PERFIL E DISTRIBUIÇÃO DOS CASOS REGISTRADOS NO GRUPO COOPERATIVO BRASILEIRO DE SÍNDROME MIELODISPLÁSICA PEDIÁTRICA (GCB-SMD-PED)

As síndromes mielodisplásicas (SMD) pediátricas são doenças hematológicas clonais raras da infância. Com características clínicas, morfológicas e laboratoriais que se assemelham a outras patologias (mimetizam SMD), a SMD constitui um verdadeiro desafio diagnóstico. Neste contexto, o registro e discussão de casos é um passo essencial para ampliar o conhecimento diagnóstico, epidemiológico, clínico e terapêutico sobre a doença no país, sendo esses elementos parte dos objetivos principais do Grupo Cooperativo Brasileiro de Síndrome Mielodisplásica Pediátrica (GCB-SMD-PED). Informar o perfil sociodemográfico dos pacientes cadastrados no GCB-SMD-PED, apresentar a distribuição gráfica dos centros e a situação atual da investigação dos pacientes cadastrados. Desde 1997, o banco de dados do GCB-SMD-PED tem sido alimentado através de registros realizados por médicos do Brasil. Foram cadastradas informações sociodemográficas, clínicas e laboratoriais dos pacientes com suspeita ou diagnóstico de SMD e Leucemia Mielomonocítica Juvenil (LMMJ). Os pacientes e/ou suas amostras foram analisados pelo GCB-SMD-PED e discutidos com a equipe médica responsável em busca de um diagnóstico definitivo. Os dados sociodemográficos (sexo, cor e idade ao diagnóstico), regionais (estado e região) e diagnóstico final (SMD, não SMD) foram analisados. Foram 1210 casos registrados no GCB-SMD-PED de 1997 até o momento. A maioria dos casos cadastrados foram do sexo Masculino (53,6%) e caucasianos (67%). Dos 27 estados da federação, centros localizados em 40,7% (11 estados) deles cadastraram dois por cento ou mais dos casos cada um (RJ (26, 2,2%), RS (30, 2,5%), PE (33, 2,7%), SC (35, 2,9%), GO (39, 3,2%), PR (51, 4,2%), DF (53, 4,4%), CE (54, 4,5%), MG (80, 6,6%), BA (105, 8,7%) e SP (522, 43,4%)). De forma macro, de 1208 casos, a região SUDESTE (645, 53,4%), NORDESTE (264, 21,9%) e CENTRO- OESTE (139, 11,5%) cadastraram maior número de casos, seguidos pelas regiões SUL (116, 9,6%) e NORTE (44, 3,6%). Do total de casos, 48,9% foram diagnosticados como não SMD e 37,1% como sim SMD, sendo que assim distribuídos: Citopenia refratária (38,5%), SMD com excesso de blastos (37,5%), LMMJ (24,7%); a mediana de idade foi de 7 anos nos pacientes com SMD e 1 ano entre aqueles com LMMJ. Do histórico de classificações para SMD no grupo, 8,2% foram diagnosticados como SMD/Leucemia mieloide aguda na síndrome de Down e 5,7% como SMD Secundária. 1,5% (17) dos casos estão com status inconclusivo e 12,6% (143) com a investigação em andamento. A distribuição desigual do registro de casos dessas doenças raras pode refletir tanto a maior familiaridade desses centros com o GCB-SMD-PED quanto a possível migração de casos para investigação em regiões com maior infraestrutura diagnóstica. A elevada proporção de diagnósticos não confirmados como SMD reforça a complexidade diagnóstica, a interface com uma variedade de diagnósticos diferenciais e a importância da análise centralizada e discussão multiprofissional. O cenário existente evidencia a necessidade de aumentar a divulgação sobre o papel e trabalho disponibilizado pelo Grupo, com vistas a ampliar acesso às ferramentas diagnósticas disponíveis a todos os pacientes, promover educação continuada com discussão de casos e estratégias terapêuticas, e reduzir a desigualdade do acesso.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104893
Primary Topic
Hemoglobinopathies and Related Disorders
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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ALL TIME
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PERFIL E DISTRIBUIÇÃO DOS CASOS REGISTRADOS NO GRUPO COOPERATIVO BRASILEIRO DE SÍNDROME MIELODISPLÁSICA PEDIÁTRICA (GCB-SMD-PED)

L Niéro‐Melo, AP Alves, MAT Cardoso, Rafael Balceiro et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Hemoglobinopathies and Related Disorders
article

PERFIL E DISTRIBUIÇÃO DOS CASOS REGISTRADOS NO GRUPO COOPERATIVO BRASILEIRO DE SÍNDROME MIELODISPLÁSICA PEDIÁTRICA (GCB-SMD-PED)

L Niéro‐Melo, AP Alves, MAT Cardoso, Rafael Balceiro, LF Lopes, Mara Albonei Dudeque Pianovski, David Viana Martín, TCC Fonseca, AF Oliveira, MP Garanito, GRC Murra, LCM Pezente, RA Toscana
article en

Abstract

As síndromes mielodisplásicas (SMD) pediátricas são doenças hematológicas clonais raras da infância. Com características clínicas, morfológicas e laboratoriais que se assemelham a outras patologias (mimetizam SMD), a SMD constitui um verdadeiro desafio diagnóstico. Neste contexto, o registro e discussão de casos é um passo essencial para ampliar o conhecimento diagnóstico, epidemiológico, clínico e terapêutico sobre a doença no país, sendo esses elementos parte dos objetivos principais do Grupo Cooperativo Brasileiro de Síndrome Mielodisplásica Pediátrica (GCB-SMD-PED). Informar o perfil sociodemográfico dos pacientes cadastrados no GCB-SMD-PED, apresentar a distribuição gráfica dos centros e a situação atual da investigação dos pacientes cadastrados. Desde 1997, o banco de dados do GCB-SMD-PED tem sido alimentado através de registros realizados por médicos do Brasil. Foram cadastradas informações sociodemográficas, clínicas e laboratoriais dos pacientes com suspeita ou diagnóstico de SMD e Leucemia Mielomonocítica Juvenil (LMMJ). Os pacientes e/ou suas amostras foram analisados pelo GCB-SMD-PED e discutidos com a equipe médica responsável em busca de um diagnóstico definitivo. Os dados sociodemográficos (sexo, cor e idade ao diagnóstico), regionais (estado e região) e diagnóstico final (SMD, não SMD) foram analisados. Foram 1210 casos registrados no GCB-SMD-PED de 1997 até o momento. A maioria dos casos cadastrados foram do sexo Masculino (53,6%) e caucasianos (67%). Dos 27 estados da federação, centros localizados em 40,7% (11 estados) deles cadastraram dois por cento ou mais dos casos cada um (RJ (26, 2,2%), RS (30, 2,5%), PE (33, 2,7%), SC (35, 2,9%), GO (39, 3,2%), PR (51, 4,2%), DF (53, 4,4%), CE (54, 4,5%), MG (80, 6,6%), BA (105, 8,7%) e SP (522, 43,4%)). De forma macro, de 1208 casos, a região SUDESTE (645, 53,4%), NORDESTE (264, 21,9%) e CENTRO- OESTE (139, 11,5%) cadastraram maior número de casos, seguidos pelas regiões SUL (116, 9,6%) e NORTE (44, 3,6%). Do total de casos, 48,9% foram diagnosticados como não SMD e 37,1% como sim SMD, sendo que assim distribuídos: Citopenia refratária (38,5%), SMD com excesso de blastos (37,5%), LMMJ (24,7%); a mediana de idade foi de 7 anos nos pacientes com SMD e 1 ano entre aqueles com LMMJ. Do histórico de classificações para SMD no grupo, 8,2% foram diagnosticados como SMD/Leucemia mieloide aguda na síndrome de Down e 5,7% como SMD Secundária. 1,5% (17) dos casos estão com status inconclusivo e 12,6% (143) com a investigação em andamento. A distribuição desigual do registro de casos dessas doenças raras pode refletir tanto a maior familiaridade desses centros com o GCB-SMD-PED quanto a possível migração de casos para investigação em regiões com maior infraestrutura diagnóstica. A elevada proporção de diagnósticos não confirmados como SMD reforça a complexidade diagnóstica, a interface com uma variedade de diagnósticos diferenciais e a importância da análise centralizada e discussão multiprofissional. O cenário existente evidencia a necessidade de aumentar a divulgação sobre o papel e trabalho disponibilizado pelo Grupo, com vistas a ampliar acesso às ferramentas diagnósticas disponíveis a todos os pacientes, promover educação continuada com discussão de casos e estratégias terapêuticas, e reduzir a desigualdade do acesso.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal de Minas Gerais (BR), Universidade Paranaense (BR), Hospital de Câncer de Barretos (BR), Hospital IPO (BR), Santa Casa de Misericórdia de Marília (BR), Hospital Infantil Albert Sabin (BR), Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (BR), Universidade Estadual Paulista (Unesp) (BR)
Openalex Percentile: Top 57%
Hemoglobinopathies and Related Disorders
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