BUSCA ATIVA COMO FERRAMENTA DE ADESÃO EM PACIENTES COM LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA NO CENTRO DE ONCOLOGIA E HEMATOLOGIA DO GRUPO HOSPITALAR CONCEIÇÃO

No Sistema Único de Saúde (SUS), conforme a Portaria Conjunta nº 04, de 1º de março de 2021 que estabelece o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para LMC, o mesilato de imatinibe (para uso em 1ª linha), além do dasatinibe e do nilotinibe (para uso em 2ª linha) são, hoje, adquiridos pelo Ministério da Saúde e fornecidos pelas Secretarias de Saúde para os hospitais e, por esses, aos usuários do SUS. O tratamento de 3ª linha da LMC é de prerrogativa e responsabilidade dos hospitais habilitados no SUS como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) ou Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON). A adesão ao tratamento da Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é um componente crítico do manejo da doença. A não adesão pode levar ao desenvolvimento de resistência aos medicamentos, dificultando o controle da doença e aumentando a probabilidade de progressão da LMC. Nesse cenário de opções terapêuticas limitadas é essencial a educação do paciente, o gerenciamento eficaz dos efeitos colaterais e o acompanhamento próximo por uma equipe de saúde para garantir que os pacientes possam aderir ao tratamento e alcançar os melhores resultados possíveis. Na Farmácia de Medicamentos Especiais do Centro de Oncologia (FME) do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) é realizada busca ativa dos pacientes em terapia oral com inibidores da tirosina quinase (ITQ) que deixam de retirar os medicamentos em qualquer etapa do tratamento. Os atendimentos são registrados em planilha diariamente e revisados mensalmente. Caso o paciente não compareça na data programada, são realizadas três tentativas de contato telefônico ou envio de mensagem via aplicativo (Whatsapp) pela farmacêutica solicitando o comparecimento para dispensação. Contatos frustrados (números de telefones inexistentes e pacientes que não comparecem) são encaminhados ao Serviço Social. No período de fevereiro a julho de 2025, estavam cadastrados para dispensação regular de ITQ 184 pacientes: 109 em primeira linha de tratamento em uso de imatinibe e 75 em segunda linha de tratamento utilizando dasatinibe ou nilotinibe. Desses, 85 (46%) deixaram de retornar em algum momento para dispensação e entraram no processo de busca ativa. O percentual de sucesso, ou seja, os pacientes que retornaram para retirar o medicamento após o contato feito pelo farmacêutico foi de 76% (65). Dentre as causas identificadas de não comparecimento, podemos citar questões de vulnerabilidade social e questões relacionadas à doença. A busca ativa mostrou-se uma ferramenta eficaz para identificar os pacientes com problemas de adesão ao tratamento. Embora o número de pacientes que retornaram ao serviço seja significativo, a metodologia é limitada para avaliar a adesão, pois restringe-se a identificação do comparecimento. Outros fatores devem ser associados a esse processo, tais como acompanhamento dos exames laboratoriais e elaboração de questionários para avaliar a adesão de maneira consistente. Além disso, é necessário mapear os motivos de não comparecimento e oferecer acompanhamento individualizado aos pacientes, levando em consideração suas necessidades e desafios específicos.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104405
Primary Topic
Healthcare during COVID-19 Pandemic
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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ALL TIME
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BUSCA ATIVA COMO FERRAMENTA DE ADESÃO EM PACIENTES COM LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA NO CENTRO DE ONCOLOGIA E HEMATOLOGIA DO GRUPO HOSPITALAR CONCEIÇÃO

Rui F. Oliveira, Mónica Pereira Garcia, K.C. MACHADO, Elisa Marques Almeida Silva et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Healthcare during COVID-19 Pandemic
article

BUSCA ATIVA COMO FERRAMENTA DE ADESÃO EM PACIENTES COM LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA NO CENTRO DE ONCOLOGIA E HEMATOLOGIA DO GRUPO HOSPITALAR CONCEIÇÃO

Rui F. Oliveira, Mónica Pereira Garcia, K.C. MACHADO, Elisa Marques Almeida Silva, L. D. SILVA, EB Philippsen, DL Locatelli
article en

Abstract

No Sistema Único de Saúde (SUS), conforme a Portaria Conjunta nº 04, de 1º de março de 2021 que estabelece o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para LMC, o mesilato de imatinibe (para uso em 1ª linha), além do dasatinibe e do nilotinibe (para uso em 2ª linha) são, hoje, adquiridos pelo Ministério da Saúde e fornecidos pelas Secretarias de Saúde para os hospitais e, por esses, aos usuários do SUS. O tratamento de 3ª linha da LMC é de prerrogativa e responsabilidade dos hospitais habilitados no SUS como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) ou Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON). A adesão ao tratamento da Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é um componente crítico do manejo da doença. A não adesão pode levar ao desenvolvimento de resistência aos medicamentos, dificultando o controle da doença e aumentando a probabilidade de progressão da LMC. Nesse cenário de opções terapêuticas limitadas é essencial a educação do paciente, o gerenciamento eficaz dos efeitos colaterais e o acompanhamento próximo por uma equipe de saúde para garantir que os pacientes possam aderir ao tratamento e alcançar os melhores resultados possíveis. Na Farmácia de Medicamentos Especiais do Centro de Oncologia (FME) do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) é realizada busca ativa dos pacientes em terapia oral com inibidores da tirosina quinase (ITQ) que deixam de retirar os medicamentos em qualquer etapa do tratamento. Os atendimentos são registrados em planilha diariamente e revisados mensalmente. Caso o paciente não compareça na data programada, são realizadas três tentativas de contato telefônico ou envio de mensagem via aplicativo (Whatsapp) pela farmacêutica solicitando o comparecimento para dispensação. Contatos frustrados (números de telefones inexistentes e pacientes que não comparecem) são encaminhados ao Serviço Social. No período de fevereiro a julho de 2025, estavam cadastrados para dispensação regular de ITQ 184 pacientes: 109 em primeira linha de tratamento em uso de imatinibe e 75 em segunda linha de tratamento utilizando dasatinibe ou nilotinibe. Desses, 85 (46%) deixaram de retornar em algum momento para dispensação e entraram no processo de busca ativa. O percentual de sucesso, ou seja, os pacientes que retornaram para retirar o medicamento após o contato feito pelo farmacêutico foi de 76% (65). Dentre as causas identificadas de não comparecimento, podemos citar questões de vulnerabilidade social e questões relacionadas à doença. A busca ativa mostrou-se uma ferramenta eficaz para identificar os pacientes com problemas de adesão ao tratamento. Embora o número de pacientes que retornaram ao serviço seja significativo, a metodologia é limitada para avaliar a adesão, pois restringe-se a identificação do comparecimento. Outros fatores devem ser associados a esse processo, tais como acompanhamento dos exames laboratoriais e elaboração de questionários para avaliar a adesão de maneira consistente. Além disso, é necessário mapear os motivos de não comparecimento e oferecer acompanhamento individualizado aos pacientes, levando em consideração suas necessidades e desafios específicos.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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