PORTADORES DE ANEMIA FALCIFORME COM ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL PRÉVIO EM SEGUIMENTO SEM TRANSFUSÃO

Relato de 12 pacientes com anemia falciforme e história de Acidente Vascular Cerebral isquêmico (AVC) prévio que, por diversas razões tiveram seu esquema transfusional suspenso. Foi realizado um estudo descritivo, retrospectivo e longitudinal com dados de prontuários médicos de 12 pacientes portadores de doença falciforme, acompanhados em um centro de referência na cidade de São Paulo entre 1994 e 2025. A mediana (AIQ) de idade do primeiro AVC foi de 7,5 (5-11) anos. Cinquenta por cento dos pacientes tiveram mais de 1 episódio de AVC, sendo que o número de episódios variou de 2 a 7, e todos os episódios ocorreram durante o período de profilaxia secundária. A mediana (AIQ) de tempo de tratamento transfusional foi de 10,5 (3,5-13,0) anos. Dois pacientes nunca realizaram transfusão profilática e apenas um destes teve um segundo episódio de AVC 24 anos após o primeiro. Quando foram referenciados ao Serviço de Hematologia de adultos, por diferentes razões, o tratamento transfusional foi suspenso e iniciado hidroxiureia. A mediana (AIQ) de sobrevida após esta mudança de conduta é de 19,5 (15,8-23,3) anos. Vale ressaltar, que dois pacientes perderam o acompanhamento neste período e nestes casos foi considerado apenas o tempo de seguimento. O AVC é manifestação frequente em crianças com doença falciforme, mais especificamente na anemia falciforme. Por vezes, trata-se de uma manifestação catastrófica resultando em sequelas motoras e/ ou neurológicas e impedindo que este indivíduo tenha uma vida normal. Sabe-se que a transfusão de hemácias é tratamento importante para evitar o primeiro episódio (profilaxia primária) e para evitar recidivas (profilaxia secundária). Em nosso relato, as causas de suspensão do esquema transfusional teve várias razões, sendo as mais frequentes: recusa do paciente, dificuldade de comparecer com frequência ao serviço e irregularidade do acompanhamento. Nos casos apresentados, estes pacientes encontram-se há cerca de 20 anos em acompanhamento sem transfusão. O estudo STOP 2 (Optimizing Primary Stroke Prevention in Sickle Cell Anemia Trial) não foi capaz de determinar se a suspensão de transfusão regular pode ser indicada nestes pacientes, e não existe até o momento, nenhum estudo que comprove que a suspensão do regime transfusional e o início de hidroxiureia tenha a mesma resposta na profilaxia. Este relato chama a atenção para o fato de haver necessidade de mais estudos controlados para determinar o período mínimo de tratamento transfusional destes pacientes, levando-se em conta as complicações associadas a transfusões frequentes por muitos anos.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104176
Primary Topic
Hemoglobinopathies and Related Disorders
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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article

PORTADORES DE ANEMIA FALCIFORME COM ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL PRÉVIO EM SEGUIMENTO SEM TRANSFUSÃO

LAB Faria, SR Pires, MS Figueiredo, TM Rocha et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Hemoglobinopathies and Related Disorders
article

PORTADORES DE ANEMIA FALCIFORME COM ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL PRÉVIO EM SEGUIMENTO SEM TRANSFUSÃO

LAB Faria, SR Pires, MS Figueiredo, TM Rocha, JF Zambianco, MJF Ramos-Reis
article en

Abstract

Relato de 12 pacientes com anemia falciforme e história de Acidente Vascular Cerebral isquêmico (AVC) prévio que, por diversas razões tiveram seu esquema transfusional suspenso. Foi realizado um estudo descritivo, retrospectivo e longitudinal com dados de prontuários médicos de 12 pacientes portadores de doença falciforme, acompanhados em um centro de referência na cidade de São Paulo entre 1994 e 2025. A mediana (AIQ) de idade do primeiro AVC foi de 7,5 (5-11) anos. Cinquenta por cento dos pacientes tiveram mais de 1 episódio de AVC, sendo que o número de episódios variou de 2 a 7, e todos os episódios ocorreram durante o período de profilaxia secundária. A mediana (AIQ) de tempo de tratamento transfusional foi de 10,5 (3,5-13,0) anos. Dois pacientes nunca realizaram transfusão profilática e apenas um destes teve um segundo episódio de AVC 24 anos após o primeiro. Quando foram referenciados ao Serviço de Hematologia de adultos, por diferentes razões, o tratamento transfusional foi suspenso e iniciado hidroxiureia. A mediana (AIQ) de sobrevida após esta mudança de conduta é de 19,5 (15,8-23,3) anos. Vale ressaltar, que dois pacientes perderam o acompanhamento neste período e nestes casos foi considerado apenas o tempo de seguimento. O AVC é manifestação frequente em crianças com doença falciforme, mais especificamente na anemia falciforme. Por vezes, trata-se de uma manifestação catastrófica resultando em sequelas motoras e/ ou neurológicas e impedindo que este indivíduo tenha uma vida normal. Sabe-se que a transfusão de hemácias é tratamento importante para evitar o primeiro episódio (profilaxia primária) e para evitar recidivas (profilaxia secundária). Em nosso relato, as causas de suspensão do esquema transfusional teve várias razões, sendo as mais frequentes: recusa do paciente, dificuldade de comparecer com frequência ao serviço e irregularidade do acompanhamento. Nos casos apresentados, estes pacientes encontram-se há cerca de 20 anos em acompanhamento sem transfusão. O estudo STOP 2 (Optimizing Primary Stroke Prevention in Sickle Cell Anemia Trial) não foi capaz de determinar se a suspensão de transfusão regular pode ser indicada nestes pacientes, e não existe até o momento, nenhum estudo que comprove que a suspensão do regime transfusional e o início de hidroxiureia tenha a mesma resposta na profilaxia. Este relato chama a atenção para o fato de haver necessidade de mais estudos controlados para determinar o período mínimo de tratamento transfusional destes pacientes, levando-se em conta as complicações associadas a transfusões frequentes por muitos anos.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal de São Paulo (BR)
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Hemoglobinopathies and Related Disorders
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