IMPACTO PROGNÓSTICO DAS MUTAÇÕES ASXL1 EM NEOPLASIAS MIELOIDES: REVISÃO SISTEMÁTICA E METANÁLISE
As neoplasias mieloides são caracterizadas por hematopoiese clonal e citopenias persistentes. Esse grupo de doenças da medula óssea inclui as síndromes mielodisplásicas (SMD), cuja presença de mutações no gene ASXL1 têm sido associadas a desfechos desfavoráveis, incluindo pior sobrevida global (OS). Embora estudos apontem para esse desfecho, há variação na magnitude dos resultados, o que justifica a necessidade de estimar precisamente esse risco. Avaliar, por meio de metanálise, o impacto da mutação ASXL1 na OS de pacientes com SMD, LMA associada a SMD e leucemia mielomonocítica crônica (LMMC). Foi realizada metanálise conforme as diretrizes do PRISMA. Incluíram-se estudos observacionais que relataram hazard ratios (HR) para OS comparando pacientes com e sem mutação ASXL1. A busca foi conduzida na base PubMed, excluindo revisões sistemáticas e metanálises. Os dados foram analisados no R (versão 4.5.1) com o pacote metafor. O efeito combinado foi estimado por modelo de efeitos aleatórios com ajuste de Hartung-Knapp. A heterogeneidade foi avaliada pelo teste Q de Cochran e pelo índice I 2 , e o potencial viés de publicação, por funnel plot. Cinco estudos preencheram os critérios de inclusão, envolvendo coortes com SMD, AML/MDS e LMMC. Os HR individuais variaram de 1,64 a 4,30. A análise combinada demonstrou que a mutação ASXL1 esteve associada a pior OS (HR = 1,94; IC 95%: 1,45–2,61; p < 0,001), correspondendo a um aumento de 94% no risco de morte. Não foi observada heterogeneidade significativa (I 2 = 0%, p = 0,5682). O funnel plot mostrou distribuição simétrica. O estudo com maior peso foi o de Pratcorona et al. (2013), seguido por Cui et al. (2015). A metanálise confirma o efeito adverso da mutação ASXL1 na sobrevida de pacientes com SMD e doenças correlatas. A ausência de heterogeneidade (I 2 = 0%) reforça a consistência dos achados, e a magnitude do risco observado é clinicamente relevante. Esses resultados alinham-se a evidências prévias que indicam que ASXL1 atua como marcador prognóstico independente, possivelmente relacionado a mecanismos de instabilidade epigenética e maior resistência terapêutica. Apesar da robustez estatística, algumas limitações devem ser consideradas. O número restrito de estudos e a ausência de análises padronizadas de variáveis de confusão podem influenciar a precisão da estimativa. Do ponto de vista clínico, os achados reforçam a importância da genotipagem no diagnóstico e estratificação de risco das neoplasias mielodisplásicas e doenças relacionadas, permitindo a personalização da conduta terapêutica. Estudos prospectivos multicêntricos, com ajustes multivariados robustos e estratificação por subtipo, são necessários para consolidar o papel prognóstico da mutação ASXL1 e explorar potenciais interações com outros marcadores moleculares. A mutação ASXL1 associa-se a pior prognóstico em SMD e síndromes relacionadas, aumentando significativamente o risco de morte. Esses resultados sustentam sua inclusão em modelos prognósticos e no planejamento terapêutico individualizado.
Authors
- Rafael Conrado (ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3559-8033)
- R Feitosa Pinheiro
- Luziana Barros Correia
- SM Meira Magalhães
- Renata dos Santos Oliveira
- Ana Martínez Pérez
- V Nascimento Malheiro
Institutions
- Universidade Federal do Ceará (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104885
- Primary Topic
- Acute Myeloid Leukemia Research
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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