ASPECTOS MORFOLÓGICOS, IMUNOHISTOQUÍMICOS E PERFIL MUTACIONAL DO TP53 NO LINFOMA DE CÉLULAS DO MANTO

O linfoma de células do manto (LCM) é um linfoma não Hodgkin associado à translocação t(11;14) e superexpressão da ciclina D1. Variantes citológicas blastoide e pleomórfica, padrão arquitetural difuso, Ki67 ≥30%, superexpressão de p53 e mutações no TP53 associam-se a pior prognóstico. A relevância prognóstica do SOX11 permanece incerta e não há dados nacionais consolidados. Descrever aspectos morfológicos, expressão de p53 e SOX11, índice proliferativo e perfil mutacional do TP53 em casos de LCM e suas associações, avaliando a utilidade da imuno-histoquímica para p53 como triagem para sequenciamento. Estudo retrospectivo de 10 anos de pacientes diagnosticados com LCM no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ) e laboratório privado da cidade do Rio de Janeiro, incluindo casos positivos para ciclina D1. Classificação morfológica, Ki67 (<30% ou ≥30%), expressão de p53 (“selvagem” <50% ou “aberrante” ausente/≥50%), SOX11 (baixa expressão ≤10% ou alta expressão >10%) e análise mutacional dos exons 5-8 do TP53 por sequenciamento de Sanger em material preservado em blocos de parafina. Associação estatística pelo teste do qui-quadrado. Foram incluídos 36 casos com sequenciamento satisfatório de pelo menos um dos exons estudados. Citologia clássica foi encontrada em 67% e padrão difuso em 61%. Expressão aberrante de p53 ocorreu em 33%, Ki67 elevado em 39% e alta expressão de SOX11 em 69%. Padrões pleomórfico/blastoide e difuso associaram-se a Ki67 ≥30% (p < 0,00015 e p < 0,021, respectivamente). Não houve associação de p53 ou SOX11 com morfologia. A taxa de sequenciamento completo dos exons avaliados foi de 51%, limitada pela qualidade do material (blocos de parafina com até 10 anos e fixação não controlada), o que pode reduzir a sensibilidade para detecção de mutações e impactar a interpretação dos resultados moleculares. Mutações no TP53 foram detectadas em 10 pacientes, predominando nos exons 5 e 8. Houve correlação entre expressão aberrante de p53 e mutação (p < 0,03). Sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e negativo da imuno-histoquímica para p53 foram 58,3%, 83,3%, 63,6% e 80%, respectivamente. A predominância de padrão difuso e citologia clássica reflete achados descritos na literatura, embora tenha sido observada alta frequência de expressão aberrante de p53 e de mutações no TP53. A associação entre Ki67 elevado e padrões morfológicos agressivos reforça seu valor prognóstico. A limitação na taxa de sequenciamento sugere cautela na interpretação dos resultados moleculares e ressalta a importância de métodos complementares. A correlação entre expressão aberrante de p53 e mutações no TP53 sustenta o uso da imuno-histoquímica como ferramenta de triagem para indicação de sequenciamento, contribuindo para melhor estratificação prognóstica e potencial otimização de recursos diagnósticos. Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104703
Primary Topic
Lymphoma Diagnosis and Treatment
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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article

ASPECTOS MORFOLÓGICOS, IMUNOHISTOQUÍMICOS E PERFIL MUTACIONAL DO TP53 NO LINFOMA DE CÉLULAS DO MANTO

CB Milito, VV Santos, K. M. P. Paula, S. Romano et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Lymphoma Diagnosis and Treatment
article

ASPECTOS MORFOLÓGICOS, IMUNOHISTOQUÍMICOS E PERFIL MUTACIONAL DO TP53 NO LINFOMA DE CÉLULAS DO MANTO

CB Milito, VV Santos, K. M. P. Paula, S. Romano, Náthalia Pentagna, Gislene Alves do Amaral, R Schaffel, PT Galvão, LG Fagorelle
article en

Abstract

O linfoma de células do manto (LCM) é um linfoma não Hodgkin associado à translocação t(11;14) e superexpressão da ciclina D1. Variantes citológicas blastoide e pleomórfica, padrão arquitetural difuso, Ki67 ≥30%, superexpressão de p53 e mutações no TP53 associam-se a pior prognóstico. A relevância prognóstica do SOX11 permanece incerta e não há dados nacionais consolidados. Descrever aspectos morfológicos, expressão de p53 e SOX11, índice proliferativo e perfil mutacional do TP53 em casos de LCM e suas associações, avaliando a utilidade da imuno-histoquímica para p53 como triagem para sequenciamento. Estudo retrospectivo de 10 anos de pacientes diagnosticados com LCM no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ) e laboratório privado da cidade do Rio de Janeiro, incluindo casos positivos para ciclina D1. Classificação morfológica, Ki67 (<30% ou ≥30%), expressão de p53 (“selvagem” <50% ou “aberrante” ausente/≥50%), SOX11 (baixa expressão ≤10% ou alta expressão >10%) e análise mutacional dos exons 5-8 do TP53 por sequenciamento de Sanger em material preservado em blocos de parafina. Associação estatística pelo teste do qui-quadrado. Foram incluídos 36 casos com sequenciamento satisfatório de pelo menos um dos exons estudados. Citologia clássica foi encontrada em 67% e padrão difuso em 61%. Expressão aberrante de p53 ocorreu em 33%, Ki67 elevado em 39% e alta expressão de SOX11 em 69%. Padrões pleomórfico/blastoide e difuso associaram-se a Ki67 ≥30% (p < 0,00015 e p < 0,021, respectivamente). Não houve associação de p53 ou SOX11 com morfologia. A taxa de sequenciamento completo dos exons avaliados foi de 51%, limitada pela qualidade do material (blocos de parafina com até 10 anos e fixação não controlada), o que pode reduzir a sensibilidade para detecção de mutações e impactar a interpretação dos resultados moleculares. Mutações no TP53 foram detectadas em 10 pacientes, predominando nos exons 5 e 8. Houve correlação entre expressão aberrante de p53 e mutação (p < 0,03). Sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e negativo da imuno-histoquímica para p53 foram 58,3%, 83,3%, 63,6% e 80%, respectivamente. A predominância de padrão difuso e citologia clássica reflete achados descritos na literatura, embora tenha sido observada alta frequência de expressão aberrante de p53 e de mutações no TP53. A associação entre Ki67 elevado e padrões morfológicos agressivos reforça seu valor prognóstico. A limitação na taxa de sequenciamento sugere cautela na interpretação dos resultados moleculares e ressalta a importância de métodos complementares. A correlação entre expressão aberrante de p53 e mutações no TP53 sustenta o uso da imuno-histoquímica como ferramenta de triagem para indicação de sequenciamento, contribuindo para melhor estratificação prognóstica e potencial otimização de recursos diagnósticos. Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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