SÍNDROME MIELODISPLÁSICA: AVALIAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA NO BRASIL

Síndrome Mielodisplásica (SMD) é uma neoplasia definida pela proliferação de um clone de células-tronco hematopoiéticas com mutações no DNA, em sua maioria adquiridas (somáticas), caracterizando uma hematopoiese ineficaz, citopenia persistente e, a depender do tipo, alto risco de evolução para Leucemia Mieloide Aguda (LMA). 1 O diagnóstico baseia-se em citopenia persistente não explicada por outra causa e displasia morfológica na medula óssea e/ou alterações citogenéticas específicas, afetando principalmente idosos¹. Apesar do avanço no conhecimento molecular e clínico da SMD, há poucos trabalhos epidemiológicos sobre a doença no Brasil, motivo do desenvolvimento deste estudo. Busca-se analisar o perfil epidemiológico da SMD no Brasil, considerando sexo, faixa etária e a distribuição temporal dos casos, a fim de identificar os perfis populacionais mais atingidos e padrões relevantes para a compreensão da doença. Este estudo retrospectivo e descritivo analisou dados de mortalidade por SMD, obtidos no Atlas de Mortalidade por Câncer (INCA), selecionando o CID-10 (D46) no período de 1996 a 2023. Sendo uma base de domínio público, não houve necessidade de submissão ao comitê de ética. A organização dos dados foi feita no Microsoft Excel, e a seleção no Atlas utilizou os modelos de filtragem 1, 2 e 10. De 1996 a 2023 registrou-se um total de 16.647 óbitos por SMD. Em relação ao total de óbitos notificados no Brasil, o percentual de óbitos pela neoplasia aumentou de 0,01% em 1996 a 0,08% em 2023 – de 127 para 1.131 casos, em valores absolutos. Por faixa etária, destaca-se as mortes a partir dos 60 anos, somando 14.054 casos. Por sexo, há uma leve predominância do masculino, com 8.693 óbitos em relação aos 7.950 do feminino (4 casos o sexo não foi informado). Contudo, entre as mortes na faixa de 80 anos ou mais, ocorre uma inversão, com 3.344 óbitos no sexo feminino e 3.145 no masculino. Quanto à proporção de mortes em relação a todas as neoplasias, nota-se um crescimento da taxa ao longo do período, com um expressivo aumento entre 1996-1998 (0,09%) e 1999-2003 (0,22%) e mantendo um crescimento sustentado até 2014 (0,43%), a partir do qual manteve-se constante até 2023. Os óbitos por SMD cresceram notoriamente no período, com aumento absoluto de 791% e 411% comparado ao percentual de óbitos por todas as neoplasias. Essa elevação, a despeito de avanços no tratamento (hipometilantes e transplante de medula óssea), pode dever-se ao melhor diagnóstico proporcionado pelos avanços médicos e ao envelhecimento da população. O perfil populacional mais afetado encontrado foi de homens acima de 60 anos. Embora a literatura não justifique a prevalência por sexo, sendo um viés deste estudo, a questão etária é bem compreendida, com maior risco em idade avançada devido a mutações senis e ao tempo de exposição à fatores de risco diversos¹. Consoante com a literatura, encontrou-se alta proporção de óbitos acima dos 60 anos, nesta análise constatado 84%. Alinhado à literatura, confirma-se o perfil de risco aumentado para idosos acima de 60 anos. Relata-se também um aumento expressivo de óbitos por SMD no Brasil no período. Assim, justifica-se a necessidade de se expandir o conhecimento acerca dessa neoplasia, visando melhorar o prognóstico desses pacientes.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104899
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
|||
ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

SÍNDROME MIELODISPLÁSICA: AVALIAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA NO BRASIL

L.C.d'O. Carvalho, F.M. Botelho, LN Melo, Helena de Souza Araujo Lemos et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

SÍNDROME MIELODISPLÁSICA: AVALIAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA NO BRASIL

L.C.d'O. Carvalho, F.M. Botelho, LN Melo, Helena de Souza Araujo Lemos, VA Bastos, Artur Carneiro, HM Teano, DM Lobert, AOG Golineli, BDG Deeke
article en

Abstract

Síndrome Mielodisplásica (SMD) é uma neoplasia definida pela proliferação de um clone de células-tronco hematopoiéticas com mutações no DNA, em sua maioria adquiridas (somáticas), caracterizando uma hematopoiese ineficaz, citopenia persistente e, a depender do tipo, alto risco de evolução para Leucemia Mieloide Aguda (LMA). 1 O diagnóstico baseia-se em citopenia persistente não explicada por outra causa e displasia morfológica na medula óssea e/ou alterações citogenéticas específicas, afetando principalmente idosos¹. Apesar do avanço no conhecimento molecular e clínico da SMD, há poucos trabalhos epidemiológicos sobre a doença no Brasil, motivo do desenvolvimento deste estudo. Busca-se analisar o perfil epidemiológico da SMD no Brasil, considerando sexo, faixa etária e a distribuição temporal dos casos, a fim de identificar os perfis populacionais mais atingidos e padrões relevantes para a compreensão da doença. Este estudo retrospectivo e descritivo analisou dados de mortalidade por SMD, obtidos no Atlas de Mortalidade por Câncer (INCA), selecionando o CID-10 (D46) no período de 1996 a 2023. Sendo uma base de domínio público, não houve necessidade de submissão ao comitê de ética. A organização dos dados foi feita no Microsoft Excel, e a seleção no Atlas utilizou os modelos de filtragem 1, 2 e 10. De 1996 a 2023 registrou-se um total de 16.647 óbitos por SMD. Em relação ao total de óbitos notificados no Brasil, o percentual de óbitos pela neoplasia aumentou de 0,01% em 1996 a 0,08% em 2023 – de 127 para 1.131 casos, em valores absolutos. Por faixa etária, destaca-se as mortes a partir dos 60 anos, somando 14.054 casos. Por sexo, há uma leve predominância do masculino, com 8.693 óbitos em relação aos 7.950 do feminino (4 casos o sexo não foi informado). Contudo, entre as mortes na faixa de 80 anos ou mais, ocorre uma inversão, com 3.344 óbitos no sexo feminino e 3.145 no masculino. Quanto à proporção de mortes em relação a todas as neoplasias, nota-se um crescimento da taxa ao longo do período, com um expressivo aumento entre 1996-1998 (0,09%) e 1999-2003 (0,22%) e mantendo um crescimento sustentado até 2014 (0,43%), a partir do qual manteve-se constante até 2023. Os óbitos por SMD cresceram notoriamente no período, com aumento absoluto de 791% e 411% comparado ao percentual de óbitos por todas as neoplasias. Essa elevação, a despeito de avanços no tratamento (hipometilantes e transplante de medula óssea), pode dever-se ao melhor diagnóstico proporcionado pelos avanços médicos e ao envelhecimento da população. O perfil populacional mais afetado encontrado foi de homens acima de 60 anos. Embora a literatura não justifique a prevalência por sexo, sendo um viés deste estudo, a questão etária é bem compreendida, com maior risco em idade avançada devido a mutações senis e ao tempo de exposição à fatores de risco diversos¹. Consoante com a literatura, encontrou-se alta proporção de óbitos acima dos 60 anos, nesta análise constatado 84%. Alinhado à literatura, confirma-se o perfil de risco aumentado para idosos acima de 60 anos. Relata-se também um aumento expressivo de óbitos por SMD no Brasil no período. Assim, justifica-se a necessidade de se expandir o conhecimento acerca dessa neoplasia, visando melhorar o prognóstico desses pacientes.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual Paulista (Unesp) (BR)
Openalex Percentile: Top 60%
Acute Myeloid Leukemia Research
AI Navigator

Ask Laika to Summarize, Analyze, and Connect papers live on the map.

Summarize Papers & Methodologies

Extract key findings, datasets, and comparative methods across publications.

Benchmark Rankings & Visual Analytics

Rank top research institutions, authors, funders, topics, and journals by Field-Weighted Citation Impact (FWCI) and paper volume with instant charts.

Connect Distant Disciplines

Bridge topological clusters on the map to find hidden collaborative intersections.