HUMANIZAÇÃO NO CUIDADO TRANSFUSIONAL: A ATENÇÃO PERSONALIZADA COMO ALICERCE PARA QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES COM DOENÇAS HEMATOLÓGICAS

Este relato apresenta a experiência no Ambulatório de Atenção Hematológica da Fundação HEMOPA, em Belém-PA, com foco na implementação de estratégias de humanização para pacientes em tratamento transfusional. São atendidos usuários da capital e do interior do estado, diagnosticados com doenças hematológicas crônicas como Anemia Falciforme, PTI, HPN, Aplasia Medular, Doença de Gaucher, Leucemia e Hemofilia. A rotina transfusional, muitas vezes prolongada e frequente, pode gerar impactos emocionais, sociais e físicos. Diante disso, a equipe multiprofissional adotou práticas que priorizam o acolhimento, a escuta qualificada, a personalização do cuidado por faixa etária e patologia e, no caso de crianças, o uso da ludicidade como ferramenta terapêutica. Proporcionar cuidado humanizado e individualizado a pacientes em transfusão, respeitando suas especificidades clínicas, emocionais e sociais; promover adesão ao tratamento; minimizar sofrimento e efeitos da doença; e construir, junto aos usuários e seus acompanhantes, uma base sólida que favoreça a longevidade com qualidade de vida. A abordagem humanizada é realizada no leito durante o processo transfusional, com atuação integrada da psicologia e do serviço social. As intervenções são adaptadas à idade e à condição clínica: adultos recebem suporte focado na escuta, orientação e vínculo; crianças participam de atividades lúdico-terapêuticas (brincadeiras, jogos, histórias, vídeos e desenhos). O atendimento é individualizado, considerando o diagnóstico e o modo como cada sujeito enfrenta a doença. Do ponto de vista ético, trata-se de um relato de experiência institucional, sem coleta de dados identificáveis ou intervenção para fins de pesquisa, o que dispensa submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme a Resolução n° 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. Foram respeitados os princípios do sigilo, privacidade e anonimato dos usuários. Observa-se melhora na aceitação do tratamento, redução da ansiedade, fortalecimento de vínculos familiares e aumento da confiança dos pacientes na equipe. Crianças apresentam maior adesão e entendimento sobre o tratamento quando envolvidas em atividades lúdicas. Adultos e idosos relatam alívio ao serem ouvidos e acolhidos em suas angústias. O cuidado personalizado favorece o enfrentamento da doença e a continuidade terapêutica. A escuta qualificada e o acolhimento, aliados à atenção individualizada, contribuem para a construção de vínculos terapêuticos. A personalização do cuidado conforme o ciclo de vida e a patologia reforça o protagonismo do paciente e potencializa os efeitos do tratamento. A ludoterapia promove compreensão simbólica do adoecimento e torna o ambiente menos ameaçador. As intervenções da equipe multiprofissional vão além do cuidado pontual, oferecendo suporte contínuo e significativo. O programa de humanização do ambulatório da Fundação HEMOPA demonstra que acolher, escutar e cuidar com empatia são estratégias fundamentais para adesão ao tratamento e enfrentamento das doenças crônicas. A atenção diferenciada por faixa etária e patologia fortalece o cuidado integral e contribui para uma trajetória terapêutica mais leve e eficaz.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105294
Primary Topic
Blood donation and transfusion practices
Type
article
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HUMANIZAÇÃO NO CUIDADO TRANSFUSIONAL: A ATENÇÃO PERSONALIZADA COMO ALICERCE PARA QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES COM DOENÇAS HEMATOLÓGICAS

Claudiana Moura dos Santos, A.F.R. Araújo
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood donation and transfusion practices
article

HUMANIZAÇÃO NO CUIDADO TRANSFUSIONAL: A ATENÇÃO PERSONALIZADA COMO ALICERCE PARA QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES COM DOENÇAS HEMATOLÓGICAS

Claudiana Moura dos Santos, A.F.R. Araújo
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Abstract

Este relato apresenta a experiência no Ambulatório de Atenção Hematológica da Fundação HEMOPA, em Belém-PA, com foco na implementação de estratégias de humanização para pacientes em tratamento transfusional. São atendidos usuários da capital e do interior do estado, diagnosticados com doenças hematológicas crônicas como Anemia Falciforme, PTI, HPN, Aplasia Medular, Doença de Gaucher, Leucemia e Hemofilia. A rotina transfusional, muitas vezes prolongada e frequente, pode gerar impactos emocionais, sociais e físicos. Diante disso, a equipe multiprofissional adotou práticas que priorizam o acolhimento, a escuta qualificada, a personalização do cuidado por faixa etária e patologia e, no caso de crianças, o uso da ludicidade como ferramenta terapêutica. Proporcionar cuidado humanizado e individualizado a pacientes em transfusão, respeitando suas especificidades clínicas, emocionais e sociais; promover adesão ao tratamento; minimizar sofrimento e efeitos da doença; e construir, junto aos usuários e seus acompanhantes, uma base sólida que favoreça a longevidade com qualidade de vida. A abordagem humanizada é realizada no leito durante o processo transfusional, com atuação integrada da psicologia e do serviço social. As intervenções são adaptadas à idade e à condição clínica: adultos recebem suporte focado na escuta, orientação e vínculo; crianças participam de atividades lúdico-terapêuticas (brincadeiras, jogos, histórias, vídeos e desenhos). O atendimento é individualizado, considerando o diagnóstico e o modo como cada sujeito enfrenta a doença. Do ponto de vista ético, trata-se de um relato de experiência institucional, sem coleta de dados identificáveis ou intervenção para fins de pesquisa, o que dispensa submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme a Resolução n° 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. Foram respeitados os princípios do sigilo, privacidade e anonimato dos usuários. Observa-se melhora na aceitação do tratamento, redução da ansiedade, fortalecimento de vínculos familiares e aumento da confiança dos pacientes na equipe. Crianças apresentam maior adesão e entendimento sobre o tratamento quando envolvidas em atividades lúdicas. Adultos e idosos relatam alívio ao serem ouvidos e acolhidos em suas angústias. O cuidado personalizado favorece o enfrentamento da doença e a continuidade terapêutica. A escuta qualificada e o acolhimento, aliados à atenção individualizada, contribuem para a construção de vínculos terapêuticos. A personalização do cuidado conforme o ciclo de vida e a patologia reforça o protagonismo do paciente e potencializa os efeitos do tratamento. A ludoterapia promove compreensão simbólica do adoecimento e torna o ambiente menos ameaçador. As intervenções da equipe multiprofissional vão além do cuidado pontual, oferecendo suporte contínuo e significativo. O programa de humanização do ambulatório da Fundação HEMOPA demonstra que acolher, escutar e cuidar com empatia são estratégias fundamentais para adesão ao tratamento e enfrentamento das doenças crônicas. A atenção diferenciada por faixa etária e patologia fortalece o cuidado integral e contribui para uma trajetória terapêutica mais leve e eficaz.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Fundação Hemopa (BR)
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Blood donation and transfusion practices
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