Eosinofilia, linfopenia e neutropenia também são frequentes, afetando a imunidade e a resposta a tratamentos. Ademais, a carga proviral elevada está associada à exaustão linfocitária e à progressão silenciosa da doença. Coinfecções, como hepatite C, pioram o prognóstico, especialmente com HTLV-2. A ausência de triagem gestacional favorece a transmissão vertical, reforçando a necessidade de vigilância clínica e laboratorial, mesmo em pacientes assintomáticos. Desse modo, a infecção pelo HTLV associa-se a alterações hematológicas graves, comprometendo a imunidade e a hematopoese, mesmo em indivíduos assintomáticos. A triagem precoce, vigilância molecular e abordagem clínica integrada são essenciais devido à gravidade clínica e risco de coinfecções.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal do Oeste do Pará (BR), Universidade do Estado do Pará (BR)
Openalex Percentile: Top 67%
T-cell and Retrovirus Studies
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