MORTALIDADE POR LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA NO BRASIL ‒ UMA ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA

A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) é a neoplasia hematológica infantil mais frequente e uma importante causa de morbidade e mortalidade pediátrica. Tal condição caracteriza-se pela proliferação descontrolada de linfoblastos na medula óssea, geralmente relacionada a alterações genéticas adquiridas, levando à substituição da hematopoiese normal, com anemia, trombocitopenia e maior suscetibilidade a infecções. Compreender o perfil epidemiológico da mortalidade por LLA em crianças é essencial para reconhecer fatores associados e orientar estratégias de cuidado mais adequadas. Analisar o padrão da mortalidade infantil por LLA no Brasil, observando-se a faixa etária, para compreender padrões epidemiológicos e identificar obstáculos ao manejo dos infantes. Foi feito um estudo transversal epidemiológico baseado na comparação de dados obtidos por meio de consulta ao Painel de Monitoramento de Mortalidade, disponibilizado pelo Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis (DAENT) com a literatura, referente ao período de 2020 até 2024. A fim de comparação, foram realizadas buscas na base PubMed, utilizando os descritores “acute lymphoblastic leukemia”, “child” e “mortality”. Foram selecionados 7 artigos nos últimos 5 anos que apresentaram maior relevância ao tema. No Brasil, entre 2014 e 2023, ocorreram 10.301 óbitos por LLA, correspondendo a uma média anual de aproximadamente 1.030 mortes. Dados de 2012 a 2022 apontam para 4.102 óbitos (média de 151,9 por ano) de crianças de 0 a 14 anos. Na análise por faixa etária, observou-se maior concentração no grupo de 5 a 9 anos, que respondeu por 35,88% das mortes pediátricas, seguido pelo grupo de 1 a 4 anos. Em relação ao sexo, os meninos representaram 57,58% dos óbitos (n=2.362) e as meninas 42,42% (n=1.740). Quanto às regiões brasileiras, no período de 2020 a 2024, a região Sudeste liderou com 516 mortes de crianças de 1 a 14 anos, seguida da região Nordeste com 435, Sul com 218, Norte com 203 e Centro-Oeste com 113, apresentando uma tendência de estabilidade no número de mortes ao longo dos anos. Quanto ao sexo e idade, observou-se que os indivíduos masculinos apresentaram maior predominância de mortes (1,35:1), com destaque ao grupo de 5 a 9 anos, demonstrando um pico epidemiológico nesse grupo. Além disso, os dados revelam disparidades regionais nas internações, com maior prevalência nas regiões Sudeste e Nordeste, sugerindo desigualdades no acesso à atenção primária, diagnóstico precoce e tratamento oportuno. Fatores socioeconômicos também influenciam diretamente na incidência, tratamento e sobrevida da LLA, evidenciando a necessidade de melhorias na infraestrutura hospitalar, capacitação de profissionais e adoção de protocolos padronizados. Em contrapartida, a região Centro-Oeste apresenta menores taxas de mortalidade o que pode indicar subnotificação por diagnósticos tardios ou falta de acesso ao sistema de saúde. Os dados da mortalidade por LLA em meio ao público pediátrico colocam-na em uma posição de destaque entre as leucemias no Brasil. Observou-se forte associação entre o número de mortes e os indicadores socioeconômicos, evidenciando o impacto das desigualdades sociais no acesso ao tratamento e das discrepâncias regionais na notificação dos casos. Portanto, a implementação de diretrizes equitativas e o incentivo à produção de novos estudos são essenciais à redução da morbimortalidade por LLA entre crianças.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105430
Primary Topic
Acute Lymphoblastic Leukemia research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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MAR
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MAY
JUN
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AUG
SEP
OCT
article

MORTALIDADE POR LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA NO BRASIL ‒ UMA ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA

Carolina Barbosa Carvalho do Carmo, Silvia Carvalho, Yasmin Tarek Ali Abdel Aziz, Anna Karoline Amaral Sousa et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Lymphoblastic Leukemia research
article

MORTALIDADE POR LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA NO BRASIL ‒ UMA ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA

Carolina Barbosa Carvalho do Carmo, Silvia Carvalho, Yasmin Tarek Ali Abdel Aziz, Anna Karoline Amaral Sousa, Gil Pires, YAS Ivanoski, GM Silva, JG Dias Victor Holanda, G Ferreira de Jesus Malta, N Sales Barbosa
article en

Abstract

A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) é a neoplasia hematológica infantil mais frequente e uma importante causa de morbidade e mortalidade pediátrica. Tal condição caracteriza-se pela proliferação descontrolada de linfoblastos na medula óssea, geralmente relacionada a alterações genéticas adquiridas, levando à substituição da hematopoiese normal, com anemia, trombocitopenia e maior suscetibilidade a infecções. Compreender o perfil epidemiológico da mortalidade por LLA em crianças é essencial para reconhecer fatores associados e orientar estratégias de cuidado mais adequadas. Analisar o padrão da mortalidade infantil por LLA no Brasil, observando-se a faixa etária, para compreender padrões epidemiológicos e identificar obstáculos ao manejo dos infantes. Foi feito um estudo transversal epidemiológico baseado na comparação de dados obtidos por meio de consulta ao Painel de Monitoramento de Mortalidade, disponibilizado pelo Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis (DAENT) com a literatura, referente ao período de 2020 até 2024. A fim de comparação, foram realizadas buscas na base PubMed, utilizando os descritores “acute lymphoblastic leukemia”, “child” e “mortality”. Foram selecionados 7 artigos nos últimos 5 anos que apresentaram maior relevância ao tema. No Brasil, entre 2014 e 2023, ocorreram 10.301 óbitos por LLA, correspondendo a uma média anual de aproximadamente 1.030 mortes. Dados de 2012 a 2022 apontam para 4.102 óbitos (média de 151,9 por ano) de crianças de 0 a 14 anos. Na análise por faixa etária, observou-se maior concentração no grupo de 5 a 9 anos, que respondeu por 35,88% das mortes pediátricas, seguido pelo grupo de 1 a 4 anos. Em relação ao sexo, os meninos representaram 57,58% dos óbitos (n=2.362) e as meninas 42,42% (n=1.740). Quanto às regiões brasileiras, no período de 2020 a 2024, a região Sudeste liderou com 516 mortes de crianças de 1 a 14 anos, seguida da região Nordeste com 435, Sul com 218, Norte com 203 e Centro-Oeste com 113, apresentando uma tendência de estabilidade no número de mortes ao longo dos anos. Quanto ao sexo e idade, observou-se que os indivíduos masculinos apresentaram maior predominância de mortes (1,35:1), com destaque ao grupo de 5 a 9 anos, demonstrando um pico epidemiológico nesse grupo. Além disso, os dados revelam disparidades regionais nas internações, com maior prevalência nas regiões Sudeste e Nordeste, sugerindo desigualdades no acesso à atenção primária, diagnóstico precoce e tratamento oportuno. Fatores socioeconômicos também influenciam diretamente na incidência, tratamento e sobrevida da LLA, evidenciando a necessidade de melhorias na infraestrutura hospitalar, capacitação de profissionais e adoção de protocolos padronizados. Em contrapartida, a região Centro-Oeste apresenta menores taxas de mortalidade o que pode indicar subnotificação por diagnósticos tardios ou falta de acesso ao sistema de saúde. Os dados da mortalidade por LLA em meio ao público pediátrico colocam-na em uma posição de destaque entre as leucemias no Brasil. Observou-se forte associação entre o número de mortes e os indicadores socioeconômicos, evidenciando o impacto das desigualdades sociais no acesso ao tratamento e das discrepâncias regionais na notificação dos casos. Portanto, a implementação de diretrizes equitativas e o incentivo à produção de novos estudos são essenciais à redução da morbimortalidade por LLA entre crianças.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Católica de Brasília (BR)
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Acute Lymphoblastic Leukemia research
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