TRANSMISSÃO VERTICAL DE DENGUE COM TROMBOCITOPENIA EM NEONATO PREMATURO: RELATO DE CASO E DESAFIOS TRANSFUSIONAIS
A dengue é uma arbovirose transmitida mais facilmente pela picada do mosquito Aedes aegypti , porém casos de transmissão vertical têm sido relatados com maior frequência nos últimos anos, especialmente em regiões de alta endemicidade. Em neonatos, a infecção pelo vírus da dengue pode apresentar manifestações clínicas graves. A trombocitopenia é uma das principais complicações hematológicas associadas e pode predispor a sangramentos significativos nessa população. A transfusão de plaquetas pode se tornar uma medida terapêutica emergencial e vital. A decisão pela transfusão deve ser criteriosa, considerando os riscos envolvidos. Diante disso, torna- se fundamental discutir os critérios clínicos e laboratoriais que norteiam a indicação além de compreender os desfechos clínicos associados a essa conduta. A análise de relatos de casos e diretrizes clínicas podem contribuir para um manejo mais seguro e eficaz desses pacientes vulneráveis. Recém-nascido, masculino, parto cesárea de 34 semanas e 5 dias de gestação, peso 2.405g, 42,5 cm e Apgar 8/9. Apresentou desconforto respiratório ao nascimento, sendo aspirado e ventilado com balão, admitido na UTI neonatal com febre, taquidispneia e ascite, porém mantendo-se ativo e reativo. Exames laboratoriais mostraram leucopenia (3.770 leucócitos/mm³) e plaquetopenia (58.000 mm 3 ) sem indicação imediata de transfusão. No quinto dia de internação, teve queda da contagem plaquetária para 9.000 mm 3 , epistaxe, distensão abdominal e sangramento, quadro que configurou indicação formal de transfusão. A mãe VDRL reagente, teve bolsa rota de 11 horas e ambos (mãe e RN) testaram positivo para NS1. A transmissão vertical da dengue embora rara representa uma via significativa de infecção neonatal. O caso descreve um prematuro com sinais clínicos precoces de infecção e comprometimento hematológico, sugerindo dengue congênita. Desde o nascimento apresentou desconforto respiratório, sendo admitido na UTI neonatal com febre, taquidispneia e ascite. A contagem plaquetária inicial embora baixa não indicava transfusão imediata o que é condizente com os protocolos do Ministério da Saúde e da Fiocruz. A literatura científica relata que transfusões devem ser consideradas com contagem inferior a 20.000 mm 3 ou na presença de sinais de sangramento, como observado neste caso. A resposta clínica favorável após as transfusões confirma a eficácia da conduta adotada e revela a complexidade de manejo, especialmente em prematuros, em que múltiplos fatores podem contribuir para a instabilidade clínica. Este relato evidencia a gravidade da dengue congênita e a importância de uma abordagem criteriosa para indicação de transfusão plaquetária. A evolução clínica favorável após intervenção adequada reforça a relevância do monitoramento intensivo e da atenção redobrada a gestantes com sinais sugestivos de infecção viral em áreas endêmicas. O paciente recebeu alta hospitalar no 31° dia de vida, com peso de 2.820g, em bom estado geral, ativo e eupneico.
Authors
- JPL Amorim
- C Zutin
- ACK Chiquito
Institutions
- Sociedade Brasileira de Educação Matemática (BR)
- Fundação Hemopa (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.106050
- Primary Topic
- Maternal and Neonatal Healthcare
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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