PROTOCOLO DE ATENDIMENTO AO DOADOR DE SANGUE PORTANDO ARMA DE FOGO NO HEMOCENTRO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – SP

No Brasil, os serviços de hemoterapia estão amplamente respaldados por protocolos técnicos e regulamentações que visam proteger o doador de sangue. Os riscos mais comuns e frequentes da doação estão bem documentados na literatura científica e na legislação vigente, porém, existem riscos ainda não mensurados. Um exemplo de risco ainda não discutido ocorreu com um doador que portava arma de fogo durante a doação no Hemocentro de São José do Rio Preto. Durante estado de confusão pós-ictal devido reação vasovagal, o doador tentou alcançar a arma que portava, sendo impedido por duas profissionais que prestavam a assistência de enfermagem. Fica evidente a necessidade de elaborar, implantar e disseminar protocolos de segurança que visem a integridade física dos doadores e profissionais, além da segurança no ambiente de doação. Tais situações, embora raras, têm o potencial de impactar negativamente a experiência do doador e expor publicamente o serviço. Implantar protocolo de atendimento ao doador de sangue portando arma de fogo. O protocolo visa mitigar riscos e garantir a segurança do ambiente de doação, dos doadores e de toda equipe multiprofissional. Pesquisa descritiva de abordagem qualitativa, baseada em caso de reação vasovagal em doador armado no Hemocentro de São José do Rio Preto. A análise da Lei 10.826/2003 embasou protocolo institucional, elaborado por equipe multidisciplinar, visando segurança, viabilidade operacional e conformidade legal. Espera-se com esse estudo garantir a segurança dos doadores e profissionais do Hemocentro de São José do Rio Preto. Para tanto, serão implantados fluxos de atendimento a doadores de sangue portando arma de fogo. Na recepção todos os candidatos serão questionados sobre estarem portando arma de fogo. Em caso de afirmação o doador será orientado sobre não permanecer com a arma no momento da doação. Grupos específicos como policiais, por exemplo, serão orientados a rodiziar e a arma do doador ficará sob a custódia de outro policial até a total recuperação e liberação do doador. Na impossibilidade deste rodízio ou quando o doador se apresentar sozinho, será disponibilizado um local apropriado e seguro para o armazenamento da arma, sob supervisão de um profissional institucional (vigilante). Após a doação e recuperação do doador a arma será devolvida ao proprietário. A doação de sangue pode causar reações sistêmicas, a exemplo, a reação vasovagal, que pode ser estimulada por fatores psicológicos, volume de sangue retirado em relação ao volume de sangue do doador e a velocidade com que o mesmo foi retirado. Dependendo da gravidade da reação, os sintomas podem evoluir para perda de consciência, tetania ou convulsão, com movimentos não planejados pelo doador e não previstos pelos profissionais. Assim, quando o doador está portando arma de fogo durante a doação, torna-se um risco até então não previsto e não discutido na literatura. No Brasil, a lei n° 10.826/2003, também conhecida como Estatuto do Desarmamento, embora regule a posse e o porte de armas, não aborda diretamente a questão da segurança em ambientes hospitalares ou hemoterápicos. A criação e implantação deste protocolo, por meio de uma abordagem multidisciplinar, garantem um ambiente seguro para o ato da doação, respeitando o direito legal dos doadores de portarem armas, ao passo em que minimizam os riscos de incidentes fatais.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105783
Primary Topic
Blood donation and transfusion practices
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
|||
ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

PROTOCOLO DE ATENDIMENTO AO DOADOR DE SANGUE PORTANDO ARMA DE FOGO NO HEMOCENTRO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – SP

ML Coltro
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood donation and transfusion practices
article

PROTOCOLO DE ATENDIMENTO AO DOADOR DE SANGUE PORTANDO ARMA DE FOGO NO HEMOCENTRO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – SP

ML Coltro
article en

Abstract

No Brasil, os serviços de hemoterapia estão amplamente respaldados por protocolos técnicos e regulamentações que visam proteger o doador de sangue. Os riscos mais comuns e frequentes da doação estão bem documentados na literatura científica e na legislação vigente, porém, existem riscos ainda não mensurados. Um exemplo de risco ainda não discutido ocorreu com um doador que portava arma de fogo durante a doação no Hemocentro de São José do Rio Preto. Durante estado de confusão pós-ictal devido reação vasovagal, o doador tentou alcançar a arma que portava, sendo impedido por duas profissionais que prestavam a assistência de enfermagem. Fica evidente a necessidade de elaborar, implantar e disseminar protocolos de segurança que visem a integridade física dos doadores e profissionais, além da segurança no ambiente de doação. Tais situações, embora raras, têm o potencial de impactar negativamente a experiência do doador e expor publicamente o serviço. Implantar protocolo de atendimento ao doador de sangue portando arma de fogo. O protocolo visa mitigar riscos e garantir a segurança do ambiente de doação, dos doadores e de toda equipe multiprofissional. Pesquisa descritiva de abordagem qualitativa, baseada em caso de reação vasovagal em doador armado no Hemocentro de São José do Rio Preto. A análise da Lei 10.826/2003 embasou protocolo institucional, elaborado por equipe multidisciplinar, visando segurança, viabilidade operacional e conformidade legal. Espera-se com esse estudo garantir a segurança dos doadores e profissionais do Hemocentro de São José do Rio Preto. Para tanto, serão implantados fluxos de atendimento a doadores de sangue portando arma de fogo. Na recepção todos os candidatos serão questionados sobre estarem portando arma de fogo. Em caso de afirmação o doador será orientado sobre não permanecer com a arma no momento da doação. Grupos específicos como policiais, por exemplo, serão orientados a rodiziar e a arma do doador ficará sob a custódia de outro policial até a total recuperação e liberação do doador. Na impossibilidade deste rodízio ou quando o doador se apresentar sozinho, será disponibilizado um local apropriado e seguro para o armazenamento da arma, sob supervisão de um profissional institucional (vigilante). Após a doação e recuperação do doador a arma será devolvida ao proprietário. A doação de sangue pode causar reações sistêmicas, a exemplo, a reação vasovagal, que pode ser estimulada por fatores psicológicos, volume de sangue retirado em relação ao volume de sangue do doador e a velocidade com que o mesmo foi retirado. Dependendo da gravidade da reação, os sintomas podem evoluir para perda de consciência, tetania ou convulsão, com movimentos não planejados pelo doador e não previstos pelos profissionais. Assim, quando o doador está portando arma de fogo durante a doação, torna-se um risco até então não previsto e não discutido na literatura. No Brasil, a lei n° 10.826/2003, também conhecida como Estatuto do Desarmamento, embora regule a posse e o porte de armas, não aborda diretamente a questão da segurança em ambientes hospitalares ou hemoterápicos. A criação e implantação deste protocolo, por meio de uma abordagem multidisciplinar, garantem um ambiente seguro para o ato da doação, respeitando o direito legal dos doadores de portarem armas, ao passo em que minimizam os riscos de incidentes fatais.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (BR)
Openalex Percentile: Top 59%
Blood donation and transfusion practices
AI Navigator

Ask Laika to Summarize, Analyze, and Connect papers live on the map.

Summarize Papers & Methodologies

Extract key findings, datasets, and comparative methods across publications.

Benchmark Rankings & Visual Analytics

Rank top research institutions, authors, funders, topics, and journals by Field-Weighted Citation Impact (FWCI) and paper volume with instant charts.

Connect Distant Disciplines

Bridge topological clusters on the map to find hidden collaborative intersections.