ALTERAÇÕES CITOGENÉTICAS NA LEUCEMIA LINFOCÍTICA CRÔNICA

A Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) é uma doença caracterizada por heterogeneidade biológica e clínica significativa. Enquanto a maioria dos pacientes apresenta um curso indolente, alguns podem apresentar manifestações mais agressivas, com resistência ao tratamento e redução na sobrevida. O objetivo deste estudo foi identificar alterações cromossômicas detectadas por hibridização in situ por fluorescência (FISH) em pacientes com diagnóstico de LLC e correlacioná-las com o prognóstico da doença. Foi realizada uma análise retrospectiva de pacientes com diagnóstico de LLC acompanhados ambulatoriamente no Hospital das Clínicas da UFPR, entre janeiro de 2006 e junho de 2024. Utilizou-se a análise cromossômica por bandeamento G convencional e o protocolo FISH em células fixadas de sangue periférico, conforme as instruções do fabricante. O painel utilizado foi o Vysis CLL FISH probe (Abbott, USA), que inclui quatro sondas: LSI ATM (11q22.3), LSI TP53 (17p13.1), CEP12 (12p11.1-q11), LSI D13S319 (13q14.3 e 13q34). Os laudos foram elaborados de acordo com a nomenclatura internacional (ISCN, 2016). Foram analisadas amostras de sangue periférico de 52 pacientes com LLC (30 homens, 22 mulheres), idade mediana 65 anos (24–92) e seguimento mediano 4,8 anos (0,15–27). Segundo a classificação de Binet: 30 foram classificados como A, 9 como B e 13 como C. Houve diferenças significativas entre grupos Binet na hemoglobina, plaquetas e leucócitos (p < 0,05). A citometria de fluxo mostrou padrão típico (CD5, CD23, CD200 positivos; CD22, CD79a, IgM, FMC7 negativos/baixa expressão). A citogenética convencional foi realizada em 47 pacientes (88,7%), com alterações em 16. O FISH foi realizado em todos os pacientes e detectou alterações em 48 (87,3%): del(13q) em 37 (67,3%), trissomia 12 em 12 (21,8%), alteração IgH em 7 (12,7%), del(11q) em 6 (10,9%) e del(17p) em 4 (7,3%). Treze tinham mais de uma alteração. Durante o seguimento, ocorreram 20 óbitos (36,3%): 8 no Binet A (25,8%), 4 no Binet B (40,0%) e 8 no Binet C (61,5%). Óbitos foram registrados nos grupos com trissomia 12 (6), perda de ATM (5), del(17p) (4) e del(13q) isolada (7). Uma paciente com del(13q)+del(11q) evoluiu para Síndrome de Richter. A sobrevida global mediana foi 12,4 anos, variando conforme risco citogenético: del(13q), 12,4 anos; trissomia 12, 4,25 anos; del(11q)+del(17p), 4,4 anos (p < 0,05). Pacientes sem alterações no FISH tiveram sobrevida semelhante ao pior prognóstico (4,92 anos). Não houve diferença na sobrevida mediana entre os grupos Binet: 11.4 anos Binet A; 10.0 Binet B e 5.9 no Binet C (p = 0,56). O percentual de pacientes com deleções 11q e 17p e a trissomia do cromossomo 12 estão alinhados com a literatura atual sobre alterações genéticas na LLC. No entanto, a prevalência da deleção 13q na nossa coorte foi de 67,3%, significativamente maior do que os 35% reportados na literatura. Essa discrepância pode ser atribuída ao perfil temporal da nossa coorte. Apesar disso, a estratificação prognóstica realizada por FISH demonstrou ser valiosa para a caracterização dos pacientes. O estadiamento de Binet parece não ter relevância significativa no contexto local, especialmente considerando que os tratamentos utilizados não incluíram terapias alvo direcionadas.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104346
Primary Topic
Chronic Lymphocytic Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
JAN
FEB
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APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

ALTERAÇÕES CITOGENÉTICAS NA LEUCEMIA LINFOCÍTICA CRÔNICA

Tamara Borgonovo, R Romano, SK Nabhan, VR Jamur et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Chronic Lymphocytic Leukemia Research
article

ALTERAÇÕES CITOGENÉTICAS NA LEUCEMIA LINFOCÍTICA CRÔNICA

Tamara Borgonovo, R Romano, SK Nabhan, VR Jamur, IS Barbosa, AP Azambuja
article en

Abstract

A Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) é uma doença caracterizada por heterogeneidade biológica e clínica significativa. Enquanto a maioria dos pacientes apresenta um curso indolente, alguns podem apresentar manifestações mais agressivas, com resistência ao tratamento e redução na sobrevida. O objetivo deste estudo foi identificar alterações cromossômicas detectadas por hibridização in situ por fluorescência (FISH) em pacientes com diagnóstico de LLC e correlacioná-las com o prognóstico da doença. Foi realizada uma análise retrospectiva de pacientes com diagnóstico de LLC acompanhados ambulatoriamente no Hospital das Clínicas da UFPR, entre janeiro de 2006 e junho de 2024. Utilizou-se a análise cromossômica por bandeamento G convencional e o protocolo FISH em células fixadas de sangue periférico, conforme as instruções do fabricante. O painel utilizado foi o Vysis CLL FISH probe (Abbott, USA), que inclui quatro sondas: LSI ATM (11q22.3), LSI TP53 (17p13.1), CEP12 (12p11.1-q11), LSI D13S319 (13q14.3 e 13q34). Os laudos foram elaborados de acordo com a nomenclatura internacional (ISCN, 2016). Foram analisadas amostras de sangue periférico de 52 pacientes com LLC (30 homens, 22 mulheres), idade mediana 65 anos (24–92) e seguimento mediano 4,8 anos (0,15–27). Segundo a classificação de Binet: 30 foram classificados como A, 9 como B e 13 como C. Houve diferenças significativas entre grupos Binet na hemoglobina, plaquetas e leucócitos (p < 0,05). A citometria de fluxo mostrou padrão típico (CD5, CD23, CD200 positivos; CD22, CD79a, IgM, FMC7 negativos/baixa expressão). A citogenética convencional foi realizada em 47 pacientes (88,7%), com alterações em 16. O FISH foi realizado em todos os pacientes e detectou alterações em 48 (87,3%): del(13q) em 37 (67,3%), trissomia 12 em 12 (21,8%), alteração IgH em 7 (12,7%), del(11q) em 6 (10,9%) e del(17p) em 4 (7,3%). Treze tinham mais de uma alteração. Durante o seguimento, ocorreram 20 óbitos (36,3%): 8 no Binet A (25,8%), 4 no Binet B (40,0%) e 8 no Binet C (61,5%). Óbitos foram registrados nos grupos com trissomia 12 (6), perda de ATM (5), del(17p) (4) e del(13q) isolada (7). Uma paciente com del(13q)+del(11q) evoluiu para Síndrome de Richter. A sobrevida global mediana foi 12,4 anos, variando conforme risco citogenético: del(13q), 12,4 anos; trissomia 12, 4,25 anos; del(11q)+del(17p), 4,4 anos (p < 0,05). Pacientes sem alterações no FISH tiveram sobrevida semelhante ao pior prognóstico (4,92 anos). Não houve diferença na sobrevida mediana entre os grupos Binet: 11.4 anos Binet A; 10.0 Binet B e 5.9 no Binet C (p = 0,56). O percentual de pacientes com deleções 11q e 17p e a trissomia do cromossomo 12 estão alinhados com a literatura atual sobre alterações genéticas na LLC. No entanto, a prevalência da deleção 13q na nossa coorte foi de 67,3%, significativamente maior do que os 35% reportados na literatura. Essa discrepância pode ser atribuída ao perfil temporal da nossa coorte. Apesar disso, a estratificação prognóstica realizada por FISH demonstrou ser valiosa para a caracterização dos pacientes. O estadiamento de Binet parece não ter relevância significativa no contexto local, especialmente considerando que os tratamentos utilizados não incluíram terapias alvo direcionadas.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Hospital de Clínicas Universidade Federal do Paraná (BR)
Openalex Percentile: Top 56%
Chronic Lymphocytic Leukemia Research
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