TERAPIAS GÊNICAS NA HEMOFILIA B: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA COMPARANDO FIDANACOGENE ELAPARVOVEC E ETRANACOGENE DEZAPARVOVEC

A hemofilia B é uma coagulopatia hereditária causada por mutações no gene F9, resultando em deficiência funcional do Fator IX (FIX). Embora as terapias profiláticas com FIX recombinante tenham melhorado o manejo da doença, a necessidade de infusões frequentes ainda representa um desafio clínico e social. Assim, terapias gênicas, como Fidanacogene Elaparvovec (FE) e Etranacogene Dezaparvovec (ED), emergem como alternativas promissoras com potencial curativo. Comparar as terapias gênicas FE e ED quanto à eficácia e segurança terapêutica no tratamento da hemofilia B grave ou moderadamente grave. Foi realizada uma revisão sistemática conforme as diretrizes PRISMA 2020 nas bases PubMed e CENTRAL até agosto/2025. Utilizou-se os descritores (" Hemophilia B " OR " Haemophilia B " OR " factor IX deficiency ") AND (" Fidanacogene elaparvovec " OR "SPK-9001" OR " Etranacogene dezaparvovec " OR "AMT-061"), resultando 66 artigos. Foram incluídos ensaios clínicos fase 2b ou 3 com seguimento ≥12 meses, envolvendo pacientes com hemofilia B grave ou moderadamente grave (FIX ≤2%) e ao menos um desfecho clínico primário: atividade plasmática de FIX, taxa anualizada de sangramentos (ABR), interrupção da profilaxia ou eventos adversos clínicos. Excluíram-se estudos fase 1/2a, análises laboratoriais ou de desfechos secundários subjetivos sem dados clínicos primários e publicações duplicadas ou parciais de estudos já representados em versões completas. A revisão foi registrada na PROSPERO (CRD420251118685). Foram analisados seis estudos, totalizando 116 participantes com hemofilia B grave ou moderadamente grave. Destes, 57 foram tratados com ED e 59 com FE. Todos os participantes receberam infusão única do vetor AAV codificante do FIX Padua (R338L). Aos 24 meses, os níveis médios de FIX foram de 26,6% ± 24,9 com FE e de 36,7% ± 19,0 com ED, compatíveis com conversão para hemofilia leve ou atividade normal. A ABR reduziu de forma consistente em ambos os grupos: no estudo HOPE-B, que analisou ED, a mediana caiu de 4,18 para 1,51 em 24 meses; no BENEGENE-2, referente a FE, caiu de 4,42 para 1,28 em 12 meses. Após a terapia gênica, foi possível a descontinuidade da profilaxia contínua em 89,8% dos participantes tratados com FE e 96,5% com ED. Eventos adversos foram leves ou moderados, com elevação transitória de transaminases manejada com corticosteróides. Não houve eventos tromboembólicos ou óbitos relacionados à terapia. Nesse contexto, ambas as terapias promovem conversão clínica duradoura da hemofilia B grave para formas leves ou quase assintomáticas, com melhora substancial do controle hemostático. O maior nível médio de FIX com ED sugere expressão gênica mais eficiente, o que pode traduzir-se em maior proteção contra sangramentos à longo prazo. A expressiva redução da ABR e a elevada taxa de suspensão da profilaxia reforçam o impacto funcional dessas terapias na qualidade de vida e na adesão terapêutica. A ausência de eventos graves contribui para consolidar o perfil de segurança dessas abordagens. Ambas as terapias representam um avanço no manejo da hemofilia B, com tendência favorável a ED em termos de eficácia sustentada. Portanto, FE e ED demonstram eficácia duradoura e segurança no tratamento da hemofilia B, com melhora clínica relevante. Embora promissoras, ED apresenta vantagem discreta em expressão do FIX e potencial impacto funcional prolongado. Estudos comparativos diretos e com maior diversidade populacional são necessários para validação definitiva.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105462
Primary Topic
Hemophilia Treatment and Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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article

TERAPIAS GÊNICAS NA HEMOFILIA B: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA COMPARANDO FIDANACOGENE ELAPARVOVEC E ETRANACOGENE DEZAPARVOVEC

PRC Utsch, VDN Ladeira, João Paulo Barros Machado, EB Baesso
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Hemophilia Treatment and Research
article

TERAPIAS GÊNICAS NA HEMOFILIA B: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA COMPARANDO FIDANACOGENE ELAPARVOVEC E ETRANACOGENE DEZAPARVOVEC

PRC Utsch, VDN Ladeira, João Paulo Barros Machado, EB Baesso
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Abstract

A hemofilia B é uma coagulopatia hereditária causada por mutações no gene F9, resultando em deficiência funcional do Fator IX (FIX). Embora as terapias profiláticas com FIX recombinante tenham melhorado o manejo da doença, a necessidade de infusões frequentes ainda representa um desafio clínico e social. Assim, terapias gênicas, como Fidanacogene Elaparvovec (FE) e Etranacogene Dezaparvovec (ED), emergem como alternativas promissoras com potencial curativo. Comparar as terapias gênicas FE e ED quanto à eficácia e segurança terapêutica no tratamento da hemofilia B grave ou moderadamente grave. Foi realizada uma revisão sistemática conforme as diretrizes PRISMA 2020 nas bases PubMed e CENTRAL até agosto/2025. Utilizou-se os descritores (" Hemophilia B " OR " Haemophilia B " OR " factor IX deficiency ") AND (" Fidanacogene elaparvovec " OR "SPK-9001" OR " Etranacogene dezaparvovec " OR "AMT-061"), resultando 66 artigos. Foram incluídos ensaios clínicos fase 2b ou 3 com seguimento ≥12 meses, envolvendo pacientes com hemofilia B grave ou moderadamente grave (FIX ≤2%) e ao menos um desfecho clínico primário: atividade plasmática de FIX, taxa anualizada de sangramentos (ABR), interrupção da profilaxia ou eventos adversos clínicos. Excluíram-se estudos fase 1/2a, análises laboratoriais ou de desfechos secundários subjetivos sem dados clínicos primários e publicações duplicadas ou parciais de estudos já representados em versões completas. A revisão foi registrada na PROSPERO (CRD420251118685). Foram analisados seis estudos, totalizando 116 participantes com hemofilia B grave ou moderadamente grave. Destes, 57 foram tratados com ED e 59 com FE. Todos os participantes receberam infusão única do vetor AAV codificante do FIX Padua (R338L). Aos 24 meses, os níveis médios de FIX foram de 26,6% ± 24,9 com FE e de 36,7% ± 19,0 com ED, compatíveis com conversão para hemofilia leve ou atividade normal. A ABR reduziu de forma consistente em ambos os grupos: no estudo HOPE-B, que analisou ED, a mediana caiu de 4,18 para 1,51 em 24 meses; no BENEGENE-2, referente a FE, caiu de 4,42 para 1,28 em 12 meses. Após a terapia gênica, foi possível a descontinuidade da profilaxia contínua em 89,8% dos participantes tratados com FE e 96,5% com ED. Eventos adversos foram leves ou moderados, com elevação transitória de transaminases manejada com corticosteróides. Não houve eventos tromboembólicos ou óbitos relacionados à terapia. Nesse contexto, ambas as terapias promovem conversão clínica duradoura da hemofilia B grave para formas leves ou quase assintomáticas, com melhora substancial do controle hemostático. O maior nível médio de FIX com ED sugere expressão gênica mais eficiente, o que pode traduzir-se em maior proteção contra sangramentos à longo prazo. A expressiva redução da ABR e a elevada taxa de suspensão da profilaxia reforçam o impacto funcional dessas terapias na qualidade de vida e na adesão terapêutica. A ausência de eventos graves contribui para consolidar o perfil de segurança dessas abordagens. Ambas as terapias representam um avanço no manejo da hemofilia B, com tendência favorável a ED em termos de eficácia sustentada. Portanto, FE e ED demonstram eficácia duradoura e segurança no tratamento da hemofilia B, com melhora clínica relevante. Embora promissoras, ED apresenta vantagem discreta em expressão do FIX e potencial impacto funcional prolongado. Estudos comparativos diretos e com maior diversidade populacional são necessários para validação definitiva.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal de Juiz de Fora (BR), Universidade Presidente Antônio Carlos (BR)
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Hemophilia Treatment and Research
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