VALIDAÇÃO DE CENTRÍFUGA PARA TESTES PRÉ-TRANSFUSIONAIS EM LABORATÓRIO DE HEMOTERAPIA: AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO E PADRONIZAÇÃO DE PARÂMETROS OPERACIONAIS

A centrifugação é uma etapa crítica nos testes imunológicos pré-transfusionais, influenciando a separação celular e a interpretação das reações de aglutinação. Parâmetros inadequados podem comprometer a reprodutibilidade, gerando reações falso-negativas ou falso- positivas, afetando a segurança transfusional. A validação de centrífugas, conforme protocolos padronizados, assegura padronização operacional e confiabilidade dos resultados. Validar parâmetros operacionais de uma centrífuga para testes pré-transfusionais, identificando combinações ideais de velocidade e tempo que garantam desempenho técnico, boa separação celular e resultados consistentes. O estudo foi realizado em ambiente laboratorial controlado utilizando a centrífuga HCL-PLUS Hoffmannlab. Foram feitas titulações seriadas dos reagentes para identificar a menor concentração capaz de gerar reação aglutinante visível (intensidade mínima 1+). Reagentes utilizados: Meio salino: solução fisiológica, soro anti-B, suspensão de hemácias grupo B. Meio proteico: controle Rh(D), soro anti-D policlonal, suspensão de hemácias Rh(D) positivo. As amostras foram divididas em dois grupos: teste e controle. No grupo teste, foi utilizado antisoro específico juntamente com uma suspensão de hemácias a 3%–5% contendo o antígeno correspondente, com o objetivo de induzir aglutinação. No grupo controle, utilizou-se a mesma suspensão e antisoro, porém com hemácias ausentes do antígeno, a fim de verificar a ausência de aglutinação e garantir a especificidade da reação. Foram testadas velocidades de centrifugação de 1500, 2000, 2500, 3000 e 3400 rpm, com tempos entre 10 segundos e 3 minutos, aplicadas a amostras teste e controle. Critérios de avaliação: Clareza do sobrenadante; Formação definida do botão de hemácias; Facilidade de ressuspensão celular; Intensidade da reação aglutinante; Ausência de hemácias aderidas às paredes do tubo. Cada condição foi testada em triplicata para garantir reprodutibilidade. Dados foram analisados comparativamente com critérios de aceitação definidos. Condições que prejudicaram a ressuspensão ou sensibilidade foram consideradas inadequadas. Titulação: Meio salino: até 1:256 Meio proteico: até 1:128 Lavagem e antiglobulina: até 1:128 Aglutinação imediata (1500 a 3000 rpm): tempos de 1 a 3 minutos mostraram desempenho satisfatório. Aglutinação a 3400 rpm: separação eficiente a partir de 10 segundos; ressuspensão comprometida a partir de 30 segundos. Meio proteico a 3400 rpm: boa separação até 30 segundos; compactação do botão celular aos 45 segundos. Lavagem celular a 3400 rpm: tempo ideal de 30 segundos; 20 segundos resultaram em células aderidas às paredes. Teste de antiglobulina a 3400 rpm: reações consistentes até 20 segundos; tempos maiores prejudicaram a ressuspensão. A validação mostrou que o desempenho da centrífuga depende fortemente do tempo de centrifugação, principalmente em reações positivas, onde a compactação excessiva dificulta a leitura e a ressuspensão das hemácias. Embora tempos prolongados mantenham a separação, prejudicam a manipulação posterior, especialmente em meios densos como o proteico. Os parâmetros operacionais recomendados são: Tipagem sanguínea e leitura de reações: 3400 rpm por 10 segundos; Lavagem de células: 3400 rpm por 30 segundos. A adoção desses parâmetros assegura padronização, integridade celular e confiabilidade dos resultados em testes pré- transfusionais, contribuindo para a segurança do paciente e qualidade do serviço.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105919
Primary Topic
Blood groups and transfusion
Type
article
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VALIDAÇÃO DE CENTRÍFUGA PARA TESTES PRÉ-TRANSFUSIONAIS EM LABORATÓRIO DE HEMOTERAPIA: AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO E PADRONIZAÇÃO DE PARÂMETROS OPERACIONAIS

Joel Medeiros Bezerra, Ylenia Bertelli, C. H. Brito Cruz, VdS Cosechen et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood groups and transfusion
article

VALIDAÇÃO DE CENTRÍFUGA PARA TESTES PRÉ-TRANSFUSIONAIS EM LABORATÓRIO DE HEMOTERAPIA: AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO E PADRONIZAÇÃO DE PARÂMETROS OPERACIONAIS

Joel Medeiros Bezerra, Ylenia Bertelli, C. H. Brito Cruz, VdS Cosechen, Eduardo Esmeraldo Augusto Beserra, Atílio Caliari de Lima, José Adolfo Carvalho Júnior, D.C.M. Vieira
article en

Abstract

A centrifugação é uma etapa crítica nos testes imunológicos pré-transfusionais, influenciando a separação celular e a interpretação das reações de aglutinação. Parâmetros inadequados podem comprometer a reprodutibilidade, gerando reações falso-negativas ou falso- positivas, afetando a segurança transfusional. A validação de centrífugas, conforme protocolos padronizados, assegura padronização operacional e confiabilidade dos resultados. Validar parâmetros operacionais de uma centrífuga para testes pré-transfusionais, identificando combinações ideais de velocidade e tempo que garantam desempenho técnico, boa separação celular e resultados consistentes. O estudo foi realizado em ambiente laboratorial controlado utilizando a centrífuga HCL-PLUS Hoffmannlab. Foram feitas titulações seriadas dos reagentes para identificar a menor concentração capaz de gerar reação aglutinante visível (intensidade mínima 1+). Reagentes utilizados: Meio salino: solução fisiológica, soro anti-B, suspensão de hemácias grupo B. Meio proteico: controle Rh(D), soro anti-D policlonal, suspensão de hemácias Rh(D) positivo. As amostras foram divididas em dois grupos: teste e controle. No grupo teste, foi utilizado antisoro específico juntamente com uma suspensão de hemácias a 3%–5% contendo o antígeno correspondente, com o objetivo de induzir aglutinação. No grupo controle, utilizou-se a mesma suspensão e antisoro, porém com hemácias ausentes do antígeno, a fim de verificar a ausência de aglutinação e garantir a especificidade da reação. Foram testadas velocidades de centrifugação de 1500, 2000, 2500, 3000 e 3400 rpm, com tempos entre 10 segundos e 3 minutos, aplicadas a amostras teste e controle. Critérios de avaliação: Clareza do sobrenadante; Formação definida do botão de hemácias; Facilidade de ressuspensão celular; Intensidade da reação aglutinante; Ausência de hemácias aderidas às paredes do tubo. Cada condição foi testada em triplicata para garantir reprodutibilidade. Dados foram analisados comparativamente com critérios de aceitação definidos. Condições que prejudicaram a ressuspensão ou sensibilidade foram consideradas inadequadas. Titulação: Meio salino: até 1:256 Meio proteico: até 1:128 Lavagem e antiglobulina: até 1:128 Aglutinação imediata (1500 a 3000 rpm): tempos de 1 a 3 minutos mostraram desempenho satisfatório. Aglutinação a 3400 rpm: separação eficiente a partir de 10 segundos; ressuspensão comprometida a partir de 30 segundos. Meio proteico a 3400 rpm: boa separação até 30 segundos; compactação do botão celular aos 45 segundos. Lavagem celular a 3400 rpm: tempo ideal de 30 segundos; 20 segundos resultaram em células aderidas às paredes. Teste de antiglobulina a 3400 rpm: reações consistentes até 20 segundos; tempos maiores prejudicaram a ressuspensão. A validação mostrou que o desempenho da centrífuga depende fortemente do tempo de centrifugação, principalmente em reações positivas, onde a compactação excessiva dificulta a leitura e a ressuspensão das hemácias. Embora tempos prolongados mantenham a separação, prejudicam a manipulação posterior, especialmente em meios densos como o proteico. Os parâmetros operacionais recomendados são: Tipagem sanguínea e leitura de reações: 3400 rpm por 10 segundos; Lavagem de células: 3400 rpm por 30 segundos. A adoção desses parâmetros assegura padronização, integridade celular e confiabilidade dos resultados em testes pré- transfusionais, contribuindo para a segurança do paciente e qualidade do serviço.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual de Maringá (BR), Fundação Hemopa (BR)
Openalex Percentile: Top 59%
Blood groups and transfusion
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