IMPACTO DO COOMBS DIRETO POSITIVO CONFORME OS ANTICORPOS ANTIERITROCITÁRIOS NO QUADRO CLÍNICO NEONATAL

A Doença Hemolítica Perinatal é uma condição imunomediada causada pela incompatibilidade entre antígenos eritrocitários maternos e fetais, que resulta da passagem de anticorpos maternos pela placenta e destruição das hemácias fetais. Esse processo pode provocar anemia, icterícia, hiperbilirrubinemia e, em casos graves, hidropsia fetal. O teste de Coombs direto é fundamental para detectar anticorpos ou complemento aderidos às hemácias neonatais, sendo sua positividade geralmente associada a anticorpos antieritrocitários como anti-A, anti-B e anti-D. A identificação do tipo de anticorpo é essencial para avaliar a gravidade clínica e orientar o tratamento, que pode incluir fototerapia, transfusão simples ou exsanguíneotransfusão. Contudo, a relação entre o tipo de anticorpo, o Coombs positivo e a severidade clínica ainda não está completamente esclarecida. Avaliar a relação entre o Coombs direto positivo, os anticorpos antieritrocitários envolvidos e a gravidade do quadro hemolítico em recém-nascidos. Trata-se de um estudo retrospectivo, dos prontuários de recém-nascidos (RN) atendidos pelo banco de sangue do grupo GSH em Brasília, de 01/01/2025 a 30/06/2025, que apresentaram teste de antiglobulina direto (TAD) positivo. Os resultados do TAD foram então correlacionados com o quadro clinico de cada paciente. Foram analisados 151 prontuários de RN com TAD positivo. Desses, 55% apresentaram anticorpos anti-A (83 casos), 21,9% anti-B (33 casos), 17,9% anti-D (27 casos), 1,3% anti-c (2 casos), 1,3% anti-S (2 casos) e 0,7% anti-Jka (1 caso). Em todos os casos, foi identificado algum grau de icterícia. No total, 124 (82,1%) necessitaram de fototerapia, 3 (2%) foram submetidos à exsanguíneotransfusão e 1 (0,7%) precisou de transfusão simples. Observou-se que os casos mais graves, que exigiram exsanguíneotransfusão ou transfusão, estavam associados à presença de anticorpos anti-B com título superior a 1:8 e anti-c com títulos acima de 1:32. Os resultados reforçam a associação entre anticorpos antieritrocitários, principalmente anti-A e anti-B, à icterícia em recém-nascidos com TAD positivo, destacando a predominância dos anticorpos do sistema ABO como causa frequente de hemólise leve a moderada. A maioria dos casos foi controlada com fototerapia, alinhando-se à literatura. No entanto, títulos elevados de anti-B (>1:8) e anti-c (>1:32) associaram-se a quadros mais graves de hemólise que demandaram transfusão ou exsanguíneotransfusão, evidenciando a importância clínica desses anticorpos. A tipagem e quantificação precisa, especialmente dos anticorpos não RhD, são essenciais para o manejo adequado, permitindo intervenções precoces que reduzem morbidade e melhoram os desfechos clínicos. A avaliação detalhada e o monitoramento dos títulos dos anticorpos antieritrocitários, incluindo anti-A, anti-B e não RhD, são fundamentais para estratificar o risco e orientar o tratamento em recém-nascidos com Coombs direto positivo. Anticorpos com títulos elevados, como anti-B e anti-c, estão associados a quadros mais graves que necessitam de intervenções invasivas, destacando a importância da tipagem e quantificação precoce para um manejo seguro e eficaz.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105650
Primary Topic
Neonatal Health and Biochemistry
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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IMPACTO DO COOMBS DIRETO POSITIVO CONFORME OS ANTICORPOS ANTIERITROCITÁRIOS NO QUADRO CLÍNICO NEONATAL

Beatriz Aparecida Alencar, Valdete Teles Xavier Soares, Marluce Matos de Moraes, João Freitas
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Neonatal Health and Biochemistry
article

IMPACTO DO COOMBS DIRETO POSITIVO CONFORME OS ANTICORPOS ANTIERITROCITÁRIOS NO QUADRO CLÍNICO NEONATAL

Beatriz Aparecida Alencar, Valdete Teles Xavier Soares, Marluce Matos de Moraes, João Freitas
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Abstract

A Doença Hemolítica Perinatal é uma condição imunomediada causada pela incompatibilidade entre antígenos eritrocitários maternos e fetais, que resulta da passagem de anticorpos maternos pela placenta e destruição das hemácias fetais. Esse processo pode provocar anemia, icterícia, hiperbilirrubinemia e, em casos graves, hidropsia fetal. O teste de Coombs direto é fundamental para detectar anticorpos ou complemento aderidos às hemácias neonatais, sendo sua positividade geralmente associada a anticorpos antieritrocitários como anti-A, anti-B e anti-D. A identificação do tipo de anticorpo é essencial para avaliar a gravidade clínica e orientar o tratamento, que pode incluir fototerapia, transfusão simples ou exsanguíneotransfusão. Contudo, a relação entre o tipo de anticorpo, o Coombs positivo e a severidade clínica ainda não está completamente esclarecida. Avaliar a relação entre o Coombs direto positivo, os anticorpos antieritrocitários envolvidos e a gravidade do quadro hemolítico em recém-nascidos. Trata-se de um estudo retrospectivo, dos prontuários de recém-nascidos (RN) atendidos pelo banco de sangue do grupo GSH em Brasília, de 01/01/2025 a 30/06/2025, que apresentaram teste de antiglobulina direto (TAD) positivo. Os resultados do TAD foram então correlacionados com o quadro clinico de cada paciente. Foram analisados 151 prontuários de RN com TAD positivo. Desses, 55% apresentaram anticorpos anti-A (83 casos), 21,9% anti-B (33 casos), 17,9% anti-D (27 casos), 1,3% anti-c (2 casos), 1,3% anti-S (2 casos) e 0,7% anti-Jka (1 caso). Em todos os casos, foi identificado algum grau de icterícia. No total, 124 (82,1%) necessitaram de fototerapia, 3 (2%) foram submetidos à exsanguíneotransfusão e 1 (0,7%) precisou de transfusão simples. Observou-se que os casos mais graves, que exigiram exsanguíneotransfusão ou transfusão, estavam associados à presença de anticorpos anti-B com título superior a 1:8 e anti-c com títulos acima de 1:32. Os resultados reforçam a associação entre anticorpos antieritrocitários, principalmente anti-A e anti-B, à icterícia em recém-nascidos com TAD positivo, destacando a predominância dos anticorpos do sistema ABO como causa frequente de hemólise leve a moderada. A maioria dos casos foi controlada com fototerapia, alinhando-se à literatura. No entanto, títulos elevados de anti-B (>1:8) e anti-c (>1:32) associaram-se a quadros mais graves de hemólise que demandaram transfusão ou exsanguíneotransfusão, evidenciando a importância clínica desses anticorpos. A tipagem e quantificação precisa, especialmente dos anticorpos não RhD, são essenciais para o manejo adequado, permitindo intervenções precoces que reduzem morbidade e melhoram os desfechos clínicos. A avaliação detalhada e o monitoramento dos títulos dos anticorpos antieritrocitários, incluindo anti-A, anti-B e não RhD, são fundamentais para estratificar o risco e orientar o tratamento em recém-nascidos com Coombs direto positivo. Anticorpos com títulos elevados, como anti-B e anti-c, estão associados a quadros mais graves que necessitam de intervenções invasivas, destacando a importância da tipagem e quantificação precoce para um manejo seguro e eficaz.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade de Brasília (BR)
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Neonatal Health and Biochemistry
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