USO DIRETO DE ANTICOAGULANTES ORAIS EM PACIENTES COM TROMBOFILIA HEREDITÁRIA: REVISÃO DE LITERATURA

A trombofilia é uma condição de anormalidade do sistema de coagulação que favorece o desenvolvimento de eventos tromboembólicos, podendo ser hereditária ou adquirida. A hereditariedade está associada à mutação nos genes ligados à produção dos fatores hemostáticos e, de acordo com a etiologia, a trombofilia pode ser dividida entre alto risco e baixo risco. A predisposição à formação de coágulos é um componente da Tríade de Virchow e, assim, tem como manifestação mais comum o Tromboembolismo Venoso (TEV), sendo as gestantes o grupo populacional com maior risco. Os anticoagulantes orais diretos (DOACs) se apresentaram como fármacos novos que oferecem opção terapêutica ao tratamento anticoagulante e seu uso expressa aumento exponencial nos últimos anos. Compreender a indicação dos DOACs na terapia do TEV nos pacientes portadores de trombofilia hereditária. Trata-se de um estudo narrativo, do tipo revisão de literatura, baseado em pesquisa realizada nas bases de dados científicos PubMed e SciELO e em protocolos disponíveis na Biblioteca Virtual de Saúde. Os Descritores em Ciências de Saúde (DECS) usados foram: “trombofilia”, “tromboembolismo”, “medicamentos anticoagulantes”, “DOACs”. O risco tromboembólico associado às trombofilias hereditárias indica o manejo dessa condição iniciando pelas medidas de mudança de estilo de vida, como cessação do tabagismo, combate ao sedentarismo, alimentação saudável e uso de meias de compressão. No tratamento da TEV na trombofilia, antes do ano de 2013, predominantemente eram prescritos os Antagonistas da Vitamina K (AVKs), a varfarina, e após isso, excederam as prescrições dos anticoagulantes orais diretos ‒ dabigatrana, rivaroxabana, apixabana, edoxabana e betrixabana. Os DOACs têm como mecanismo de ação a inibição direta do fator Xa ou da trombina e suas vantagens em relação aos AVKs incluem menos requisitos e menor frequência de monitoramento, efeitos de início e término do medicamento mais imediatos e menos interações medicamentosas e alimentares. A recomendação para o DOAC tem contraindicações, como indivíduos com insuficiência renal grave, pelo risco de acúmulo do fármaco e consequente aumento da probabilidade de sangramento; síndrome do anticorpo antifosfolipídeo, especialmente nas formas de alto risco, caracterizadas por tripla positividade e histórico de eventos trombóticos recorrentes, devido à menor eficácia observada em comparação aos AVKs; extremos de peso corporal, pela escassez de evidências robustas sobre eficácia e segurança nesses grupos; e profilaxia de trombose em pacientes portadores de válvula mecânica, nos quais estudos clínicos demonstraram aumento da incidência de trombose valvar e de complicações hemorrágicas com o uso de dabigatrana em comparação à varfarina, evidenciando que os DOACs não oferecem proteção adequada nesse cenário e, portanto, os AVKs são o padrão terapêutico estabelecido. A duração da terapia de anticoagulação é determinada pela avaliação dos riscos de recorrência de TEV e sangramento relacionado ao anticoagulante. Sendo assim, apesar das limitações de evidência em subgrupos específicos, o uso crescente dos anticoagulantes orais em pacientes portadores de trombofilia reflete o potencial para otimizar o manejo anticoagulante, principalmente por sua importância na abordagem do sangramento agudo e periprocedimental, melhorar a adesão e qualidade de vida dos pacientes, destacando a necessidade de estudos adicionais que consolidem sua eficácia e segurança nesse contexto.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105468
Primary Topic
Blood Coagulation and Thrombosis Mechanisms
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
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USO DIRETO DE ANTICOAGULANTES ORAIS EM PACIENTES COM TROMBOFILIA HEREDITÁRIA: REVISÃO DE LITERATURA

Mauro Batista de Morais, Henrique Carvalho, Manuel Almeida, LKB deAndrade
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood Coagulation and Thrombosis Mechanisms
article

USO DIRETO DE ANTICOAGULANTES ORAIS EM PACIENTES COM TROMBOFILIA HEREDITÁRIA: REVISÃO DE LITERATURA

Mauro Batista de Morais, Henrique Carvalho, Manuel Almeida, LKB deAndrade
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Abstract

A trombofilia é uma condição de anormalidade do sistema de coagulação que favorece o desenvolvimento de eventos tromboembólicos, podendo ser hereditária ou adquirida. A hereditariedade está associada à mutação nos genes ligados à produção dos fatores hemostáticos e, de acordo com a etiologia, a trombofilia pode ser dividida entre alto risco e baixo risco. A predisposição à formação de coágulos é um componente da Tríade de Virchow e, assim, tem como manifestação mais comum o Tromboembolismo Venoso (TEV), sendo as gestantes o grupo populacional com maior risco. Os anticoagulantes orais diretos (DOACs) se apresentaram como fármacos novos que oferecem opção terapêutica ao tratamento anticoagulante e seu uso expressa aumento exponencial nos últimos anos. Compreender a indicação dos DOACs na terapia do TEV nos pacientes portadores de trombofilia hereditária. Trata-se de um estudo narrativo, do tipo revisão de literatura, baseado em pesquisa realizada nas bases de dados científicos PubMed e SciELO e em protocolos disponíveis na Biblioteca Virtual de Saúde. Os Descritores em Ciências de Saúde (DECS) usados foram: “trombofilia”, “tromboembolismo”, “medicamentos anticoagulantes”, “DOACs”. O risco tromboembólico associado às trombofilias hereditárias indica o manejo dessa condição iniciando pelas medidas de mudança de estilo de vida, como cessação do tabagismo, combate ao sedentarismo, alimentação saudável e uso de meias de compressão. No tratamento da TEV na trombofilia, antes do ano de 2013, predominantemente eram prescritos os Antagonistas da Vitamina K (AVKs), a varfarina, e após isso, excederam as prescrições dos anticoagulantes orais diretos ‒ dabigatrana, rivaroxabana, apixabana, edoxabana e betrixabana. Os DOACs têm como mecanismo de ação a inibição direta do fator Xa ou da trombina e suas vantagens em relação aos AVKs incluem menos requisitos e menor frequência de monitoramento, efeitos de início e término do medicamento mais imediatos e menos interações medicamentosas e alimentares. A recomendação para o DOAC tem contraindicações, como indivíduos com insuficiência renal grave, pelo risco de acúmulo do fármaco e consequente aumento da probabilidade de sangramento; síndrome do anticorpo antifosfolipídeo, especialmente nas formas de alto risco, caracterizadas por tripla positividade e histórico de eventos trombóticos recorrentes, devido à menor eficácia observada em comparação aos AVKs; extremos de peso corporal, pela escassez de evidências robustas sobre eficácia e segurança nesses grupos; e profilaxia de trombose em pacientes portadores de válvula mecânica, nos quais estudos clínicos demonstraram aumento da incidência de trombose valvar e de complicações hemorrágicas com o uso de dabigatrana em comparação à varfarina, evidenciando que os DOACs não oferecem proteção adequada nesse cenário e, portanto, os AVKs são o padrão terapêutico estabelecido. A duração da terapia de anticoagulação é determinada pela avaliação dos riscos de recorrência de TEV e sangramento relacionado ao anticoagulante. Sendo assim, apesar das limitações de evidência em subgrupos específicos, o uso crescente dos anticoagulantes orais em pacientes portadores de trombofilia reflete o potencial para otimizar o manejo anticoagulante, principalmente por sua importância na abordagem do sangramento agudo e periprocedimental, melhorar a adesão e qualidade de vida dos pacientes, destacando a necessidade de estudos adicionais que consolidem sua eficácia e segurança nesse contexto.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (BR)
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Blood Coagulation and Thrombosis Mechanisms
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