COMPLICAÇÕES INFECCIOSAS NO PÓS-TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOÉTICAS: DESAFIOS CLÍNICOS E ESTRATÉGIAS PREVENTIVAS

O transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) é um procedimento terapêutico complexo, indicado para diversas doenças hematológicas malignas e não malignas. Consiste na infusão de células progenitoras hematopoéticas com o objetivo de restaurar a função medular em pacientes submetidos a tratamentos mieloablativos ou com falência da medula óssea. Apesar de seu potencial curativo, o TCTH está associado a longos períodos de imunossupressão, aumentando significativamente a vulnerabilidade a infecções. As complicações infecciosas representam uma das principais causas de morbimortalidade no período pós-transplante, variando conforme o tipo de transplante, fase de evolução e estado imunológico do receptor. Nesse cenário, a equipe de enfermagem, por meio da vigilância constante e da educação do paciente, assume um papel central na identificação de riscos e na implementação de medidas preventivas. A identificação dessas complicações, seus agentes etiológicos e medidas preventivas são essenciais para uma abordagem clínica segura e eficaz. Revisar a literatura científica atual sobre as principais complicações infecciosas em pacientes submetidos ao transplante de células-tronco hematopoéticas, destacando fatores de risco, agentes etiológicos, estratégias preventivas e impacto clínico. Foi realizada uma revisão narrativa da literatura nas bases PubMed, Embase e Scopus, utilizando os descritores: “transplante de células-tronco hematopoéticas”, “infecções”, “complicações infecciosas” e “imunossupressão”, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos artigos publicados entre 2019 e 2024, nos idiomas português, inglês e espanhol. A revisão da literatura demonstrou que as infecções bacterianas predominam nas primeiras semanas pós-transplante, frequentemente associadas à neutropenia e à presença de dispositivos invasivos. As infecções fúngicas invasivas, como as causadas por Aspergillus spp. e Candida spp., são mais comuns em pacientes imunossuprimidos, especialmente na presença de doença do enxerto contra o hospedeiro. Já as infecções virais, como a reativação do citomegalovírus (CMV) e do vírus Epstein-Barr (EBV), são características das fases tardias, exigindo vigilância prolongada. A prevenção e o manejo dessas infecções são cruciais para a segurança do paciente. Estratégias como antibioticoprofilaxia, uso de antifúngicos, rastreamento laboratorial, vacinações e isolamento reverso são eficazes na redução de riscos. O manejo precoce, aliado à atuação multiprofissional, contribui para a melhora da sobrevida e da qualidade de vida dos pacientes transplantados. As infecções no pós-TCTH continuam sendo um desafio clínico complexo e multifatorial. A atuação proativa da equipe de saúde, com ênfase na identificação precoce, adoção de protocolos preventivos e intervenção rápida, é crucial para mitigar complicações e garantir segurança assistencial. Protocolos bem estruturados, capacitação contínua e monitoramento especializado são essenciais para melhores desfechos clínicos.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105205
Primary Topic
Environmental and biological studies
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
|||
ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

COMPLICAÇÕES INFECCIOSAS NO PÓS-TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOÉTICAS: DESAFIOS CLÍNICOS E ESTRATÉGIAS PREVENTIVAS

Tina Meller, P. P. Spies, G Abreu, Marina Berrettini Paes de Barros et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Environmental and biological studies
article

COMPLICAÇÕES INFECCIOSAS NO PÓS-TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOÉTICAS: DESAFIOS CLÍNICOS E ESTRATÉGIAS PREVENTIVAS

Tina Meller, P. P. Spies, G Abreu, Marina Berrettini Paes de Barros, IK Costa, R A Lopes, V. F. G. Cezar, AF Zanchin, BE Grigio, PRS Bedin
article en

Abstract

O transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) é um procedimento terapêutico complexo, indicado para diversas doenças hematológicas malignas e não malignas. Consiste na infusão de células progenitoras hematopoéticas com o objetivo de restaurar a função medular em pacientes submetidos a tratamentos mieloablativos ou com falência da medula óssea. Apesar de seu potencial curativo, o TCTH está associado a longos períodos de imunossupressão, aumentando significativamente a vulnerabilidade a infecções. As complicações infecciosas representam uma das principais causas de morbimortalidade no período pós-transplante, variando conforme o tipo de transplante, fase de evolução e estado imunológico do receptor. Nesse cenário, a equipe de enfermagem, por meio da vigilância constante e da educação do paciente, assume um papel central na identificação de riscos e na implementação de medidas preventivas. A identificação dessas complicações, seus agentes etiológicos e medidas preventivas são essenciais para uma abordagem clínica segura e eficaz. Revisar a literatura científica atual sobre as principais complicações infecciosas em pacientes submetidos ao transplante de células-tronco hematopoéticas, destacando fatores de risco, agentes etiológicos, estratégias preventivas e impacto clínico. Foi realizada uma revisão narrativa da literatura nas bases PubMed, Embase e Scopus, utilizando os descritores: “transplante de células-tronco hematopoéticas”, “infecções”, “complicações infecciosas” e “imunossupressão”, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos artigos publicados entre 2019 e 2024, nos idiomas português, inglês e espanhol. A revisão da literatura demonstrou que as infecções bacterianas predominam nas primeiras semanas pós-transplante, frequentemente associadas à neutropenia e à presença de dispositivos invasivos. As infecções fúngicas invasivas, como as causadas por Aspergillus spp. e Candida spp., são mais comuns em pacientes imunossuprimidos, especialmente na presença de doença do enxerto contra o hospedeiro. Já as infecções virais, como a reativação do citomegalovírus (CMV) e do vírus Epstein-Barr (EBV), são características das fases tardias, exigindo vigilância prolongada. A prevenção e o manejo dessas infecções são cruciais para a segurança do paciente. Estratégias como antibioticoprofilaxia, uso de antifúngicos, rastreamento laboratorial, vacinações e isolamento reverso são eficazes na redução de riscos. O manejo precoce, aliado à atuação multiprofissional, contribui para a melhora da sobrevida e da qualidade de vida dos pacientes transplantados. As infecções no pós-TCTH continuam sendo um desafio clínico complexo e multifatorial. A atuação proativa da equipe de saúde, com ênfase na identificação precoce, adoção de protocolos preventivos e intervenção rápida, é crucial para mitigar complicações e garantir segurança assistencial. Protocolos bem estruturados, capacitação contínua e monitoramento especializado são essenciais para melhores desfechos clínicos.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (BR), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (BR), Grupo Hospitalar Conceição (BR)
Openalex Percentile: Top 70%
Environmental and biological studies
AI Navigator

Ask Laika to Summarize, Analyze, and Connect papers live on the map.

Summarize Papers & Methodologies

Extract key findings, datasets, and comparative methods across publications.

Benchmark Rankings & Visual Analytics

Rank top research institutions, authors, funders, topics, and journals by Field-Weighted Citation Impact (FWCI) and paper volume with instant charts.

Connect Distant Disciplines

Bridge topological clusters on the map to find hidden collaborative intersections.