DESIGUALDADES REGIONAIS E DETERMINANTES SOCIOECONÔMICOS DA MORTALIDADE POR LEUCEMIAS LINFOIDES EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO BRASIL DE 2000 A 2021
As leucemias são os cânceres mais frequentes na infância e adolescência, e fatores socioeconômicos são conhecidos por influenciar seus desfechos. No Brasil, observam-se disparidades regionais na mortalidade pediátrica por Leucemias Linfoides (LL) entre os estados. Os fatores envolvidos nessas disparidades ainda não são totalmente compreendidos. Este estudo tem como objetivo descrever a distribuição espaço-temporal da mortalidade por LL na população pediátrica brasileira e compreender a correlação entre fatores socioeconômicos e essa mortalidade nos 27 estados do país. Trata-se de um estudo ecológico que incluiu a população brasileira de indivíduos de 0 a 19 anos, em nível estadual, entre os anos de 2000 e 2021, dividida em quatro faixas etárias: 0‒4 anos, 5‒9 anos, 10‒14 anos e 15‒19 anos. O número de óbitos por LL (código C91 da CID-10) por estado foi obtido a partir do banco de dados de acesso público do Ministério da Saúde do Brasil. Onze características relacionadas a aspectos socioeconômicos foram selecionadas e agrupadas em fatores por meio da Análise de Componentes Principais (PCA). Modelos aditivos generalizados mistos dinâmicos (GAMM) foram utilizados para explorar a associação entre os componentes da PCA e a taxa de mortalidade específica por idade (ASMR) por LL nos estados ao longo do tempo. A PCA resultou em dois principais fatores, interpretados como: F1 – crescimento econômico e do mercado de saúde, e F2 – cobertura da atenção primária à saúde. Os resultados mostraram que a mortalidade por LL no Brasil aumentou ao longo do tempo, especialmente nos estados das regiões Norte (N) e Nordeste (NE). Em contraste, os estados das regiões Sul (S) e Sudeste (SE) apresentaram estabilidade ou queda nas taxas. O crescimento da economia e do mercado de saúde esteve associado a um aumento da ASMR em contextos de piores condições socioeconômicas e a uma diminuição da ASMR em contextos de melhores condições. Os benefícios do crescimento econômico e do mercado de saúde foram observada mais precocemente nos estados do Sul e Sudeste, que apresentam melhores indicadores socioeconômicos. A cobertura da atenção primária à saúde contribuiu para uma redução geral da ASMR (Coef. = -0,03, p=0,4) e, embora não tenha sido estatisticamente significativa, foi mantida na análise para fins interpretativos. Esses achados mostraram que o Brasil vivenciou um aumento na mortalidade pediátrica por LL entre 2000 e 2021, apesar dos efeitos redutores do crescimento econômico, do mercado de saúde e da atenção primária à saúde. As disparidades na mortalidade observadas entre os estados brasileiros estão ligadas a fatores socioeconômicos. Estados com piores condições socioeconômicas apresentaram maior aumento na mortalidade por LL, e os benefícios do crescimento econômico e do mercado de saúde demoraram mais para se manifestar nesses locais. Por outro lado, o fortalecimento dos serviços de atenção primária à saúde foi associado a uma redução mais precoce e pronunciada na mortalidade por LL nas regiões Norte e Nordeste, apesar das desvantagens socioeconômicas dessas regiões. Esse efeito protetor provavelmente reflete a expansão da cobertura da atenção primária à saúde promovida por programas governamentais voltados às populações vulneráveis durante o período do estudo.
Authors
- MGP Land
- Inês Oliveira (ORCID: https://orcid.org/0009-0007-8685-104X)
- BS Sanches
- Uwe Berger (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5614-288X)
- NL Duarte
- CDE Botelho
Institutions
- Universidade Federal do Rio de Janeiro (BR)
- Ludwig-Maximilians-Universität München (DE)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105104
- Primary Topic
- Maternal and Neonatal Healthcare
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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