SOBREVIDA DE PACIENTES DIAGNOSTICADOS COM LINFOMA DE BURKITT NO ESTADO DE SÃO PAULO

O Linfoma de Burkitt (LB) é um linfoma não-Hodgkin de células B, altamente agressivo e de rápido crescimento, exigindo intervenção precoce¹. Geneticamente, é marcado pela translocação e superexpressão do oncogene MYC. Apesar de altamente quimiossensível, com rápida regressão tumoral inicial¹, a agressividade da doença e a busca por melhor prognóstico justificam a continuidade de estudos que identifiquem perfis de risco, orientando intervenções mais direcionadas. Busca-se estimar a sobrevida de pacientes com LB no estado de São Paulo, por faixa etária e sexo, identificando padrões que auxiliem em estratégias mais eficazes de diagnóstico e manejo clínico, além de aprimorar o conhecimento sobre os perfis populacionais mais atingidos por essa neoplasia. Este estudo descritivo usou dados anonimizados do Registro Hospitalar de Câncer (RHC) de São Paulo, coordenado pela FOSP. A análise utilizou o software RStudio, incluindo diagnósticos de "LINFOMA DE BURKITT, SOE" (M-9687/3) entre 2000 e 2024. A sobrevida foi calculada do diagnóstico até a última informação do paciente, com “óbito por câncer” como evento. Uma limitação é a falta de detalhe sobre o tipo específico de câncer que causou o óbito. Para estimar a sobrevida foi utilizada a curva de Kaplan-Meier. A amostra contém 1345 pacientes diagnosticados com LB, acompanhados por 15 anos. A probabilidade geral de sobrevida no tempo inicial era 99,85% (IC95%: 99,41-99,96), com uma queda acentuada a 66,81% (IC95%: 64,14-69,32) no primeiro ano e seguindo um declínio gradual até 60,79% (IC95%: 57,88-63,56) ao final do período. Por sexo, ambos mantem uma tendência semelhante, com o masculino terminando em 61,79% (IC95%: 58,59- 65,18) e o feminino em 58,18% (IC95%: 52,88-64,01). Em faixas etárias, o grupo de 0 a 19 anos apresentou a maior sobrevida, partindo de 99,87% (IC95%: 99,62-100), 79,85% (IC95%: 77,02-82,78) após o primeiro ano e 75,80% (IC95%: 72,73-79,00) ao final. Já o grupo com 60 anos ou mais teve a menor sobrevida, começando em 100% (IC95%: 100-100), 43,11% (IC95%: 33,64-55,23) no primeiro ano e 37,50% (IC95%: 27,82-50,56) ao final. DISCUSSÃO: A taxa de sobrevida é menor em idosos, com pouca diferença entre os sexos. No primeiro ano, é verificado que a estatística cai notoriamente, o que presume-se ser pelo caráter agressivo e de rápido crescimento do LB. Após esse período, há uma estabilização da probabilidade, o que pode ser explicado pela alta resposta a quimioterapia, sendo os posteriores óbitos em razão da recidiva da doença ou por complicações tardias do tratamento - mielossupressão e infecções - especialmente em idosos e imunossuprimidos¹. Assim, o presente estudo está em consonância com a literatura, ratificando estudos como o de Saleh et al. Embora o LB exiba acelerada regressão tumoral com tratamentos, a sobrevida pode ser afetada pelo tempo de diagnóstico, provavelmente devido a seu comportamento proliferativo e agressivo, sobretudo em pacientes idosos, o perfil encontrado de maior risco, em função de sua baixa reserva funcional e menor resistência a tratamentos intensivos. Esses achados, em consenso com a literatura prévia existente, justificam a necessidade de se expandir o conhecimento acerca desse linfoma, visando um melhor prognóstico.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104798
Primary Topic
Lymphoma Diagnosis and Treatment
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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article

SOBREVIDA DE PACIENTES DIAGNOSTICADOS COM LINFOMA DE BURKITT NO ESTADO DE SÃO PAULO

Edison Gil, MEP Marchetti, B Otília Mônica Alves, LN Melo et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Lymphoma Diagnosis and Treatment
article

SOBREVIDA DE PACIENTES DIAGNOSTICADOS COM LINFOMA DE BURKITT NO ESTADO DE SÃO PAULO

Edison Gil, MEP Marchetti, B Otília Mônica Alves, LN Melo, G. Tonelli, VA Bastos, HM Teano, DM Lobert, AOG Golineli, GA Fioravante
article en

Abstract

O Linfoma de Burkitt (LB) é um linfoma não-Hodgkin de células B, altamente agressivo e de rápido crescimento, exigindo intervenção precoce¹. Geneticamente, é marcado pela translocação e superexpressão do oncogene MYC. Apesar de altamente quimiossensível, com rápida regressão tumoral inicial¹, a agressividade da doença e a busca por melhor prognóstico justificam a continuidade de estudos que identifiquem perfis de risco, orientando intervenções mais direcionadas. Busca-se estimar a sobrevida de pacientes com LB no estado de São Paulo, por faixa etária e sexo, identificando padrões que auxiliem em estratégias mais eficazes de diagnóstico e manejo clínico, além de aprimorar o conhecimento sobre os perfis populacionais mais atingidos por essa neoplasia. Este estudo descritivo usou dados anonimizados do Registro Hospitalar de Câncer (RHC) de São Paulo, coordenado pela FOSP. A análise utilizou o software RStudio, incluindo diagnósticos de "LINFOMA DE BURKITT, SOE" (M-9687/3) entre 2000 e 2024. A sobrevida foi calculada do diagnóstico até a última informação do paciente, com “óbito por câncer” como evento. Uma limitação é a falta de detalhe sobre o tipo específico de câncer que causou o óbito. Para estimar a sobrevida foi utilizada a curva de Kaplan-Meier. A amostra contém 1345 pacientes diagnosticados com LB, acompanhados por 15 anos. A probabilidade geral de sobrevida no tempo inicial era 99,85% (IC95%: 99,41-99,96), com uma queda acentuada a 66,81% (IC95%: 64,14-69,32) no primeiro ano e seguindo um declínio gradual até 60,79% (IC95%: 57,88-63,56) ao final do período. Por sexo, ambos mantem uma tendência semelhante, com o masculino terminando em 61,79% (IC95%: 58,59- 65,18) e o feminino em 58,18% (IC95%: 52,88-64,01). Em faixas etárias, o grupo de 0 a 19 anos apresentou a maior sobrevida, partindo de 99,87% (IC95%: 99,62-100), 79,85% (IC95%: 77,02-82,78) após o primeiro ano e 75,80% (IC95%: 72,73-79,00) ao final. Já o grupo com 60 anos ou mais teve a menor sobrevida, começando em 100% (IC95%: 100-100), 43,11% (IC95%: 33,64-55,23) no primeiro ano e 37,50% (IC95%: 27,82-50,56) ao final. DISCUSSÃO: A taxa de sobrevida é menor em idosos, com pouca diferença entre os sexos. No primeiro ano, é verificado que a estatística cai notoriamente, o que presume-se ser pelo caráter agressivo e de rápido crescimento do LB. Após esse período, há uma estabilização da probabilidade, o que pode ser explicado pela alta resposta a quimioterapia, sendo os posteriores óbitos em razão da recidiva da doença ou por complicações tardias do tratamento - mielossupressão e infecções - especialmente em idosos e imunossuprimidos¹. Assim, o presente estudo está em consonância com a literatura, ratificando estudos como o de Saleh et al. Embora o LB exiba acelerada regressão tumoral com tratamentos, a sobrevida pode ser afetada pelo tempo de diagnóstico, provavelmente devido a seu comportamento proliferativo e agressivo, sobretudo em pacientes idosos, o perfil encontrado de maior risco, em função de sua baixa reserva funcional e menor resistência a tratamentos intensivos. Esses achados, em consenso com a literatura prévia existente, justificam a necessidade de se expandir o conhecimento acerca desse linfoma, visando um melhor prognóstico.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual Paulista (Unesp) (BR)
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Lymphoma Diagnosis and Treatment
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