QUANDO INDICAR TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA PARA LINFOMA DE HODGKIN CLÁSSICO?

O linfoma de Hodgkin clássico (LHC) é caracterizado pela presença das células de Reed-Sternberg, inflamação e envolvimento linfonodal, hepático e/ou esplênico. Atualmente possui como base de tratamento a classificação entre estágios precoce favorável ou desfavorável, ou estágio avançado, algo que tem determinado a escolha do esquema poliquimioterápico ideal. O presente estudo prima pela identificação de indicações específicas para a aplicação do transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH), principalmente para aqueles casos que envolvem recidiva ou refratariedade. O objetivo foi identificar em quais cenários clínicos o transplante de medula óssea autólogo ou alogênico é indicado no tratamento do LHC. Foi realizada uma revisão de literatura na base de dados PUBMED, no período de 2010 a 2025. Utilizaram-se os descritores: "Hodgkin Disease" AND "Bone Marrow Transplantation" AND "indications". A busca resultou em 9 artigos. Foram excluídos relatos e séries de caso, restando 5 artigos selecionados que focavam exclusivamente nas indicações do transplante de medula óssea, dos quais estavam inclusos artigos originais, revisões sistemáticas e estudos prospectivos. Todos os estudos inclusos foram unânimes em afirmar que o TCTH, seja autólogo ou alogênico, é expressamente indicado nos casos clínicos em que ocorre recorrência ou refratariedade. Nesse sentido, um dos estudos evidenciou o benefício de aumentar a sobrevida global e a sobrevida livre de progressão, em 36 meses, de 63% para 79% (p < 0,001) e de 49% para 60% (p < 0,001), respectivamente, para o transplante autólogo. Para o transplante alogênico, observou-se aumento da sobrevida global, em 36 meses, de 21% para 61% (p < 0,001) e a sobrevida livre de progressão de 15% para 43% (p < 0,001). Dessa maneira, a terapia de resgate tem como objetivo restabelecer a quimiossensibilidade, para tornar viável o TCTH. No entanto, a maioria dos estudos ainda reforça que a escolha pelo TCTH, especialmente o alogênico, deve ser reservada como opção terapêutica somente para aqueles casos refratários ou recidivados após terapêutica padrão. Apesar dos avanços nas técnicas de TCTH e da diminuição e controle das complicações como a doença do enxerto contra o hospedeiro, o TCTH, seja autólogo ou alogênico, ainda permanece como opção terapêutica de segunda ou, inclusive, de terceira linha. No entanto, dados recentes indicam melhora significativa nos desfechos clínicos ao longo dos anos, como o aumento da sobrevida global e do tempo de sobrevida livre de progressão. Esses avanços reforçam sua eficácia em casos selecionados, especialmente após falha da terapêutica padrão.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105547
Primary Topic
Lymphoma Diagnosis and Treatment
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
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QUANDO INDICAR TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA PARA LINFOMA DE HODGKIN CLÁSSICO?

ECP Sousa, Josiane dos Santos Silva, Valéria Pereira de Sousa, Liliane Stédile de Matos et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Lymphoma Diagnosis and Treatment
article

QUANDO INDICAR TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA PARA LINFOMA DE HODGKIN CLÁSSICO?

ECP Sousa, Josiane dos Santos Silva, Valéria Pereira de Sousa, Liliane Stédile de Matos, Filomena Nóbrega, A.P. Jesus, LKA Rocha, LF Alves, GLS Cordeiro
article en

Abstract

O linfoma de Hodgkin clássico (LHC) é caracterizado pela presença das células de Reed-Sternberg, inflamação e envolvimento linfonodal, hepático e/ou esplênico. Atualmente possui como base de tratamento a classificação entre estágios precoce favorável ou desfavorável, ou estágio avançado, algo que tem determinado a escolha do esquema poliquimioterápico ideal. O presente estudo prima pela identificação de indicações específicas para a aplicação do transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH), principalmente para aqueles casos que envolvem recidiva ou refratariedade. O objetivo foi identificar em quais cenários clínicos o transplante de medula óssea autólogo ou alogênico é indicado no tratamento do LHC. Foi realizada uma revisão de literatura na base de dados PUBMED, no período de 2010 a 2025. Utilizaram-se os descritores: "Hodgkin Disease" AND "Bone Marrow Transplantation" AND "indications". A busca resultou em 9 artigos. Foram excluídos relatos e séries de caso, restando 5 artigos selecionados que focavam exclusivamente nas indicações do transplante de medula óssea, dos quais estavam inclusos artigos originais, revisões sistemáticas e estudos prospectivos. Todos os estudos inclusos foram unânimes em afirmar que o TCTH, seja autólogo ou alogênico, é expressamente indicado nos casos clínicos em que ocorre recorrência ou refratariedade. Nesse sentido, um dos estudos evidenciou o benefício de aumentar a sobrevida global e a sobrevida livre de progressão, em 36 meses, de 63% para 79% (p < 0,001) e de 49% para 60% (p < 0,001), respectivamente, para o transplante autólogo. Para o transplante alogênico, observou-se aumento da sobrevida global, em 36 meses, de 21% para 61% (p < 0,001) e a sobrevida livre de progressão de 15% para 43% (p < 0,001). Dessa maneira, a terapia de resgate tem como objetivo restabelecer a quimiossensibilidade, para tornar viável o TCTH. No entanto, a maioria dos estudos ainda reforça que a escolha pelo TCTH, especialmente o alogênico, deve ser reservada como opção terapêutica somente para aqueles casos refratários ou recidivados após terapêutica padrão. Apesar dos avanços nas técnicas de TCTH e da diminuição e controle das complicações como a doença do enxerto contra o hospedeiro, o TCTH, seja autólogo ou alogênico, ainda permanece como opção terapêutica de segunda ou, inclusive, de terceira linha. No entanto, dados recentes indicam melhora significativa nos desfechos clínicos ao longo dos anos, como o aumento da sobrevida global e do tempo de sobrevida livre de progressão. Esses avanços reforçam sua eficácia em casos selecionados, especialmente após falha da terapêutica padrão.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade de Brasília (BR)
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Lymphoma Diagnosis and Treatment
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