ASSOCIAÇÃO ENTRE TITULAÇÕES DE ISOAGLUTININA ANTI-B, GRAVIDADE E MORTALIDADE POR COVID-19

Estudos sugerem uma relação entre o sistema ABO e a suscetibilidade à infecção por SARS-CoV-2, possivelmente por interação de anticorpos anti-A e anti-B com o envelope viral ou receptores virais. A presença e a concentração desses anticorpos podem atuar como fator protetor e influenciar a gravidade da doença. Avaliar a titulação de isoaglutininas anti-B em pacientes hospitalizados por Covid-19 em Uberaba-MG, entre maio/2020 e junho/2021, e verificar a relação de titulações altas e baixas com gravidade e mortalidade. Este estudo foi aprovado pelo CEP HC-UFTM (CAAE 31328220.80000.8667). A tipagem sanguínea foi determinada por prova reversa e foi realizada a titulação da isoaglutinina anti-B no soro. Foram selecionados os pacientes dos tipos A e O. A análise estatística foi feita pelo programa SPSS 20.0. As variáveis analisadas foram: sexo, idade, desfecho e gravidade. As variáveis contínuas foram descritas por média desvio padrão e as categóricas descritas por percentuais. As variáveis qualitativas foram analisadas por meio do teste Qui-Quadrado, e a significância considerada quando p < 0,05. Analisaram-se 315 pacientes com média de idade 59,86 ± 16,48 anos. Destes 61,3% homens e 38,7% mulheres. Quanto ao desfecho, 37,5% foram a óbito e 62,5% receberam alta. Casos leves corresponderam a 22,2%, moderados a 33% e graves a 44,8%. Grupos sanguíneos: O (58,7%) e A (41,3%). Titulações de anti-B: 1/1 (7,3%), 1/2 (9,8%), 1/4 (15,6%), 1/8 (22,2%), 1/16 (20,3%), 1/32 (16,2%), 1/64 (5,1%), 1/128 (3,2%) e 1/256 (0,3%). Entre os 118 óbitos, 113 ocorreram em pacientes com quadro grave, mostrando associação significativa entre gravidade e desfecho (p < 0,05). A avaliação total dos títulos demonstrou que títulos baixos (< 1/128) mostraram maior número de óbitos, sem significância estatística (p > 0,05). Quando os títulos foram analisados de forma separada, altos (≥ 1/128) e baixos, observou-se que títulos altos estavam associados a menor ocorrência de óbitos (p < 0,05), enquanto baixos se associaram a maior mortalidade (p < 0,05). Contudo, quando analisados títulos altos e baixos vs desfecho e gravidade, a associação não foi significativa (p > 0,05). Estudos sugerem uma possível relação entre o aumento nos títulos anti-A e anti-B e uma redução significativa no risco de mortalidade por Covid-19. Embora neste estudo a análise descritiva tenha mostrado maior frequência de óbitos em pacientes com títulos baixos de anti-B, a análise de todas as amostras não evidenciou associação significativa com o desfecho, indicando que a titulação de anti-B não se associou de forma significativa à gravidade ou mortalidade por Covid-19. Ao separar os títulos em altos e baixos, houve associação isolada significativa entre títulos altos e menor mortalidade, e entre títulos baixos e maior mortalidade (p < 0,05). Contudo, essa associação não se manteve quando analisada conjuntamente com gravidade e desfecho (p > 0,05), possivelmente devido ao baixo número de pacientes com títulos altos, o que pode ter reduzido o poder estatístico. Diante dos resultados obtidos a titulação de anti-B não parece ser um bom preditor de mortalidade. FAPEMIG.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105161
Primary Topic
COVID-19 Clinical Research Studies
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

ASSOCIAÇÃO ENTRE TITULAÇÕES DE ISOAGLUTININA ANTI-B, GRAVIDADE E MORTALIDADE POR COVID-19

Ângela Carneiro, Álvaro Cunha, HM Souza, FB Vito et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
COVID-19 Clinical Research Studies
article

ASSOCIAÇÃO ENTRE TITULAÇÕES DE ISOAGLUTININA ANTI-B, GRAVIDADE E MORTALIDADE POR COVID-19

Ângela Carneiro, Álvaro Cunha, HM Souza, FB Vito, VR Júnior, Mateus Monteiro Aragão de Moura, LQ Pereira, Inês Catarina Neves Gomes, Satoshi Tanaka
article en

Abstract

Estudos sugerem uma relação entre o sistema ABO e a suscetibilidade à infecção por SARS-CoV-2, possivelmente por interação de anticorpos anti-A e anti-B com o envelope viral ou receptores virais. A presença e a concentração desses anticorpos podem atuar como fator protetor e influenciar a gravidade da doença. Avaliar a titulação de isoaglutininas anti-B em pacientes hospitalizados por Covid-19 em Uberaba-MG, entre maio/2020 e junho/2021, e verificar a relação de titulações altas e baixas com gravidade e mortalidade. Este estudo foi aprovado pelo CEP HC-UFTM (CAAE 31328220.80000.8667). A tipagem sanguínea foi determinada por prova reversa e foi realizada a titulação da isoaglutinina anti-B no soro. Foram selecionados os pacientes dos tipos A e O. A análise estatística foi feita pelo programa SPSS 20.0. As variáveis analisadas foram: sexo, idade, desfecho e gravidade. As variáveis contínuas foram descritas por média desvio padrão e as categóricas descritas por percentuais. As variáveis qualitativas foram analisadas por meio do teste Qui-Quadrado, e a significância considerada quando p < 0,05. Analisaram-se 315 pacientes com média de idade 59,86 ± 16,48 anos. Destes 61,3% homens e 38,7% mulheres. Quanto ao desfecho, 37,5% foram a óbito e 62,5% receberam alta. Casos leves corresponderam a 22,2%, moderados a 33% e graves a 44,8%. Grupos sanguíneos: O (58,7%) e A (41,3%). Titulações de anti-B: 1/1 (7,3%), 1/2 (9,8%), 1/4 (15,6%), 1/8 (22,2%), 1/16 (20,3%), 1/32 (16,2%), 1/64 (5,1%), 1/128 (3,2%) e 1/256 (0,3%). Entre os 118 óbitos, 113 ocorreram em pacientes com quadro grave, mostrando associação significativa entre gravidade e desfecho (p < 0,05). A avaliação total dos títulos demonstrou que títulos baixos (< 1/128) mostraram maior número de óbitos, sem significância estatística (p > 0,05). Quando os títulos foram analisados de forma separada, altos (≥ 1/128) e baixos, observou-se que títulos altos estavam associados a menor ocorrência de óbitos (p < 0,05), enquanto baixos se associaram a maior mortalidade (p < 0,05). Contudo, quando analisados títulos altos e baixos vs desfecho e gravidade, a associação não foi significativa (p > 0,05). Estudos sugerem uma possível relação entre o aumento nos títulos anti-A e anti-B e uma redução significativa no risco de mortalidade por Covid-19. Embora neste estudo a análise descritiva tenha mostrado maior frequência de óbitos em pacientes com títulos baixos de anti-B, a análise de todas as amostras não evidenciou associação significativa com o desfecho, indicando que a titulação de anti-B não se associou de forma significativa à gravidade ou mortalidade por Covid-19. Ao separar os títulos em altos e baixos, houve associação isolada significativa entre títulos altos e menor mortalidade, e entre títulos baixos e maior mortalidade (p < 0,05). Contudo, essa associação não se manteve quando analisada conjuntamente com gravidade e desfecho (p > 0,05), possivelmente devido ao baixo número de pacientes com títulos altos, o que pode ter reduzido o poder estatístico. Diante dos resultados obtidos a titulação de anti-B não parece ser um bom preditor de mortalidade. FAPEMIG.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal do Triângulo Mineiro (BR)
Openalex Percentile: Top 63%
COVID-19 Clinical Research Studies
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