O IMPACTO DAS DOENÇAS AUTOIMUNES NA COAGULAÇÃO E HEMOSTASIA: REVISÃO NARRATIVA

Doenças autoimunes frequentemente comprometem o equilíbrio hemostático por mecanismos multifatoriais, como produção de autoanticorpos, ativação endotelial, disfunção plaquetária e consumo de fatores de coagulação. Essas alterações podem predispor a eventos trombóticos ou hemorrágicos, variando conforme o tipo e a atividade da doença. O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), a Síndrome Antifosfolípide (SAF), a Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) e as vasculites sistêmicas exemplificam condições de relevância clínica com impacto direto na coagulação. Investigar como diferentes doenças autoimunes afetam a coagulação e a hemostasia, identificando mecanismos fisiopatológicos e manifestações clínicas que predispõem a eventos trombóticos ou hemorrágicos, e avaliar o impacto dessas alterações no manejo e prognóstico dos pacientes. Revisão narrativa de estudos publicados entre janeiro de 2015 e julho de 2025, pesquisados nas bases PubMed, SciELO e LILACS, utilizando os descritores “autoimmune disease” AND (“coagulation” OR “hemostasis” OR “thrombosis” OR “bleeding”). Foram incluídos artigos originais e revisões que abordassem mecanismos fisiopatológicos ou manifestações clínicas de disfunção hemostática em doenças autoimunes. Excluíram-se estudos sem dados clínicos relevantes, pesquisas exclusivamente em animais, duplicatas e publicações sem acesso integral. Foram incluídos 24 estudos. Na Síndrome Antifosfolípide (SAF), a presença persistente de anticorpos antifosfolípides ‒ anticardiolipina, anti-β2-glicoproteína I e anticoagulante lúpico ‒ associa-se a hipercoagulabilidade e eventos trombóticos arteriais e venosos recorrentes, sendo recomendada anticoagulação prolongada em casos confirmados. No Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), há aumento do risco de trombose venosa profunda e acidente vascular cerebral, especialmente em pacientes com SAF secundária ou alta atividade inflamatória. Na Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI), embora marcada por plaquetopenia, observa-se risco paradoxal de trombose, possivelmente relacionado à ativação plaquetária residual, inflamação crônica e uso de agonistas do receptor de trombopoetina. Em vasculites sistêmicas, a inflamação endotelial favorece eventos trombóticos, enquanto o uso prolongado de imunossupressores pode aumentar o risco hemorrágico. As doenças autoimunes influenciam a hemostasia por vias inflamatórias, autoimunes e de dano endotelial, modulando simultaneamente mecanismos pró-trombóticos e pró-hemorrágicos. A SAF e o LES apresentam forte associação com trombose, enquanto a PTI e as vasculites demonstram que eventos trombóticos também podem ocorrer em cenários de plaquetopenia ou consumo de fatores. A estratificação de risco deve integrar marcadores laboratoriais, perfil sorológico e atividade da doença, permitindo ajustes individualizados de profilaxia e tratamento. A ausência de protocolos padronizados que conciliem prevenção de trombose com redução de sangramento reforça a necessidade de estudos prospectivos. Dessa forma, o impacto das doenças autoimunes na coagulação e hemostasia demanda abordagem individualizada, equilibrando prevenção e tratamento de eventos trombóticos e hemorrágicos. A compreensão dos mecanismos envolvidos e a aplicação de protocolos adaptados podem melhorar desfechos clínicos e reduzir complicações. Pesquisas multicêntricas são fundamentais para embasar condutas baseadas em evidências.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104987
Primary Topic
Systemic Lupus Erythematosus Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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article

O IMPACTO DAS DOENÇAS AUTOIMUNES NA COAGULAÇÃO E HEMOSTASIA: REVISÃO NARRATIVA

A. J. Pontes, V. C. da Silva, S Ferreira Filho, BVRE Almeida et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Systemic Lupus Erythematosus Research
article

O IMPACTO DAS DOENÇAS AUTOIMUNES NA COAGULAÇÃO E HEMOSTASIA: REVISÃO NARRATIVA

A. J. Pontes, V. C. da Silva, S Ferreira Filho, BVRE Almeida, GMRE Almeida, C. A. V. Oliveira, Luciana Fachini da Costa, Kelly Cristiene De Freitas Borges
article en

Abstract

Doenças autoimunes frequentemente comprometem o equilíbrio hemostático por mecanismos multifatoriais, como produção de autoanticorpos, ativação endotelial, disfunção plaquetária e consumo de fatores de coagulação. Essas alterações podem predispor a eventos trombóticos ou hemorrágicos, variando conforme o tipo e a atividade da doença. O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), a Síndrome Antifosfolípide (SAF), a Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) e as vasculites sistêmicas exemplificam condições de relevância clínica com impacto direto na coagulação. Investigar como diferentes doenças autoimunes afetam a coagulação e a hemostasia, identificando mecanismos fisiopatológicos e manifestações clínicas que predispõem a eventos trombóticos ou hemorrágicos, e avaliar o impacto dessas alterações no manejo e prognóstico dos pacientes. Revisão narrativa de estudos publicados entre janeiro de 2015 e julho de 2025, pesquisados nas bases PubMed, SciELO e LILACS, utilizando os descritores “autoimmune disease” AND (“coagulation” OR “hemostasis” OR “thrombosis” OR “bleeding”). Foram incluídos artigos originais e revisões que abordassem mecanismos fisiopatológicos ou manifestações clínicas de disfunção hemostática em doenças autoimunes. Excluíram-se estudos sem dados clínicos relevantes, pesquisas exclusivamente em animais, duplicatas e publicações sem acesso integral. Foram incluídos 24 estudos. Na Síndrome Antifosfolípide (SAF), a presença persistente de anticorpos antifosfolípides ‒ anticardiolipina, anti-β2-glicoproteína I e anticoagulante lúpico ‒ associa-se a hipercoagulabilidade e eventos trombóticos arteriais e venosos recorrentes, sendo recomendada anticoagulação prolongada em casos confirmados. No Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), há aumento do risco de trombose venosa profunda e acidente vascular cerebral, especialmente em pacientes com SAF secundária ou alta atividade inflamatória. Na Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI), embora marcada por plaquetopenia, observa-se risco paradoxal de trombose, possivelmente relacionado à ativação plaquetária residual, inflamação crônica e uso de agonistas do receptor de trombopoetina. Em vasculites sistêmicas, a inflamação endotelial favorece eventos trombóticos, enquanto o uso prolongado de imunossupressores pode aumentar o risco hemorrágico. As doenças autoimunes influenciam a hemostasia por vias inflamatórias, autoimunes e de dano endotelial, modulando simultaneamente mecanismos pró-trombóticos e pró-hemorrágicos. A SAF e o LES apresentam forte associação com trombose, enquanto a PTI e as vasculites demonstram que eventos trombóticos também podem ocorrer em cenários de plaquetopenia ou consumo de fatores. A estratificação de risco deve integrar marcadores laboratoriais, perfil sorológico e atividade da doença, permitindo ajustes individualizados de profilaxia e tratamento. A ausência de protocolos padronizados que conciliem prevenção de trombose com redução de sangramento reforça a necessidade de estudos prospectivos. Dessa forma, o impacto das doenças autoimunes na coagulação e hemostasia demanda abordagem individualizada, equilibrando prevenção e tratamento de eventos trombóticos e hemorrágicos. A compreensão dos mecanismos envolvidos e a aplicação de protocolos adaptados podem melhorar desfechos clínicos e reduzir complicações. Pesquisas multicêntricas são fundamentais para embasar condutas baseadas em evidências.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal do Oeste do Pará (BR), Universidade do Estado do Pará (BR)
Openalex Percentile: Top 55%
Systemic Lupus Erythematosus Research
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