LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA RESISTENTE AO IMATINIBE POR MUTAÇÃO E233V E RESPOSTA AO DASATINIBE
A leucemia mieloide crônica (LMC) é uma neoplasia mieloproliferativa associada à translocação t(9;22)(q34;q11), que origina o cromossomo Filadélfia e o oncogene BCR-ABL, cuja quinase promove proliferação celular descontrolada. Representa cerca de 15% das leucemias em adultos, com incidência de 1-2 casos por 100.000 adultos/ano. O quadro clínico pode incluir fadiga, perda de peso, sudorese noturna, febre baixa e esplenomegalia. Outras manifestações incluem alterações hematológicas (leucocitose, trombocitose, anemia) e manifestações hemorrágicas. O diagnóstico de LMC envolve hemograma, cariótipo e confirmação molecular do BCR-ABL. O tratamento baseia-se no uso de inibidores de tirosina quinase (ITKs), com ajuste conforme resposta e perfil mutacional. Objetivo: Relatar um caso de LMC resistente ao imatinibe por mutação do domínio quinase ABL (E233V) com resposta terapêutica ao dasatinibe. L.R.V., 45 anos, masculino, quadro de dor no flanco esquerdo e perda ponderal de 6 kg em agosto/2022. Ao exame, notou-se esplenomegalia. BCR/ABL detectado em 53,01% dos transcritos. Iniciou Imatinibe 400 mg/dia, com ajuste por leucopenia em setembro/2022. Evoluiu com resposta hematológica parcial e com carga molecular estável em 0,1% até maio/2023. Em junho/2023, esplenomegalia persistia e BCR-ABL aumentou para 0,6%. Em novembro/2023, houve aumento da carga para 1,2%, apesar da ausência de sintomas e em dezembro/2023 foi detectada mutação E233V, associada à resistência ao Imatinibe e ao Nilotinibe. Iniciou-se Desatinibe 100 mg/dia em abril/2024 com resposta molecular profunda, com BCR-ABL reduzido para 0,005% em julho/2024 e 0,0019% em março/2025. Até junho/2025, mantinha-se assintomático e ativo, em uso contínuo de Dasatinibe sem eventos adversos importantes. O caso ressalta a relevância do monitoramento molecular regular para detectar falhas terapêuticas e mutações associadas à resistência aos ITKs. O paciente apresentou sintomas inespecíficos, como esplenomegalia e perda ponderal, sendo diagnosticado com LMC. O tratamento inicial seguiu o protocolo padrão com Imatinibe, sendo necessário ajuste posológico devido à leucopenia. O paciente apresentou resposta molecular inicial adequada de acordo com os Guidelines do ELN. Entretanto, observou-se perda progressiva da resposta molecular, com elevação da carga de BCR-ABL para 1,2% e persistência da esplenomegalia. A detecção da mutação E233V no gene ABL1, associada à resistência ao Imatinibe e ao Nilotinibe, justificou a troca para Dasatinibe. A resposta foi satisfatória, com BCR-ABL1 reduzido para 0,005% e, depois, 0,0019%, alcançando resposta molecular profunda. O caso reforça a importância do monitoramento molecular e da análise mutacional no manejo da LMC, especialmente diante da perda de resposta aos ITKs iniciais. A mutação E233V, somada à resistência ao Imatinibe e Nilotinibe, direcionou a escolha pelo Dasatinibe, que resultou em resposta molecular profunda. Assim, este relato reforça como um tratamento individualizado, guiado por dados clínicos, laboratoriais e genéticos, possibilitou controle da carga tumoral e manutenção da qualidade de vida a partir de intervenções precoces eficazes.
Authors
- BL de Godoy
- JR Assis
- Suzana Beatriz Veríssimo de Mello (ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7041-6157)
- Bruno Moura Monteiro (ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4272-9740)
- MA Gonçalves
- AFC Vecina
- MG Cliquet
- LKP Borba
- PS Kawasoko
- JNB de Souza
Institutions
- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104434
- Primary Topic
- Chronic Myeloid Leukemia Treatments
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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