USO DOS ANTICORPOS TRBC1 E TRBC2 PARA AVALIAÇÃO DE CLONALIDADE DE LINFÓCITOS T POR CITOMETRIA DE FLUXO PARAMÉTRICA

A avaliação de clonalidade de linfócitos T por citometria de fluxo tem se consolidado como ferramenta complementar no diagnóstico de neoplasias de células T maduras, auxiliando na diferenciação entre expansões reativas e neoplásicas. O uso combinado dos anticorpos TRBC1 e TRBC2 permite identificar a restrição na expressão de um dos epítopos da cadeia β do receptor de células T, sugerindo clonalidade. Apesar de estudos prévios demonstrarem sua aplicabilidade, a padronização de valores de referência e o desempenho na rotina laboratorial brasileira ainda carecem de validação. Validar um tubo contendo anticorpos TRBC1 e TRBC2 para a análise de clonalidade de linfócitos T, estabelecendo valores de referência para populações CD4+ e CD8+ em indivíduos normais e caracterizando o perfil imunofenotípico de casos clonais. Foram analisados 26 casos consecutivos, sendo 17 controles normais e 9 casos com linfócitos T clonais confirmados por critérios clínico-laboratoriais. O tubo de clonalidade T continha anticorpos anti-TRBC1 e anti-TRBC2, além de marcadores para definição das populações de interesse (CD3, CD4, CD8, CD5, CD7, CD57 e CD45). A aquisição foi realizada em citômetro FACSLyric (BD), com análise no software Infinicyt. Foram calculadas as médias, medianas, desvios- padrão, mínimos e máximos para cada população e para as relações TRBC2/TRBC1. Nos casos clonais, foi calculada a porcentagem total de linfócitos T clonais e identificada a monoclonalidade (TRBC1+ ou TRBC2+). Nos controles normais, observou-se uma distribuição equilibrada de TRBC1 e TRBC2. Na população CD4+, a média de TRBC1 foi de 44,3% ± 6,5 (30,8-56%), enquanto a média de TRBC2 foi de 55,7% ± 6,5 (44-69%). A razão TRBC2/1 apresentou média de 1,31 ± 0,38 (0,79-2,25), com intervalo de referência calculado em 0,57 a 2,05. Na população CD8+, a média de TRBC1 foi de 35,7% ± 8,7 (18-52,9%) e a média de TRBC2 foi de 64,3% ± 8,7 (47-82%). A razão TRBC2/1 teve média de 2 ± 0,88 (0,89-4,56), com intervalo de referência de 0,28 a 3,73. As subpopulações CD4+/CD57+ e CD8+/CD57+ apresentaram maior variabilidade, mas mantiveram razões TRBC2/1 próximas a uma unidade na maioria dos casos normais. Na população CD4+/CD57+, a média de TRBC1 foi de 37,5% ± 27,4 e a de TRBC2 foi de 55,65% ± 27,76, com razão TRBC2/1 média de 2,61 ± 2,85. Já na população CD8+/CD57+, a média de TRBC1 foi de 32,2% ± 13,7 e a de TRBC2 foi de 67,8% ± 9,9, com razão TRBC2/1 média de 2,47 ± 1,37. Nos casos clonais (n = 9), a mediana da porcentagem de linfócitos T clonais foi de 9,6% (1,4% –52%). Sete casos apresentaram clonalidade para TRBC2 e dois casos para TRBC1. Em todos os casos, a razão TRBC2/1 esteve fora dos intervalos de referência estabelecidos para a população normal, evidenciando restrição fenotípica. Os clones TRBC2+ apresentaram razões TRBC2/1 elevadas, frequentemente acima de 6, enquanto os clones TRBC1+ mostraram razões inferiores a 0,1. A diferença entre casos normais e clonais foi evidente em ambas as populações CD4+ e CD8+. A detecção de restrição na expressão de TRBC1 ou TRBC2 é um método reprodutível e aplicável na rotina laboratorial para avaliação de clonalidade de linfócitos T. O presente estudo estabeleceu valores de referência para populações CD4+ e CD8+ em nossa população, demonstrando utilidade do tubo validado na diferenciação entre expansões reativas e neoplásicas.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104313
Primary Topic
Cutaneous lymphoproliferative disorders research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

USO DOS ANTICORPOS TRBC1 E TRBC2 PARA AVALIAÇÃO DE CLONALIDADE DE LINFÓCITOS T POR CITOMETRIA DE FLUXO PARAMÉTRICA

TTT Catelan, MCA Silva, ACT Silva, Beatriz Severino da Silva et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Cutaneous lymphoproliferative disorders research
article

USO DOS ANTICORPOS TRBC1 E TRBC2 PARA AVALIAÇÃO DE CLONALIDADE DE LINFÓCITOS T POR CITOMETRIA DE FLUXO PARAMÉTRICA

TTT Catelan, MCA Silva, ACT Silva, Beatriz Severino da Silva, YH Maekawa, AF Sandes, MV Gonçalves
article en

Abstract

A avaliação de clonalidade de linfócitos T por citometria de fluxo tem se consolidado como ferramenta complementar no diagnóstico de neoplasias de células T maduras, auxiliando na diferenciação entre expansões reativas e neoplásicas. O uso combinado dos anticorpos TRBC1 e TRBC2 permite identificar a restrição na expressão de um dos epítopos da cadeia β do receptor de células T, sugerindo clonalidade. Apesar de estudos prévios demonstrarem sua aplicabilidade, a padronização de valores de referência e o desempenho na rotina laboratorial brasileira ainda carecem de validação. Validar um tubo contendo anticorpos TRBC1 e TRBC2 para a análise de clonalidade de linfócitos T, estabelecendo valores de referência para populações CD4+ e CD8+ em indivíduos normais e caracterizando o perfil imunofenotípico de casos clonais. Foram analisados 26 casos consecutivos, sendo 17 controles normais e 9 casos com linfócitos T clonais confirmados por critérios clínico-laboratoriais. O tubo de clonalidade T continha anticorpos anti-TRBC1 e anti-TRBC2, além de marcadores para definição das populações de interesse (CD3, CD4, CD8, CD5, CD7, CD57 e CD45). A aquisição foi realizada em citômetro FACSLyric (BD), com análise no software Infinicyt. Foram calculadas as médias, medianas, desvios- padrão, mínimos e máximos para cada população e para as relações TRBC2/TRBC1. Nos casos clonais, foi calculada a porcentagem total de linfócitos T clonais e identificada a monoclonalidade (TRBC1+ ou TRBC2+). Nos controles normais, observou-se uma distribuição equilibrada de TRBC1 e TRBC2. Na população CD4+, a média de TRBC1 foi de 44,3% ± 6,5 (30,8-56%), enquanto a média de TRBC2 foi de 55,7% ± 6,5 (44-69%). A razão TRBC2/1 apresentou média de 1,31 ± 0,38 (0,79-2,25), com intervalo de referência calculado em 0,57 a 2,05. Na população CD8+, a média de TRBC1 foi de 35,7% ± 8,7 (18-52,9%) e a média de TRBC2 foi de 64,3% ± 8,7 (47-82%). A razão TRBC2/1 teve média de 2 ± 0,88 (0,89-4,56), com intervalo de referência de 0,28 a 3,73. As subpopulações CD4+/CD57+ e CD8+/CD57+ apresentaram maior variabilidade, mas mantiveram razões TRBC2/1 próximas a uma unidade na maioria dos casos normais. Na população CD4+/CD57+, a média de TRBC1 foi de 37,5% ± 27,4 e a de TRBC2 foi de 55,65% ± 27,76, com razão TRBC2/1 média de 2,61 ± 2,85. Já na população CD8+/CD57+, a média de TRBC1 foi de 32,2% ± 13,7 e a de TRBC2 foi de 67,8% ± 9,9, com razão TRBC2/1 média de 2,47 ± 1,37. Nos casos clonais (n = 9), a mediana da porcentagem de linfócitos T clonais foi de 9,6% (1,4% –52%). Sete casos apresentaram clonalidade para TRBC2 e dois casos para TRBC1. Em todos os casos, a razão TRBC2/1 esteve fora dos intervalos de referência estabelecidos para a população normal, evidenciando restrição fenotípica. Os clones TRBC2+ apresentaram razões TRBC2/1 elevadas, frequentemente acima de 6, enquanto os clones TRBC1+ mostraram razões inferiores a 0,1. A diferença entre casos normais e clonais foi evidente em ambas as populações CD4+ e CD8+. A detecção de restrição na expressão de TRBC1 ou TRBC2 é um método reprodutível e aplicável na rotina laboratorial para avaliação de clonalidade de linfócitos T. O presente estudo estabeleceu valores de referência para populações CD4+ e CD8+ em nossa população, demonstrando utilidade do tubo validado na diferenciação entre expansões reativas e neoplásicas.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Cutaneous lymphoproliferative disorders research
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