TERAPIA-ALVO E IMUNOTERAPIA NA LEUCEMIA LINFOIDE AGUDA INFANTIL: IMPACTO CLÍNICO E PERSPECTIVAS

A Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) é uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação clonal de células progenitoras linfóides imaturas na medula óssea. Essas células malignas substituem o tecido hematopoiético normal, invadem o sangue periférico como blastos e podem infiltrar outros tecidos. A LLA representa cerca de 30% dos cânceres infantis e 75% das leucemias pediátricas, com maior incidência em meninos entre 2 e 5 anos. Classifica-se em dois subtipos principais: LLA de células B e de células T, conforme imunofenotipagem por citometria de fluxo. O tratamento da LLA ainda é baseado, em grande parte, em quimioterapia e radioterapia. No entanto, a alta toxicidade dessas abordagens impulsionou o desenvolvimento de terapias-alvo e imunoterapias, que vêm se destacando como alternativas promissoras por oferecerem tratamento direcionado a vias específicas das células leucêmicas. Esta revisão tem como objetivo avaliar os principais benefícios, impactos clínicos e perspectivas futuras dessas abordagens no tratamento da LLA infantil. Foi realizada uma revisão narrativa qualitativa na base PubMed, com critérios de inclusão: artigos dos últimos dez anos, gratuitos, completos e de revisão sistemática. Utilizaram-se os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) com operadores booleanos: “Acute Lymphoblastic Leukemia” OR “Pediatric ALL” AND “Targeted therapy” OR “Immunotherapy”. Pacientes com LLA e alterações em quinases são beneficiados pelas terapias-alvo com inibidores de tirosina quinase, como imatinibe e dasatinibe, que bloqueiam vias intracelulares essenciais à proliferação das células leucêmicas, impedindo sua expansão clonal. Quando tratados sem essas terapias, mesmo com quimioterapia em altas doses, os desfechos foram piores. Já a combinação com os inibidores demonstrou melhores resultados. Adicionalmente, destaca-se a imunoterapia, que estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater células tumorais por meio do direcionamento a antígenos específicos expressos por células neoplásicas. Na LLA pediátrica, os principais alvos são CD19, CD20 e CD22. Entre os agentes terapêuticos, destaca-se o blinatumomabe, anticorpo biespecífico que liga CD19 (células B tumorais) e CD3 (linfócitos T), promovendo citotoxicidade mediada por células T. Outra inovação é a terapia com células CAR-T anti-CD19, como o tisagenlecleucel, indicada para LLA infantil recidivada ou refratária. Essa abordagem utiliza linfócitos T autólogos modificados geneticamente para expressar um receptor quimérico capaz de reconhecer o CD19 nas células B leucêmicas. Diante disso, mesmo com a presença de efeitos adversos, os benefícios dessas terapias superam a toxicidade da quimioterapia convencional. Torna-se, portanto, fundamental investir em novos estudos que permitam reconfigurar o atual cenário terapêutico, ainda fortemente baseado em abordagens tradicionais.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104668
Primary Topic
Acute Lymphoblastic Leukemia research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
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article

TERAPIA-ALVO E IMUNOTERAPIA NA LEUCEMIA LINFOIDE AGUDA INFANTIL: IMPACTO CLÍNICO E PERSPECTIVAS

I Dias Lorenzini, MR Pasqualotto, J Wolski de Oliveira Romanov
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Lymphoblastic Leukemia research
article

TERAPIA-ALVO E IMUNOTERAPIA NA LEUCEMIA LINFOIDE AGUDA INFANTIL: IMPACTO CLÍNICO E PERSPECTIVAS

I Dias Lorenzini, MR Pasqualotto, J Wolski de Oliveira Romanov
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Abstract

A Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) é uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação clonal de células progenitoras linfóides imaturas na medula óssea. Essas células malignas substituem o tecido hematopoiético normal, invadem o sangue periférico como blastos e podem infiltrar outros tecidos. A LLA representa cerca de 30% dos cânceres infantis e 75% das leucemias pediátricas, com maior incidência em meninos entre 2 e 5 anos. Classifica-se em dois subtipos principais: LLA de células B e de células T, conforme imunofenotipagem por citometria de fluxo. O tratamento da LLA ainda é baseado, em grande parte, em quimioterapia e radioterapia. No entanto, a alta toxicidade dessas abordagens impulsionou o desenvolvimento de terapias-alvo e imunoterapias, que vêm se destacando como alternativas promissoras por oferecerem tratamento direcionado a vias específicas das células leucêmicas. Esta revisão tem como objetivo avaliar os principais benefícios, impactos clínicos e perspectivas futuras dessas abordagens no tratamento da LLA infantil. Foi realizada uma revisão narrativa qualitativa na base PubMed, com critérios de inclusão: artigos dos últimos dez anos, gratuitos, completos e de revisão sistemática. Utilizaram-se os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) com operadores booleanos: “Acute Lymphoblastic Leukemia” OR “Pediatric ALL” AND “Targeted therapy” OR “Immunotherapy”. Pacientes com LLA e alterações em quinases são beneficiados pelas terapias-alvo com inibidores de tirosina quinase, como imatinibe e dasatinibe, que bloqueiam vias intracelulares essenciais à proliferação das células leucêmicas, impedindo sua expansão clonal. Quando tratados sem essas terapias, mesmo com quimioterapia em altas doses, os desfechos foram piores. Já a combinação com os inibidores demonstrou melhores resultados. Adicionalmente, destaca-se a imunoterapia, que estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater células tumorais por meio do direcionamento a antígenos específicos expressos por células neoplásicas. Na LLA pediátrica, os principais alvos são CD19, CD20 e CD22. Entre os agentes terapêuticos, destaca-se o blinatumomabe, anticorpo biespecífico que liga CD19 (células B tumorais) e CD3 (linfócitos T), promovendo citotoxicidade mediada por células T. Outra inovação é a terapia com células CAR-T anti-CD19, como o tisagenlecleucel, indicada para LLA infantil recidivada ou refratária. Essa abordagem utiliza linfócitos T autólogos modificados geneticamente para expressar um receptor quimérico capaz de reconhecer o CD19 nas células B leucêmicas. Diante disso, mesmo com a presença de efeitos adversos, os benefícios dessas terapias superam a toxicidade da quimioterapia convencional. Torna-se, portanto, fundamental investir em novos estudos que permitam reconfigurar o atual cenário terapêutico, ainda fortemente baseado em abordagens tradicionais.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Univates (BR)
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Acute Lymphoblastic Leukemia research
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