USO CLÍNICO DO DÍMERO-D REVISÃO DE LITERATURA
O dímero-D é um produto específico da degradação da fibrina estabilizada pela ação do fator XIIIa, refletindo a ativação dos sistemas de coagulação e fibrinólise. Durante a hemostasia, a trombina converte o fibrinogênio em fibrina, que é posteriormente degradada pela plasmina, gerando o dímero-D. O teste que o avalia apresenta alta sensibilidade e baixo valor preditivo positivo, sendo eficaz na exclusão de eventos tromboembólicos, como trombose venosa profunda, embolia pulmonar e coagulação intravascular disseminada. Entretanto, valores elevados são inespecíficos e podem ocorrer em situações como gravidez, trauma, neoplasias, cirurgias e doenças hepáticas. O objetivo desse trabalho é compreender o uso da dosagem do Dimero-D na prática clínica e as suas indicações. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas bases de dados PubMed e SciELO, contemplando ensaios clínicos, revisões narrativas, revisões sistemáticas e meta-análises. Utilizaram-se como descritores e palavras-chave: “D-dímero”, “produtos de degradação da fibrina”, “tromboembolismo venoso” e “diagnóstico laboratorial”. Foram incluídos estudos publicados nos últimos cinco anos, sem restrição de idioma, desde que apresentassem relação direta com o tema proposto e tivessem o texto disponível na íntegra. A seleção dos trabalhos considerou a relevância para a prática clínica e a qualidade metodológica das publicações. Foram selecionados 5 artigos principais para a realização da revisão de literatura. A solicitação rotineira de dosagem de Dímero-D sem a suspeita trombótica deve ser desestimulada, visto ser um exame com alto valor preditivo negativo em baixa probabilidade. Analisar com cautela a solicitação e utilizar a aplicação de valores de corte ajustados por idade pode aumentar a especificidade deste teste em pacientes idosos. Para indivíduos com mais de 50 anos, recomenda-se calcular o valor de referência ajustado utilizando a fórmula: Idade (em anos) ×10 ng/mL. É fundamental também que os profissionais de saúde considerem o momento da coleta ao interpretar os resultados do teste, a amostra de sangue obtida após a administração de anticoagulantes pode levar a um resultado falso-negativo. Da mesma forma, coletas realizadas precocemente, durante a fase inicial da formação do coágulo, podem comprometer a acurácia do resultado. Pacientes com deficiência do fator XIII costumam apresentar níveis persistentemente baixos do marcador, mesmo na presença de trombose. Dessa forma, infere-se que teste de Dímero D possui alta sensibilidade, sendo útil para excluir a presença de trombose venosa em pacientes com baixa ou moderada probabilidade clínica. No entanto, devido à baixa especificidade, não é diagnóstico por si só, pois níveis elevados podem ocorrer em infecções, inflamações, neoplasias, gravidez, pós-operatórios, entre outros. O teste de Dimero-D possui baixa especificidade e elevação inespecífica em diversas situações clínicas o que limitam seu valor diagnóstico isolado. Portanto, pode-se inferir que o uso adequado do Dímero D requer correlação clínica e, preferencialmente, algoritmos diagnósticos, não sendo recomendado a dosagem indiscriminada ou de forma rotineira na prática clínica, pois, isso pode levar a resultados falso-positivos, solicitações desnecessárias de exames complementares e aumento de custos, sem benefício real ao paciente.
Authors
- Helena Costa Carvalho
- Matheus William de Oliveira Melo (ORCID: https://orcid.org/0009-0004-9292-4370)
- Marina de Godoy Almeida (ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0923-6151)
- M.A.C. Morais
Institutions
- Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105467
- Primary Topic
- Healthcare Regulation
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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