DISPARIDADES REGIONAIS NO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E NOS CUSTOS HOSPITALARES DAS LEUCEMIAS AGUDAS NO BRASIL: ANÁLISE DE DADOS DO DATASUS

As leucemias agudas são doenças biologicamente heterogêneas que surgem através de células-tronco hematopoiéticas que sofrem mutações sequenciais que possibilitam a expansão das células progenitoras mutadas. O mecanismo de leucemogênese não é completamente compreendido, no entanto, fatores de risco como idade avançada, alterações genéticas como a trissomia do 21 e síndrome de Bloom, a instabilidade cromossômica como na Anemia de Fanconi, além de doenças hematológicas prévias, exposição a produtos químicos como o benzeno ou a exposição à radiação ionizante, o tabagismo e tratamentos prévios de câncer, aumentam as chances de desenvolvimento da doença. Analisar dados do DATASUS sobre pacientes com leucemia aguda no Brasil entre 2014 e 2024, traçando o perfil epidemiológico e de custos com o tratamento. Estudo transversal, retrospectivo e descritivo, com dados secundários do DATASUS (CID-10: C91.0; C91.3; C92.0; C92.4; C92.5; C94.0 E C94.2) entre 2014 e 2024. Foram analisados internações, óbitos, mortalidade, letalidade, custo médio e variáveis sociodemográficas. As taxas foram padronizadas por 100 mil habitantes. Utilizou-se o software R (v.4.3.1) para análise estatística, aplicando correlação de Pearson e regressão linear simples (significância: p < 0,05). No período, o SUS registrou 416.906 internações hospitalares por leucemia, com predomínio no sexo masculino (56,9%) e em crianças de 5 a 14 anos (31%). A maioria dos pacientes eram pardos (42,5%) ou brancos (40,9%). A distribuição regional evidenciou forte concentração no Sudeste com 41,7% das internações, 48,5% de todo o gasto brasileiro com os tratamentos e taxa de letalidade (6,70%) próxima da média nacional (6,55%). O Norte apresentou a maior letalidade hospitalar (7,19%) e o menor custo médio por internação (R$ 1.535,03). No Nordeste, segunda região com maior número de internações (26,4%), a letalidade foi de 6,27% e custo médio inferior à média nacional. As maiores taxas padronizadas de internação e mortalidade ocorreram no Sul (258,2) e Sudeste (195,4), enquanto o Norte apresentou a menor (137,0). O Centro-Oeste teve a menor letalidade com 5,80%. A regressão linear entre o custo médio por internação e a taxa de óbito entre as regiões apontou uma tendência positiva. O coeficiente de determinação (R 2 = 0,61) sugere que 61% da variação na taxa de óbito pode ser explicada pelo custo médio, embora sem significância estatística (p = 0,119). Os dados revelam disparidades regionais significativas no cuidado hospitalar de pacientes com leucemia no Brasil. A concentração de casos em crianças e adolescentes do sexo masculino, reforça o perfil epidemiológico da LLA, subtipo mais comum nessa faixa etária. O Sudeste apresenta o maior número de internações e gastos dentre todos os tipos de leucemias agudas, o que pode refletir maior oferta de serviços. Já o Norte e Nordeste, com os menores custos e maior letalidade, apontam possíveis falhas no diagnóstico precoce e no acesso ao tratamento. Estados como Amapá (21,2%) e Maranhão (18,8%) registraram as maiores letalidades, indicando a necessidade de políticas públicas focadas em equidade regional. A relação entre custo e mortalidade, embora não significativa, pode refletir maior gravidade clínica ou uso ineficiente de recursos. A relação entre custos, letalidade e desfechos é complexa e depende da biologia da doença, contexto regional, estrutura dos serviços e agilidade no acesso e início do tratamento.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104534
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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AUG
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OCT
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DISPARIDADES REGIONAIS NO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E NOS CUSTOS HOSPITALARES DAS LEUCEMIAS AGUDAS NO BRASIL: ANÁLISE DE DADOS DO DATASUS

Bruno Rafael Antunes Souza, Stephany Bitencurt Chagas Araujo, T.A.T. de Sousa, TG Teixeira et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

DISPARIDADES REGIONAIS NO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E NOS CUSTOS HOSPITALARES DAS LEUCEMIAS AGUDAS NO BRASIL: ANÁLISE DE DADOS DO DATASUS

Bruno Rafael Antunes Souza, Stephany Bitencurt Chagas Araujo, T.A.T. de Sousa, TG Teixeira, PFM Badaro, FN Mendonça
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Abstract

As leucemias agudas são doenças biologicamente heterogêneas que surgem através de células-tronco hematopoiéticas que sofrem mutações sequenciais que possibilitam a expansão das células progenitoras mutadas. O mecanismo de leucemogênese não é completamente compreendido, no entanto, fatores de risco como idade avançada, alterações genéticas como a trissomia do 21 e síndrome de Bloom, a instabilidade cromossômica como na Anemia de Fanconi, além de doenças hematológicas prévias, exposição a produtos químicos como o benzeno ou a exposição à radiação ionizante, o tabagismo e tratamentos prévios de câncer, aumentam as chances de desenvolvimento da doença. Analisar dados do DATASUS sobre pacientes com leucemia aguda no Brasil entre 2014 e 2024, traçando o perfil epidemiológico e de custos com o tratamento. Estudo transversal, retrospectivo e descritivo, com dados secundários do DATASUS (CID-10: C91.0; C91.3; C92.0; C92.4; C92.5; C94.0 E C94.2) entre 2014 e 2024. Foram analisados internações, óbitos, mortalidade, letalidade, custo médio e variáveis sociodemográficas. As taxas foram padronizadas por 100 mil habitantes. Utilizou-se o software R (v.4.3.1) para análise estatística, aplicando correlação de Pearson e regressão linear simples (significância: p < 0,05). No período, o SUS registrou 416.906 internações hospitalares por leucemia, com predomínio no sexo masculino (56,9%) e em crianças de 5 a 14 anos (31%). A maioria dos pacientes eram pardos (42,5%) ou brancos (40,9%). A distribuição regional evidenciou forte concentração no Sudeste com 41,7% das internações, 48,5% de todo o gasto brasileiro com os tratamentos e taxa de letalidade (6,70%) próxima da média nacional (6,55%). O Norte apresentou a maior letalidade hospitalar (7,19%) e o menor custo médio por internação (R$ 1.535,03). No Nordeste, segunda região com maior número de internações (26,4%), a letalidade foi de 6,27% e custo médio inferior à média nacional. As maiores taxas padronizadas de internação e mortalidade ocorreram no Sul (258,2) e Sudeste (195,4), enquanto o Norte apresentou a menor (137,0). O Centro-Oeste teve a menor letalidade com 5,80%. A regressão linear entre o custo médio por internação e a taxa de óbito entre as regiões apontou uma tendência positiva. O coeficiente de determinação (R 2 = 0,61) sugere que 61% da variação na taxa de óbito pode ser explicada pelo custo médio, embora sem significância estatística (p = 0,119). Os dados revelam disparidades regionais significativas no cuidado hospitalar de pacientes com leucemia no Brasil. A concentração de casos em crianças e adolescentes do sexo masculino, reforça o perfil epidemiológico da LLA, subtipo mais comum nessa faixa etária. O Sudeste apresenta o maior número de internações e gastos dentre todos os tipos de leucemias agudas, o que pode refletir maior oferta de serviços. Já o Norte e Nordeste, com os menores custos e maior letalidade, apontam possíveis falhas no diagnóstico precoce e no acesso ao tratamento. Estados como Amapá (21,2%) e Maranhão (18,8%) registraram as maiores letalidades, indicando a necessidade de políticas públicas focadas em equidade regional. A relação entre custo e mortalidade, embora não significativa, pode refletir maior gravidade clínica ou uso ineficiente de recursos. A relação entre custos, letalidade e desfechos é complexa e depende da biologia da doença, contexto regional, estrutura dos serviços e agilidade no acesso e início do tratamento.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade do Estado da Bahia (BR), Universidade de Ribeirão Preto (BR), Universidade de São Paulo (BR), João Pinheiro Foundation (BR), Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (BR), Universidade Salvador (BR)
Openalex Percentile: Top 60%
Acute Myeloid Leukemia Research
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