LEUCEMIA MIELOMONOCÍTICA CRÔNICA APRESENTANDO-SE COM LEUCOESTASE SINTOMÁTICA E SÍNDROME DE LISE TUMORAL ESPONTÂNEA: RELATO DE CASO

A sobreposição de características comuns a Síndromes Mielodisplásicas e a Neoplasias Mieloproliferativas exemplifica o amplo espectro clínico da Leucemia Mielomonocítica Crônica (LMMC). A incidência anual estimada em 1-2:100.000 habitantes torna difícil o reconhecimento e diagnóstico dessa patologia. Relatamos aqui um caso clínico de LMMC com apresentação atípica com síndrome de hiperleucocitose e síndrome de lise tumoral espontânea (SLT). Paciente do sexo feminino, 81 anos, avaliada em Pronto-Socorro (PS) devido ao surgimento de hematúria há 1 dia. Queixava-se, também, de edema doloroso em membro inferior esquerdo e fraqueza generalizada há 1 mês. Diabética, Hipertensa e Hipotireoidea, paciente estava ciente de anemia e monocitose em exame laboratorial há 4 meses, mas foi motivada a procurar PS após surgimento do sintoma urinário. A admissão, foi identificada anemia normocítica/normocrômica (Hb 6,6 g/dL), leucocitose (148.020/mm 3 , 47,6% de monócitos) e plaquetopenia (33.000/mm 3 ). Paciente negava outros sangramentos, sintomas visuais, cefaleia, sudorese, febre, perda ponderal, dor abdominal ou linfonodomegalias. Apresentava estado geral regular, dessaturação e edema doloroso em panturrilha esquerda com exames evidenciando Injúria Renal Aguda KDIGO III associada à SLT espontânea (DHL 397; ácido úrico 13,1; K 3,7; Cr 3,88; Ur 80; P 2,7; CaI 1,15). Manteve dispneia e dependência de O2 suplementar (CN 3L/min), além de anasarca e anuria, sem resposta à diureticoterapia. Após identificação de derrame pleural moderado e esplenomegalia (índice esplênico 1040), foi encaminhada para diálise de urgência. Após diálise e Rasburicase 0,2 mg/kg para SLT, devido leucoestase com derrame pleural, foi submetida a três sessões de leucoaférese e iniciou Hidroxiureia 500 mg 12/12h para citorredução. Além de hematúria macroscópica persistente, apresentava, como complicação hemorrágica, volumoso hematoma em membro inferior. Após transfusão de três concentrados de hemácias, leucoaférese e terapia citorredutora apresentou melhora clínica, laboratorial e regressão de derrame pleural, mantendo-se em ar ambiente. Por meio de Mielograma foi identificada medula óssea hipercelular, com displasia multilinhagem e presença de 6,8% de blastos e 36,4% de monócitos. A monocitose se repetiu em biópsia da medula e amostras de sangue periférico. Imunofenotipagem mostrou presença de 0,2% de células de linhagem mieloide imaturas, 36,5% de monócitos maduros e de alterações imunofenotípicas associadas a dispoese da série granulocítica, ratificando o diagnóstico de LMMC-1, pelos critérios da clínica Mayo. A pesquisa por mutações JAK2 V617F e BCR-ABL foi negativa e a paciente está em programação para iniciar terapia com hipometilante Decitabina. Esse caso ilustra apresentação atípica de LMMC com síndrome de leucostase e lise tumoral, mais comumente vista em leucemias agudas. Além de ser um desafio diagnóstico, essa leucemia rara muitas vezes é subdiagnosticada e apresenta-se com intercorrências ameaçadoras à vida, como no caso desta paciente. O diagnóstico correto depende da integração entre apresentação clínica, morfologia, Imunofenotipagem e análise citogenética-molecular, muitas vezes indisponível no nosso meio. O pronto reconhecimento desta condição permite o tratamento precoce e a prevenção de complicações e agudização da doença.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104436
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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LEUCEMIA MIELOMONOCÍTICA CRÔNICA APRESENTANDO-SE COM LEUCOESTASE SINTOMÁTICA E SÍNDROME DE LISE TUMORAL ESPONTÂNEA: RELATO DE CASO

Aquino Filho, Guilherme Borges, H.M. da Silva Vieira, M. E. S. V. SOARES et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

LEUCEMIA MIELOMONOCÍTICA CRÔNICA APRESENTANDO-SE COM LEUCOESTASE SINTOMÁTICA E SÍNDROME DE LISE TUMORAL ESPONTÂNEA: RELATO DE CASO

Aquino Filho, Guilherme Borges, H.M. da Silva Vieira, M. E. S. V. SOARES, Jonathas Alfredo Zakir Pereira, DLC Farias
article en

Abstract

A sobreposição de características comuns a Síndromes Mielodisplásicas e a Neoplasias Mieloproliferativas exemplifica o amplo espectro clínico da Leucemia Mielomonocítica Crônica (LMMC). A incidência anual estimada em 1-2:100.000 habitantes torna difícil o reconhecimento e diagnóstico dessa patologia. Relatamos aqui um caso clínico de LMMC com apresentação atípica com síndrome de hiperleucocitose e síndrome de lise tumoral espontânea (SLT). Paciente do sexo feminino, 81 anos, avaliada em Pronto-Socorro (PS) devido ao surgimento de hematúria há 1 dia. Queixava-se, também, de edema doloroso em membro inferior esquerdo e fraqueza generalizada há 1 mês. Diabética, Hipertensa e Hipotireoidea, paciente estava ciente de anemia e monocitose em exame laboratorial há 4 meses, mas foi motivada a procurar PS após surgimento do sintoma urinário. A admissão, foi identificada anemia normocítica/normocrômica (Hb 6,6 g/dL), leucocitose (148.020/mm 3 , 47,6% de monócitos) e plaquetopenia (33.000/mm 3 ). Paciente negava outros sangramentos, sintomas visuais, cefaleia, sudorese, febre, perda ponderal, dor abdominal ou linfonodomegalias. Apresentava estado geral regular, dessaturação e edema doloroso em panturrilha esquerda com exames evidenciando Injúria Renal Aguda KDIGO III associada à SLT espontânea (DHL 397; ácido úrico 13,1; K 3,7; Cr 3,88; Ur 80; P 2,7; CaI 1,15). Manteve dispneia e dependência de O2 suplementar (CN 3L/min), além de anasarca e anuria, sem resposta à diureticoterapia. Após identificação de derrame pleural moderado e esplenomegalia (índice esplênico 1040), foi encaminhada para diálise de urgência. Após diálise e Rasburicase 0,2 mg/kg para SLT, devido leucoestase com derrame pleural, foi submetida a três sessões de leucoaférese e iniciou Hidroxiureia 500 mg 12/12h para citorredução. Além de hematúria macroscópica persistente, apresentava, como complicação hemorrágica, volumoso hematoma em membro inferior. Após transfusão de três concentrados de hemácias, leucoaférese e terapia citorredutora apresentou melhora clínica, laboratorial e regressão de derrame pleural, mantendo-se em ar ambiente. Por meio de Mielograma foi identificada medula óssea hipercelular, com displasia multilinhagem e presença de 6,8% de blastos e 36,4% de monócitos. A monocitose se repetiu em biópsia da medula e amostras de sangue periférico. Imunofenotipagem mostrou presença de 0,2% de células de linhagem mieloide imaturas, 36,5% de monócitos maduros e de alterações imunofenotípicas associadas a dispoese da série granulocítica, ratificando o diagnóstico de LMMC-1, pelos critérios da clínica Mayo. A pesquisa por mutações JAK2 V617F e BCR-ABL foi negativa e a paciente está em programação para iniciar terapia com hipometilante Decitabina. Esse caso ilustra apresentação atípica de LMMC com síndrome de leucostase e lise tumoral, mais comumente vista em leucemias agudas. Além de ser um desafio diagnóstico, essa leucemia rara muitas vezes é subdiagnosticada e apresenta-se com intercorrências ameaçadoras à vida, como no caso desta paciente. O diagnóstico correto depende da integração entre apresentação clínica, morfologia, Imunofenotipagem e análise citogenética-molecular, muitas vezes indisponível no nosso meio. O pronto reconhecimento desta condição permite o tratamento precoce e a prevenção de complicações e agudização da doença.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Acute Myeloid Leukemia Research
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