DESAFIOS PARA A ADESÃO AO ACOMPANHAMENTO DOS SOBREVIVENTES DE HEMOPATIAS MALIGNAS NA INFÂNCIA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

O número de sobreviventes de hemopatias malignas infantis aumentou significativamente nas últimas décadas, principalmente devido aos avanços no diagnóstico e terapias oncológicas. Concomitantemente, mais de 95% dos pacientes desenvolvem condições crônicas de efeitos tardios do tratamento, porém menos de 20% recebe acompanhamento adequado. Este estudo tem como objetivo identificar e analisar, com base na produção científica atual, as barreiras que dificultam o acompanhamento médico após o final do tratamento oncológico de um paciente pediátrico. Trata-se de uma revisão integrativa dos últimos 10-anos, a partir dos descritores em saúde “ adherence barriers ”, “ child cancer ” e “ follow-up ”. Os sítios de busca foram PubMed, BVS e ScienceDirect. Observa-se a carência de um fluxo de cuidado para direcionar e determinar as condutas pós-tratamento. Mais além, a falta de centros e médicos especialistas em efeitos tardios, principalmente em regiões interioranas, contribui para a baixa adesão ao seguimento das consultas de vigilância. As dificuldades financeiras para manter o acompanhamento médico, os obstáculos de agendamento, transporte e custos associados, junto à ausência de plano ou sistema de saúde público e distância dos hospitais são alguns dos principais desafios. Ademais, muitos jovens adultos sobreviventes relatam não entender a importância do seguimento, além de sentirem falta de orientações para os cuidados prolongados. Sobreviventes com maior percepção de controle sob a situação, devido ao entendimento do caso, tendem a aderir com mais frequência ao acompanhamento a longo prazo, e a quantidade de informações compartilhadas com os familiares e responsáveis sobre a importância do acompanhamento se torna um fator contribuinte para uma boa adesão. Enfatiza-se a dificuldade de lidar com o sistema de saúde, contribuindo para a baixa adesão ao acompanhamento ao longo do tempo. Ainda mais, é imprescindível a equipe médica compartilhar informações sobre o caso ao paciente e familiares, a fim de compreensão da importância do seguimento. Desse modo, existe a urgência de criar modelos de cuidado mais acessíveis, integrados e personalizados, que ofereçam orientação e suporte a longo prazo, conforme a necessidade dos sobreviventes de hemopatias malignas na infância.

Authors

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105103
Primary Topic
Palliative and Oncologic Care
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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DESAFIOS PARA A ADESÃO AO ACOMPANHAMENTO DOS SOBREVIVENTES DE HEMOPATIAS MALIGNAS NA INFÂNCIA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

S. SILVA, Lorena Martinello, Damião Júnio Gonçalves Araújo, E. Otto et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Palliative and Oncologic Care
article

DESAFIOS PARA A ADESÃO AO ACOMPANHAMENTO DOS SOBREVIVENTES DE HEMOPATIAS MALIGNAS NA INFÂNCIA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

S. SILVA, Lorena Martinello, Damião Júnio Gonçalves Araújo, E. Otto, G. Angeli, IU Menegazzo, F Verkruessen
article en

Abstract

O número de sobreviventes de hemopatias malignas infantis aumentou significativamente nas últimas décadas, principalmente devido aos avanços no diagnóstico e terapias oncológicas. Concomitantemente, mais de 95% dos pacientes desenvolvem condições crônicas de efeitos tardios do tratamento, porém menos de 20% recebe acompanhamento adequado. Este estudo tem como objetivo identificar e analisar, com base na produção científica atual, as barreiras que dificultam o acompanhamento médico após o final do tratamento oncológico de um paciente pediátrico. Trata-se de uma revisão integrativa dos últimos 10-anos, a partir dos descritores em saúde “ adherence barriers ”, “ child cancer ” e “ follow-up ”. Os sítios de busca foram PubMed, BVS e ScienceDirect. Observa-se a carência de um fluxo de cuidado para direcionar e determinar as condutas pós-tratamento. Mais além, a falta de centros e médicos especialistas em efeitos tardios, principalmente em regiões interioranas, contribui para a baixa adesão ao seguimento das consultas de vigilância. As dificuldades financeiras para manter o acompanhamento médico, os obstáculos de agendamento, transporte e custos associados, junto à ausência de plano ou sistema de saúde público e distância dos hospitais são alguns dos principais desafios. Ademais, muitos jovens adultos sobreviventes relatam não entender a importância do seguimento, além de sentirem falta de orientações para os cuidados prolongados. Sobreviventes com maior percepção de controle sob a situação, devido ao entendimento do caso, tendem a aderir com mais frequência ao acompanhamento a longo prazo, e a quantidade de informações compartilhadas com os familiares e responsáveis sobre a importância do acompanhamento se torna um fator contribuinte para uma boa adesão. Enfatiza-se a dificuldade de lidar com o sistema de saúde, contribuindo para a baixa adesão ao acompanhamento ao longo do tempo. Ainda mais, é imprescindível a equipe médica compartilhar informações sobre o caso ao paciente e familiares, a fim de compreensão da importância do seguimento. Desse modo, existe a urgência de criar modelos de cuidado mais acessíveis, integrados e personalizados, que ofereçam orientação e suporte a longo prazo, conforme a necessidade dos sobreviventes de hemopatias malignas na infância.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Palliative and Oncologic Care
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