PLASMÓCITOS ANÔMALOS E CLONAIS MIMETIZANDO BLASTOS MEGACARIOCÍTICOS: OS DESAFIOS DIAGNÓSTICOS DA LEUCEMIA DE CÉLULAS PLASMOCITÁRIAS COM FENÓTIPO ANAPLÁSICO

A leucemia de células plasmocitárias (LCP) é uma neoplasia rara e agressiva dos plasmócitos, definida pela presença de >5% de plasmócitos ou >500 células/mm 3 no sangue periférico. A forma anaplásica é uma variante morfológica incomum, com plasmócitos pleomórficos, alta taxa proliferativa e características imunofenotípicas compatíveis com origem plasmocitária. Apresenta evolução rapidamente progressiva, com sobrevida média entre 3 e 5 meses. Apresentamos paciente masculino, 71 anos, que procurou emergência com quadro de delirium hiperativo, fraqueza muscular, dor lombar e perda ponderal de 20% nos dois meses prévio. Os dados laboratoriais evidenciaram hipercalcemia (13 mg/dL - VR 10.5), lesão renal aguda (Creatinina: basal 0.8 / admissional 2.54), e bicitopenia (HB 8.1; VCM 88 Plaquetas 59 mil). Na tomografia evidenciadas lesões osteolíticas. No mielograma observadas 79% de células imaturas de médio a grande porte, com cromatina frouxa, nucléolos proeminentes, citoplasma basofílico com blebs, alem de núcleos, por vezes, bilobulados sugestivo de leucemia aguda; 13% dessas células estavam presentes no sangue periférico. A imunofenotipagem mostrou plasmócitos CD138+++, CD19-, CD20-, CD45-, CD56 -, com restrição para cadeia leve intracitoplasmática lambda. FISH identificou três sinais de centrômero do cromossomo 17, sugerindo possível trissomia. Após estabilização clínica inicial, foi iniciado esquema VCD (Bortezimibe, ciclofosfamida e dexametasona). Houve melhora transitória da função renal, mas persistência de anemia com necessidade transfusional. Evoluiu com insuficiência renal aguda dialítica, após 3 semanas do inicio da quimioterapia, sem estabilidade hemodinâmica para diálise, indo a óbito. A apresentação morfológica dos plasmócitos simulou blastos típicos de leucemia megacarioblástica, porém a integração entre a clínica, a morfologia, a imunofenotipagem e o perfil genético foram fundamentais para confirmação diagnóstica de LCP anaplásica. A evolução fulminante e refratariedade terapêutica observadas refletem o comportamento agressivo desta entidade. Este caso ressalta a importância da correlação entre a clínica e as metodologias diagnósticas, além da necessidade de estratégias terapêuticas individualizadas frente às variantes raras e agressivas.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104857
Primary Topic
Multiple Myeloma Research and Treatments
Type
article
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PLASMÓCITOS ANÔMALOS E CLONAIS MIMETIZANDO BLASTOS MEGACARIOCÍTICOS: OS DESAFIOS DIAGNÓSTICOS DA LEUCEMIA DE CÉLULAS PLASMOCITÁRIAS COM FENÓTIPO ANAPLÁSICO

KMC Albuquerque, RB Albuquerque, LEM Carvalho, H. Da Silva et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Multiple Myeloma Research and Treatments
article

PLASMÓCITOS ANÔMALOS E CLONAIS MIMETIZANDO BLASTOS MEGACARIOCÍTICOS: OS DESAFIOS DIAGNÓSTICOS DA LEUCEMIA DE CÉLULAS PLASMOCITÁRIAS COM FENÓTIPO ANAPLÁSICO

KMC Albuquerque, RB Albuquerque, LEM Carvalho, H. Da Silva, ETMFS Vasconcelos, J. de R. C. Ribeiro, Miguel Borges, FET Filho, M. I. Pereira de Queiroz, FRFG Azin
article en

Abstract

A leucemia de células plasmocitárias (LCP) é uma neoplasia rara e agressiva dos plasmócitos, definida pela presença de >5% de plasmócitos ou >500 células/mm 3 no sangue periférico. A forma anaplásica é uma variante morfológica incomum, com plasmócitos pleomórficos, alta taxa proliferativa e características imunofenotípicas compatíveis com origem plasmocitária. Apresenta evolução rapidamente progressiva, com sobrevida média entre 3 e 5 meses. Apresentamos paciente masculino, 71 anos, que procurou emergência com quadro de delirium hiperativo, fraqueza muscular, dor lombar e perda ponderal de 20% nos dois meses prévio. Os dados laboratoriais evidenciaram hipercalcemia (13 mg/dL - VR 10.5), lesão renal aguda (Creatinina: basal 0.8 / admissional 2.54), e bicitopenia (HB 8.1; VCM 88 Plaquetas 59 mil). Na tomografia evidenciadas lesões osteolíticas. No mielograma observadas 79% de células imaturas de médio a grande porte, com cromatina frouxa, nucléolos proeminentes, citoplasma basofílico com blebs, alem de núcleos, por vezes, bilobulados sugestivo de leucemia aguda; 13% dessas células estavam presentes no sangue periférico. A imunofenotipagem mostrou plasmócitos CD138+++, CD19-, CD20-, CD45-, CD56 -, com restrição para cadeia leve intracitoplasmática lambda. FISH identificou três sinais de centrômero do cromossomo 17, sugerindo possível trissomia. Após estabilização clínica inicial, foi iniciado esquema VCD (Bortezimibe, ciclofosfamida e dexametasona). Houve melhora transitória da função renal, mas persistência de anemia com necessidade transfusional. Evoluiu com insuficiência renal aguda dialítica, após 3 semanas do inicio da quimioterapia, sem estabilidade hemodinâmica para diálise, indo a óbito. A apresentação morfológica dos plasmócitos simulou blastos típicos de leucemia megacarioblástica, porém a integração entre a clínica, a morfologia, a imunofenotipagem e o perfil genético foram fundamentais para confirmação diagnóstica de LCP anaplásica. A evolução fulminante e refratariedade terapêutica observadas refletem o comportamento agressivo desta entidade. Este caso ressalta a importância da correlação entre a clínica e as metodologias diagnósticas, além da necessidade de estratégias terapêuticas individualizadas frente às variantes raras e agressivas.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal do Ceará (BR), Hospital Universitário Walter Cantídio (BR), Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (BR), Hospital Geral de Fortaleza (BR)
Openalex Percentile: Top 59%
Multiple Myeloma Research and Treatments
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