AVALIAÇÃO DA AÇÃO DOS ANTICORPOS ANTI-ABO SOB O CRESCIMENTO DA BACTÉRIA ENTEROCOCCUS SPP.

sistema ABO, além de sua importância em práticas transfusionais, está associado a mecanismos imunológicos ainda pouco compreendidos, especialmente frente a infecções. Os anticorpos naturais anti-A e anti-B podem exercer papel protetor, sendo potencialmente úteis no combate a bactérias multirresistentes. O gênero Enterococcus spp., composto por bactérias Gram-positivas do trato intestinal, destaca-se pela capacidade de causar infecções graves e por sua resistência antimicrobiana. Avaliar a ação in vitro dos anticorpos naturais anti-ABO sobre o crescimento de Enterococcus faecalis. Foram utilizadas amostras de soro sanguíneo de quatro indivíduos com fenótipos A, B, AB e O. O soro de cada grupo foi testado puro e em diluições (1:2, 1:4 e 1:8) após incubação com a cepa padrão de E. faecalis (ATCC 19433) e semeado em ágar sangue. Os ensaios foram conduzidos em duplicata, com intervalo de 21 dias, incluindo controles positivos e negativos. Também foram considerados os títulos de anticorpos (entre 1:16 e 1:64) e características individuais dos doadores. No Ensaio 1, o soro puro dos grupos A, B e O reduziu as unidades formadoras de colônia (UFC) em mais de 60%, com destaque para o grupo B (68,3%). O grupo AB, que não possui anticorpos anti-A ou anti-B, teve a menor redução (29,6%). Nas diluições, os resultados variaram sem significância estatística. No Ensaio 2, observou-se redução geral das UFCs no soro puro de todos os grupos, sendo que, de forma inesperada, o grupo AB apresentou a maior redução (56,4%). Em ambas as fases, as amostras diluídas mostraram aumento de colônias em relação ao controle. A presença de anticorpos anti-ABO parece exercer efeito inibitório sobre E. faecalis, conforme evidenciado no soro puro dos grupos A, B e O. A resposta observada no grupo AB no segundo ensaio indica possível influência de outros fatores individuais, como idade, sexo, etnia e variabilidade nos títulos de anticorpos. A ausência de efeito significativo nas amostras diluídas reforça a importância da concentração dos anticorpos. Conclui-se que o soro humano puro com anticorpos anti-ABO apresenta potencial ação antimicrobiana contra E. faecalis. Novas investigações com anticorpos monoclonais em alta concentração e análises moleculares da parede bacteriana são necessárias para elucidar os mecanismos envolvidos.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104263
Primary Topic
Healthcare Regulation
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
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article

AVALIAÇÃO DA AÇÃO DOS ANTICORPOS ANTI-ABO SOB O CRESCIMENTO DA BACTÉRIA ENTEROCOCCUS SPP.

A.V. Alves Da Silva, Samir Ezequiel da Rosa, Antonio José Gonçalves Cruz, Alexandre Geraldo et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Healthcare Regulation
article

AVALIAÇÃO DA AÇÃO DOS ANTICORPOS ANTI-ABO SOB O CRESCIMENTO DA BACTÉRIA ENTEROCOCCUS SPP.

A.V. Alves Da Silva, Samir Ezequiel da Rosa, Antonio José Gonçalves Cruz, Alexandre Geraldo, Daniela Valcarenghi, César Ferreira Amorim
article en

Abstract

sistema ABO, além de sua importância em práticas transfusionais, está associado a mecanismos imunológicos ainda pouco compreendidos, especialmente frente a infecções. Os anticorpos naturais anti-A e anti-B podem exercer papel protetor, sendo potencialmente úteis no combate a bactérias multirresistentes. O gênero Enterococcus spp., composto por bactérias Gram-positivas do trato intestinal, destaca-se pela capacidade de causar infecções graves e por sua resistência antimicrobiana. Avaliar a ação in vitro dos anticorpos naturais anti-ABO sobre o crescimento de Enterococcus faecalis. Foram utilizadas amostras de soro sanguíneo de quatro indivíduos com fenótipos A, B, AB e O. O soro de cada grupo foi testado puro e em diluições (1:2, 1:4 e 1:8) após incubação com a cepa padrão de E. faecalis (ATCC 19433) e semeado em ágar sangue. Os ensaios foram conduzidos em duplicata, com intervalo de 21 dias, incluindo controles positivos e negativos. Também foram considerados os títulos de anticorpos (entre 1:16 e 1:64) e características individuais dos doadores. No Ensaio 1, o soro puro dos grupos A, B e O reduziu as unidades formadoras de colônia (UFC) em mais de 60%, com destaque para o grupo B (68,3%). O grupo AB, que não possui anticorpos anti-A ou anti-B, teve a menor redução (29,6%). Nas diluições, os resultados variaram sem significância estatística. No Ensaio 2, observou-se redução geral das UFCs no soro puro de todos os grupos, sendo que, de forma inesperada, o grupo AB apresentou a maior redução (56,4%). Em ambas as fases, as amostras diluídas mostraram aumento de colônias em relação ao controle. A presença de anticorpos anti-ABO parece exercer efeito inibitório sobre E. faecalis, conforme evidenciado no soro puro dos grupos A, B e O. A resposta observada no grupo AB no segundo ensaio indica possível influência de outros fatores individuais, como idade, sexo, etnia e variabilidade nos títulos de anticorpos. A ausência de efeito significativo nas amostras diluídas reforça a importância da concentração dos anticorpos. Conclui-se que o soro humano puro com anticorpos anti-ABO apresenta potencial ação antimicrobiana contra E. faecalis. Novas investigações com anticorpos monoclonais em alta concentração e análises moleculares da parede bacteriana são necessárias para elucidar os mecanismos envolvidos.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade do Vale do Itajaí (BR)
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