BARREIRAS E FACILITADORES PARA INTEGRAÇÃO DOS CUIDADOS PALIATIVOS NA HEMATOLOGIA COM FOCO EM PAÍSES DE BAIXA E MÉDIA RENDA

Os cuidados paliativos (CP) são essenciais para pacientes com doenças hematológicas, como leucemias, linfomas e hemoglobinopatias, aliviando sintomas físicos, psicológicos e sociais em fases refratárias ou de baixa resposta terapêutica. No entanto, em países de baixa e média renda, como o Brasil, a integração de CP na prática hematológica é limitada por desafios estruturais, culturais e educacionais no Sistema Único de Saúde (SUS). Esta revisão narrativa explorou barreiras e facilitadores para incorporar CP em serviços hematológicos, com ênfase em estratégias aplicáveis ao contexto municipal do SUS. Esta revisão narrativa buscou identificar barreiras e facilitadores para a integração de cuidados paliativos na prática hematológica em países de baixa e média renda, propondo estratégias para otimizar a assistência no SUS. Foram revisados artigos publicados entre 2010 e 2024 nas bases PubMed, LILACS, Scopus e Embase, selecionando estudos sobre CP em hematologia, com foco em contextos de recursos limitados. A análise narrativa destacou fatores que dificultam ou promovem os CP. As principais barreiras incluem: falta de capacitação profissional, com muitos hematologistas sem treinamento em CP; ausência de protocolos padronizados, dificultando a abordagem sistemática; percepção equivocada de CP como exclusivos ao fim de vida; e limitações de infraestrutura, como escassez de equipes especializadas e acesso restrito a opioides devido a barreiras regulatórias. Facilitadores abrangem treinamento formal em CP, engajamento de lideranças hospitalares para priorizar a integração, modelos híbridos (ex.: ambulatórios conjuntos hematologia-CP) e campanhas de sensibilização para desmistificar CP. No Brasil, experiências em unidades municipais sugerem que diretrizes locais e capacitação podem viabilizar CP. A resistência cultural, associada à visão de CP como cuidados terminais, impede a integração precoce, crucial para doenças hematológicas com alta carga sintomática. Experiências internacionais mostram que fluxos assistenciais estruturados e parcerias entre hematologia e atenção primária superam limitações de recursos. No SUS, estratégias como treinamentos multiprofissionais, escalas de avaliação de sintomas e articulação entre níveis de atenção podem promover CP eficazes em contextos municipais, mesmo com infraestrutura limitada. A integração de CP na hematologia em países de baixa e média renda, incluindo o SUS, é viável e imprescindível para melhorar a qualidade de vida de pacientes com doenças hematológicas. Investimentos em capacitação de equipes multiprofissionais, desenvolvimento de fluxos assistenciais organizados e apoio institucional são fundamentais para superar barreiras estruturais e culturais. A adoção de diretrizes locais adaptadas e a sensibilização de profissionais e gestores podem desmistificar os CP, promovendo uma assistência mais humanizada, equitativa e centrada no paciente, mesmo em contextos de recursos limitados.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105033
Primary Topic
Palliative and Oncologic Care
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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BARREIRAS E FACILITADORES PARA INTEGRAÇÃO DOS CUIDADOS PALIATIVOS NA HEMATOLOGIA COM FOCO EM PAÍSES DE BAIXA E MÉDIA RENDA

Denilson Ferreira de Oliveira, GA Ramos, L. F. L. Vasconcelos, NL Duarte
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Palliative and Oncologic Care
article

BARREIRAS E FACILITADORES PARA INTEGRAÇÃO DOS CUIDADOS PALIATIVOS NA HEMATOLOGIA COM FOCO EM PAÍSES DE BAIXA E MÉDIA RENDA

Denilson Ferreira de Oliveira, GA Ramos, L. F. L. Vasconcelos, NL Duarte
article en

Abstract

Os cuidados paliativos (CP) são essenciais para pacientes com doenças hematológicas, como leucemias, linfomas e hemoglobinopatias, aliviando sintomas físicos, psicológicos e sociais em fases refratárias ou de baixa resposta terapêutica. No entanto, em países de baixa e média renda, como o Brasil, a integração de CP na prática hematológica é limitada por desafios estruturais, culturais e educacionais no Sistema Único de Saúde (SUS). Esta revisão narrativa explorou barreiras e facilitadores para incorporar CP em serviços hematológicos, com ênfase em estratégias aplicáveis ao contexto municipal do SUS. Esta revisão narrativa buscou identificar barreiras e facilitadores para a integração de cuidados paliativos na prática hematológica em países de baixa e média renda, propondo estratégias para otimizar a assistência no SUS. Foram revisados artigos publicados entre 2010 e 2024 nas bases PubMed, LILACS, Scopus e Embase, selecionando estudos sobre CP em hematologia, com foco em contextos de recursos limitados. A análise narrativa destacou fatores que dificultam ou promovem os CP. As principais barreiras incluem: falta de capacitação profissional, com muitos hematologistas sem treinamento em CP; ausência de protocolos padronizados, dificultando a abordagem sistemática; percepção equivocada de CP como exclusivos ao fim de vida; e limitações de infraestrutura, como escassez de equipes especializadas e acesso restrito a opioides devido a barreiras regulatórias. Facilitadores abrangem treinamento formal em CP, engajamento de lideranças hospitalares para priorizar a integração, modelos híbridos (ex.: ambulatórios conjuntos hematologia-CP) e campanhas de sensibilização para desmistificar CP. No Brasil, experiências em unidades municipais sugerem que diretrizes locais e capacitação podem viabilizar CP. A resistência cultural, associada à visão de CP como cuidados terminais, impede a integração precoce, crucial para doenças hematológicas com alta carga sintomática. Experiências internacionais mostram que fluxos assistenciais estruturados e parcerias entre hematologia e atenção primária superam limitações de recursos. No SUS, estratégias como treinamentos multiprofissionais, escalas de avaliação de sintomas e articulação entre níveis de atenção podem promover CP eficazes em contextos municipais, mesmo com infraestrutura limitada. A integração de CP na hematologia em países de baixa e média renda, incluindo o SUS, é viável e imprescindível para melhorar a qualidade de vida de pacientes com doenças hematológicas. Investimentos em capacitação de equipes multiprofissionais, desenvolvimento de fluxos assistenciais organizados e apoio institucional são fundamentais para superar barreiras estruturais e culturais. A adoção de diretrizes locais adaptadas e a sensibilização de profissionais e gestores podem desmistificar os CP, promovendo uma assistência mais humanizada, equitativa e centrada no paciente, mesmo em contextos de recursos limitados.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Grupo Hospitalar Conceição (BR)
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Palliative and Oncologic Care
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